Inovação para a Agricultura

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Novas práticas em olivais de sequeiro: estratégias de mitigação e adaptação às alterações climáticas

Entidade líder do projeto: APPITAD- ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES EM PROTECÇÃO INTEGRADA DE TRÁS-OS MONTES
Responsável pelo projeto: APPITAD- DOURO
Área do plano de ação: Olivicultura
Parceiros:

ACUSHLA, SA; ALMIRA DOS ANJOS LOPES ROBALO CORDEIRO; CENTRO DE GESTÃO DA EMPRESA AGRÍCOLA VALE DO TUA; CENTRO DE GESTÃO DE EMPRESAS AGRICOLAS VIMIOSENSE; HERDEIROS DE MANUEL ALBERTO FERRAZ DE SOUSA ATAÍDE PAVÃO; INSTITUTO POLITECNICO DE BRAGANÇA; LÚCIA MARIA LAGE GOMES DE SÁ; MANUEL DOMINGOS CARVALHO; MARIA DOS ANJOS ROSA RODRIGUES; UNIVERSIDADE DE TRÁS OS MONTES E ALTO DOURO


Prioridade do FEADER: P4) Restaurar, preservar e melhorar os ecossistemas ligados à agricultura e à silvicultura;
Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:

O setor agrário contribui significativamente para a emissão de gases com efeito de estufa (GEE) e, assim, para mudanças importantes no sistema climático à escala global, com consequências profundas do ponto de vista ambiental e socioeconómico. Em grande parte do sul da Europa, com aptidão para a olivicultura, é esperado o aumento da temperatura média, a diminuição da precipitação, particularmente durante o período Primavera-Verão, e o aumento da intensidade de radiação (visível e ultravioleta) e da ocorrência de fenómenos extremos (ondas de calor e seca, etc.), conduzindo a um cenário futuro de maior evaporação e diminuição da disponibilidade de água no solo. Por outro lado, a agricultura é um dos setores económicos mais afetados pelas alterações climáticas. A cultura da oliveira será uma das mais atingidas em Portugal, desde logo porque uma parte significativa do olival português é cultivado em regime de sequeiro, atingindo mais de 90% na região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Perturbações sérias na fisiologia das árvores, redução da produtividade, agravamento do fenómeno de alternância da produção e alterações da severidade da ocorrência de pragas e doenças e da qualidade da produção (azeitona e azeite) são alguns dos efeitos negativos esperados, com repercussões problemáticas nos domínios da sustentabilidade da produção, abandono da atividade económica, desertificação e agravamento de vários problemas ambientais.

Pelo exposto, é crucial para a olivicultura de sequeiro a implementação de novas práticas agronómicas nos domínios da gestão do solo (coberturas vegetais, reciclagem de "rama de poda", aproveitamento de subprodutos dos lagares e de outras atividades agroindustriais para a produção de materiais compostados, micorrização e aplicação de biochar e zeólitos) e de gestão das árvores (poda, fertilização foliar e aplicação de protetores foliares), de modo a adaptar os olivais de sequeiro a condições mais adversas e a  mitigar as alterações climáticas, pela redução de GEE e pelo aumento do sequestro do carbono.


Objetivos visados:

Com a introdução das práticas propostas pretende-se atingir os seguintes objetivos gerais: a mitigação das alterações climáticas, pela redução das emissões de GEE e pelo aumento do sequestro de carbono, e a adaptação do olival de sequeiro a novas condições climáticas.

Para atingir aqueles objetivos gerais, apresentam-se os seguintes objetivos específicos:

(1) avaliar o efeito de diferentes cobertos vegetais naturais e semeados, com vista a selecionar o tipo de coberto melhor adaptado aos condicionalismos agroecológicos locais, de forma a garantir a sustentabilidade da produção, o sequestro de carbono, a promoção da fertilidade do solo, a persistência das espécies semeadas e a redução de custos com a aquisição de sementes e com novas sementeiras;

(2) Demonstrar as vantagens da poda ligeira com carácter anual, e avaliar os efeitos da reciclagem de "rama de poda", dos subprodutos dos lagares e de outros resíduos das explorações, bem como dos resíduos sólidos urbanos, como mulch e como materiais nutritivos, com vista a promover o sequestro de carbono, a fertilidade do solo e a eficiência do uso da água, ao mesmo tempo que se reduzem os custos de aquisição de fertilizantes;

(3) Avaliar diferentes estratégias de fertilização ao solo e por via foliar, com vista a auxiliar os laboratórios a melhorar a qualidade das recomendações de fertilização e a orientar os produtores nas suas estratégias anuais de fertilização;

(4) Avaliar os efeitos da aplicação de fungos micorrízicos, biochar e zeólitos, com vista a selecionar as melhores doses, de forma a promover o sequestro de carbono e a eficiência do uso dos nutrientes e da água e a reduzir as emissões de GEE;

(5) Avaliar o comportamento das variedades mais representativas no País, com vista a selecionar as melhor adaptadas aos diferentes condicionalismos edafoclimáticos;

(6) Avaliar o efeito de diferentes substâncias naturais indutoras de mecanismos de resistência, com vista a obter a melhor concentração e o número ideal das aplicações foliares, de forma a encontrar o maior efeito protetor contra os fatores ambientais adversos;

(7) Validar cientificamente as práticas propostas, através da análise dos impactes no estado hídrico, nutritivo e sanitário, atividade fotossintética, crescimento e produtividade das árvores e na qualidade da azeitona e do azeite produzido, bem como na fertilidade do solo, e ainda da análise económica das propostas, tendo em conta que o objetivo final é que as soluções possam ser adotadas por um grande número de produtores.


Sumário do plano de ação:

A presente iniciativa pretende desenvolver e disseminar tecnologias inovadoras que permitam contribuir para a mitigação das alterações climáticas, pela redução de gases de efeito estufa e pelo aumento do sequestro do carbono, e para a adaptação do olival de sequeiro a novas condições climáticas. Prevê a implementação de novas práticas agronómicas nos domínios da gestão do solo (coberturas vegetais, reciclagem de “rama de poda”, micorrização e aplicação de biochar e zeólitos, aproveitamento de subprodutos dos lagares e de outras atividades agroindustriais para a produção de compostados) e de gestão das árvores (fertilização foliar e aplicação de protetores foliares).

Serão implementadas metodologias de campo e de laboratório para avaliar o efeito dos tratamentos no estado hídrico, nutritivo e sanitário, atividade fotossintética, crescimento e produtividade das árvores e na qualidade da azeitona e do azeite produzido, bem como na fertilidade do solo. Será estabelecido um plano de demonstração, divulgação e disseminação de resultados que irá incluir a utilização da plataforma da Rede Rural Nacional e os sites das entidades do consórcio, a organização de jornadas e seminários, a dinamização de grupos focais, a elaboração de publicações técnicas e científicas, bem como a publicação de um “Manual de Boas Práticas” de medidas de mitigação e adaptação às alterações climáticas.


Pontos de situação / Resultados:

Irá realizar-se no próximo dia 29 de janeiro, a partir das 14h00 no Auditório Municipal de Mirandela, uma sessão subordinada ao tema "Mitigação das alterações climáticas no Olival, no âmbito do Grupo Operacional “Novas práticas em olivais de sequeiro: estratégias de mitigação e adaptação às alterações climáticas ”. Programa

Este GO foi apresentado no Agri-Innovation Summit 2017. O póster apresentado pode ser visto aqui.