Inovação para a Agricultura

FacebookTwitterGoogle BookmarksRSS Feed
PT EN
  • S8
  • S12
  • S11
  • S10
  • S3
  • S14
  • S7
  • S13
  • S6
  • S2
  • S5

Grupo Operacional para a valorização da produção da Cereja de Resende e posicionamento da sub-fileira nos mercados

Entidade líder do projeto: UNIVERSIDADE DE TRÁS OS MONTES E ALTO DOURO
Responsável pelo projeto: Berta Carvalho (bertag@utad.pt )
Área do plano de ação: Cultura de pomóideas e prunóideas
Parceiros:

ARMINDO PINTO BARBOSA; CERMOUROS - CEREJAS DE SÃO MARTINHO DE MOUROS LDA; DOLMEN - DESENVOLVIMENTO LOCAL E REGIONAL, CRL; FERNANDO VIEIRA PINTO; MULTIPLOSFRUTOS - PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE FRUTOS LDA; MUNICIPIO DE RESENDE


Prioridade do FEADER: P2A) melhoria do desempenho económico de todas as explorações agrícolas e facilitação da restruturação e modernização das explorações agrícolas, tendo em vista nomeadamente aumentar a participação no mercado e a orientação para esse mesmo mercado, assim como a diversificação agrícola;
Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:

A presente operação tem como âmbito de atuação a subfileira da Cereja em Resende, em particular, a inovação no processo produtivo, visto que tem por objetivo a melhoria e qualificação dos processos produtivos na subfileira da Cereja, estimulando a adoção de novos métodos e tecnologias por parte dos produtores. A produtividade média dos pomares nacionais de cereja (2,6 t/ha) fica aquém dos valores conseguidos noutros países europeus, como por exemplo, a Itália (3,4 t/ha), a Alemanha (4,1 t/ha) e a França (4,2 t/ha). Embora a Cereja tenha pouco peso na produção total de frutos frescos, no Continente, não chegando aos 2%, a mesma representa um rendimento assinalável para os produtores, sobretudo para aqueles que se encontram em regiões económica e socialmente muito deprimidas, sem outras culturas ou atividades económicas alternativas. Sendo bem valorizada no mercado, a produção de Cereja contribui para a manutenção dos níveis de emprego e para a fixação de população que de outro modo se deslocaria. Uma parte significativa da produção nacional de Cereja encontra-se fortemente atomizada, existindo um elevado número de explorações de pequena dimensão, com tecnologias de produção muito tradicionais, árvores de grande porte, colheita cara, fertilização e regas desajustadas em relação às necessidades das plantas, como consequência do baixo nível de especialização da gestão das explorações. Com efeito, nas principais regiões de produção (localizadas sobretudo em Trás-os-Montes e Beira Interior), o peso das explorações com pomares de cerejeiras de área inferior a 2 hectares excede 87% do total, enquanto as explorações com plantações que totalizem uma área superior a 10 hectares tem uma expressão muito reduzida (GPP, 20071).

A produção de Cereja na região do Tâmega, particularmente no concelho de Resende possui um forte impacto na economia local. De facto, cerca de 30% da produção de cereja da Região Norte de Portugal é oriunda deste concelho além de que em Resende, parte da sua produção é efetuada em fins de abril, altura em que se dá início às primeiras colheitas de Cereja em toda a Europa. Tal constitui uma oportunidade para Resende na medida em que permite uma antecipação da produção em cerca de três semanas face às provenientes de outras regiões e países. No entanto, grande parte da produção amadurece na estação de comercialização da Cereja o que acarreta problemas associados à competitividade que se traduzem em ganhos marginais mais reduzidos para os produtores. Verificam-se, igualmente, baixos níveis de especialização da subfileira, nomeadamente ao nível do processo produtivo que carece da introdução de conhecimento aplicado e inovação que acrescente valor à produção de Resende. Constata-se que à medida que as plantações envelhecem e são substituídas, não há conhecimento para aportar aos produtores sobre as melhores opções de porta-enxertos e variedades que devem ser colocadas em função da cota (note-se a grande variação de comportamento se a plantação estiver junto ao rio Douro, ou cotas intermédias ou mais elevadas no cume da montanha). Adicionalmente, não tem havido controlo sobre o vigor vegetativo, nem equilíbrio entre a vegetação e a produção, aos quais se juntam os baixos níveis de produtividade, em muitos casos de média a baixa qualidade, como resultado da ausência de uma estratégia de fertilização e rega para as três diferentes condições de produção em Resende: cota baixa (região de maturação mais precoce) cota média (região de maturação na estação de comercialização da cereja) e cota alta (região de maturação tardia). Inclusivamente, a falta de especialização e inovação no processo produtivo tem gerado perdas produtivas significativas. Nos anos mais chuvosos tem-se perdido grande parte das produções por ataques da doença moniliose ou rachamento dos frutos devido à falta de coberturas para controlo do efeito das chuvas sobre as cerejeiras. Também nos últimos anos, com as alterações climáticas, tem havido perdas substanciais de frutos devido a ataques da mosca-da-cereja (Rhagoletis cerasi) e mosca-de-asa-manchada (Drosophila suzukii). Não havendo fitofármacos homologados, verifica-se a oportunidade de experimentar estratégias alternativas que se ajustem às condições específicas da região, seja a cobertura das plantas com redes adequadas, seja a captura massiva dos insetos.

Em suma, o problema e a simultânea oportunidade que a presente operação procura abordar pode ser sistematizada nos seguintes pontos:

- Criar condições que permitam qualificar a massa crítica dos produtores, a competitividade económica e a sustentabilidade da subfileira da Cereja em Resende, tendo em conta sobretudo a dimensão do concelho, a reduzida dimensão dos pomares de cereja e as necessidades de modernização e inovação ao nível das técnicas de produção;

- Promover a adoção de técnicas inovadoras de produção por parte dos microprodutores, facilitando o acesso à melhor tecnologia do setor, estimulando o acompanhamento das plantações ao longo do tempo recorrendo a boas práticas e tecnologias e incentivando o interesse em ensaios experimentais e respetivos resultados;

- Valorizar a produção de Cereja no concelho, cujo sucesso abre a oportunidade para estender a atividade a concelhos vizinhos e outras sub-regiões do Norte e Centro de Portugal, com a consequente contribuição para o combate à desertificação do território.    

Tendo como pressuposto o cenário descrito, o presente Grupo Operacional (GO) é constituído como resultado da aliança estratégica entre um conjunto de entidades relevantes para a qualificação e inovação da subfileira, com âmbito territorial no concelho de Resende. A parceria reúne um conjunto de 7 entidades, de âmbito e campo de ação diversos, das quais mais de metade são empresas e/ou empresários que integram o tecido produtivo da subfileira da Cereja em Resende. Considera-se que a inclusão de empresas no presente Grupo Operacional é aspeto crucial para o sucesso da operação, na medida em que são as empresas do setor que se constituem como principais motores de desenvolvimento económico e que mais diretamente poderão beneficiar do conhecimento gerado no GO e das inovações propostas a introduzir no processo produtivo.

São entidades envolvidas no Grupo Operacional as seguintes: - UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - com dezenas de anos de trabalhos em cerejeira e cereja, através de investigação realizada, conhecimento produzido por essa investigação pura e aplicada, experiência na gestão desses resultados, - MULTIPLOSFRUTOS - Empresa sediada em Resende que se assume como um dos maiores produtores de Cereja no concelho. Dispondo de extensas estruturas fundiárias e pomares consolidados, a empresa será um parceiro privilegiado para a experimentação de técnicas que se pretende mobilizar, - CERMOUROS - com um entreposto de comercialização quer em Portugal, quer no estrangeiro, a CERMOUROS agrega algumas centenas de produtores e aposta na valorização das produções, - DOLMEN - tendo desenvolvido um conhecimento técnico aprofundado na produção e aconselhamento técnico dos produtores, com uma Cooperativa especializada na promoção de produtos endógenos, a DOLMEN revela um trabalho aprofundado no apoio aos produtos da região do Tâmega, - Câmara Municipal de Resende - criou o Gabinete de Desenvolvimento Rural de Resende no qual aloca um técnico para apoiar tudo o que esteja ao seu alcance para a melhoria da subfileira da Cereja, assumindo o peso económico e social da produção no concelho, - Armindo Barbosa e Fernando Pinto - produtores e comercializadores individuais, líderes de opinião, que disponibilizam as suas plantações para o desenvolvimento de alguns trabalhos experimentais e assessorar, com a respetiva experiência, não só o planeamento e acompanhamento de todo o processo experimental, como também o trabalho de animação e comunicação junto da subfileira e grupos focais. Junta-se ao GO a MountainCherry, parceiro espanhol, internacional e grande produtor e comercializador. A empresa possui larga experiência em novas tecnologias de produção e variedades e revela profundo conhecimento da temática da cereja a nível global/mundial. A MountainCherry, aceitou assessorar a parte experimental, a execução do "Plano de demonstração e disseminação do conhecimento gerado" e, consequentemente acompanhar as diversas sessões públicas a realizar. De sublinhar também que o processo contará igualmente com a participação do especialista em entomologia, o consultor Howard Thistlewood, do Pacific Agri-Food Research Centre, Agriculture & Agri-Food Canada, Summerland, British Columbia, Canadá.

Este grupo de Entidades aceitou fazer parte de uma parceria que se possa constituir como um exemplo das boas práticas do que deve ser um grupo operacional, integração de interesses, saberes e experiências, trabalho em cooperação em prol de um desígnio maior e cumprimento dos objetivos traçados para o projeto, assumindo uma metodologia de reuniões que têm por base uma agenda prévia, respetiva análise e discussão, havendo lugar à construção de consensos. 1GPP. 2007. Diagnóstico Sectorial da Cereja. Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas.


Objetivos visados:

O Grupo Operacional para a valorização da produção da Cereja de Resende e para o posicionamento da subfileira nos mercados, tem como estratégia a promoção da competitividade e da inovação na subfileira de forma a garantir a sustentabilidade da produção e o aproveitamento da capacidade de antecipação temporal da oferta. Integra a presente estratégia, que incide exclusivamente em atividades de produção primária de Cereja, a capacitação para a melhoria de integração do produto nos mercados, ao prever o estímulo à introdução de inovações no processo produtivo, que se traduzam em maior eficiência na produção e resposta às exigências do mercado. A expansão e a exploração rentável desta cultura nesta região do Tâmega devem assentar em estudos integrados e interligados entre instituições de I&D públicas, empresas e produtores de forma a dar resposta aos seguintes objetivos específicos:

i) Caracterizar o funcionamento da subfileira da Cereja na região de Resende, desde a produção ao consumo, bem como identificar as combinações porta-enxerto x variedade com um maior impacto na qualidade e quantidade da produção de cereja na região;

ii) Estudar o comportamento fisiológico e produtivo das variedades de cerejeira mais representativas da produção de cereja em Resende;

iii) Conhecer a influência da aplicação de diferentes dotações e períodos de rega na capacidade produtiva e na qualidade da cereja, em pomares cobertos com rede e não cobertos;

iv) Avaliar a aplicação de nutrientes (fósforo, potássio, zinco, cálcio, boro e magnésio) na capacidade produtiva e na qualidade da cereja em pomares instalados a diferentes cotas;

v) Avaliar a eficácia de estruturas de suporte em rede como meio de proteção dos pomares à chuva (um dos aspetos que mais influencia o rachamento dos frutos) e à incidência de afídeos, mosca-da-cereja (Rhagoletis cerasi), mosca-de-asa-manchada (Drosophila suzukii), e monília (Monilia spp.) bem como a eficácia das técnicas de captura em massa dos agentes nocivos e de produtos fitofarmacêuticos;

vi) Estudar o efeito da aplicação pré-colheita de bioestimulantes (à base de algas marinhas)e reguladores de crescimento (ácido giberélico, GA3) na quantidade e qualidade da cereja produzida; vi) Disseminação e demonstração do conhecimento gerado no âmbito deste GO junto dos diferentes agentes da subfileira da Cereja de Resende.

Com base no extenso trabalho de investigação desenvolvido será elaborado, entre outros produtos de divulgação, um Manual técnico com a descrição e caracterização dos porta-enxertos e variedades mais produtivas e capazes de produzir frutos de qualidade mais elevada, as melhores práticas de produção, colheita e controlo de pragas e doenças, a publicar no final deste projeto. De um modo geral, com a execução do plano de ação deste projeto pretende-se transferir e implementar técnicas modernas de produção, nomeadamente na plantação de novos pomares e na reconversão dos pomares existentes, utilizando tecnologias de produção melhor adaptadas ao mercado, sendo esse um passo crucial para a garantia de qualidade, eficiência logística e aumento da valorização comercial deste fruto, respondendo claramente às exigências dos mercados internos e de exportação. Pretende-se, igualmente, com este GO, caracterizar globalmente a qualidade da cereja produzida na região de Resende, tornando-a um produto diferenciado relativamente a outras zonas produtoras, contribuindo assim para a sua valorização nos mercados nacional e internacional. Espera-se que este GO se afirme como um projeto integrado de qualificação da subfileira da Cereja de Resende a médio/longo prazo, e inscrito nas prioridades do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), com parceiros estratégicos na investigação, na extensão rural e ao nível da produção.


Sumário do plano de ação:

A produção de cereja no concelho de Resende (responsável por aproximadamente 30% da produção de cereja da Região Norte de Portugal), tem um forte impacto na economia local, contribuindo de forma decisiva para a valorização da região. Apesar de ser uma cultura com elevado potencial de crescimento, assente, sobretudo, na antecipação temporal da oferta face à proveniente de outras regiões, a falta de conhecimento dos produtores nomeadamente quanto às necessidades nutritivas, hídricas e fitossanitárias dos pomares aliada à fraca organização da fileira na região coloca graves entraves à expansão desta cultura.

Neste contexto, o plano de ação proposto pretende contribuir de forma concertada para a definição de um modelo de produção que tire partido das caraterísticas edafo-climáticas da região de Resende e que permita maximizar a produção e qualidade da cereja à colheita, tornando-a mais competitiva, de forma posicionar em definitivo a Cereja de Resende em novos mercados.


Pontos de situação / Resultados:

No próximo dia 20 de março será apresentado, em Resende (Auditório Municipal, pelas 10h), o Grupo operacional para a valorização da produção da Cereja de Resende e posicionamento da sub-fileira nos mercados.