Inovação para a Agricultura

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Go BovMais - Melhoria da produtividade da fileira dos bovinos de carne

Entidade líder do projeto: INSTITUTO NACIONAL DE INVESTIGAÇÃO AGRÁRIA E VETERINÁRIA IP
Responsável pelo projeto: Nuno Carolino (nuno.carolino@iniav.pt)
Área do plano de ação: Bovinicultura
Parceiros:

ACBM ASSOC DE CRIADORES DE BOVINOS MERTOLENGOS; ASSOCIACAO DOS CRIADORES DE BOVINOS DA RACA ALENTEJANA; HERDADE DA VINHA DA ZAMBUJEIRA E CAEIRINHA - SOCIEDADE AGRO-PECUARIA LDA; JORGE RODRIGO NUNES DE VASCONCELOS DE LANCASTRE BOBONE; RUI JOSE CORDOVIL FERNANDES CARDOSO; RURALBIT LDA; SATEG - SOCIEDADE AGRÍCOLA TELLO GONÇALVES, LDA; SOCIEDADE AGRICOLA DE SEGOVIA LDA; UNIVERSIDADE DE ÉVORA; Z E A - SOCIEDADE AGRICOLA UNIPESSOAL, LDA


Prioridade do FEADER: P4) Restaurar, preservar e melhorar os ecossistemas ligados à agricultura e à silvicultura;
Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:

Portugal é claramente deficitário na produção de carne de bovino, com um grau de auto-aprovisionamento de 47,5% em 2014. Apesar do efetivo nacional de bovinos de carne ter aumentado nos últimos anos, particularmente no Alentejo, houve uma redução do volume de produção, que em 2014 se situava abaixo das 80 mil toneladas de carne. Esta redução deve-se principalmente à diminuição do nível de abate nas categorias de animais (vitelos, novilhos, novilhas, vacas) e à redução do peso médio dos animais ao abate. No que diz respeito aos bovinos de carne o défice da balança comercial foi superior a 350 M€ em 2014, não obstante a exportação de animais vivos, sobretudo vitelos, para Espanha. Os níveis de produtividade dos bovinos de carne em Portugal são reduzidos, abaixo do potencial produtivo normal da espécie, sobretudo por gestão inadequada dos efetivos, em parte devido à escassez de informação de natureza técnico-produtiva e económica dos produtores. Daí resultam os baixos índices de eficiência alimentar, os reduzidos valores de fertilidade aparente (475 dias), claramente inadequados para fazer face aos novos desafios que se colocam no sector, nomeadamente no que se refere ao novo regime de apoio às vacas em aleitamento, que passou a exigir a ocorrência de parto pelo menos uma vez em cada período de 18 meses. A produção de bovinos de carne, representada no Continente em cerca de 25000 explorações, é essencial para a agricultura Portuguesa, mas a rentabilidade das explorações e o aumento da produção terá de passar obrigatoriamente pela aplicação de métodos e instrumentos de gestão técnico-produtiva e económica mais eficientes, que resultem objetivamente em aumentos da produtividade, redução dos custos de produção unitários e sustentabilidade agro-ecológica dos sistemas produtivos. Neste contexto, o Go BovMais propõe-se contribuir para a melhoria da produtividade e competitividade dos bovinos de carne em Portugal.


Objetivos visados:

Esta parceria visa atingir 5 Objetivos principais perfeitamente integrados no âmbito da fileira dos bovinos de carne que, ao serem atingidos através de 5 Ações fundamentais, propiciarão o desenvolvimento de novos processos, tecnologias e produtos. Estes novos processos tecnologias e produtos contribuirão incontestavelmente para a obtenção de novos conhecimentos e práticas ao nível do sector produtivo e, consequentemente para a melhoria da eficiência bioeconómica da produção de carne de bovino, com reflexo na rentabilidade das explorações agropecuárias, no mundo rural e na economia Portuguesa.

Objetivo/Ação A – Planos de Alimentação Construir e disponibilizar informação sobre planos alimentares/suplementação adequados às necessidades do efetivo bovino explorado em sistemas extensivos. Não sendo prática corrente a utilização de dados sobre a quantidade e a qualidade de pastagem disponíveis e parâmetros das vacas, para o cálculo das necessidades de suplementação, pretende-se demonstrar como, com a utilização de uma folha de cálculo simples, a desenvolver pela equipa do projeto, se pode racionalizar, em termos biológicos e económicos, o maneio alimentar da vacada. Pretende-se elaborar manuais com orientações sobre aspetos alimentares pouco conhecidos ou aplicados pelos agricultores e será desenvolvida uma área na página web do Grupo Operacional, onde o produtor poderá preencher os dados do seu efetivo assim como as suas disponibilidades em pastagens e alimentos forrageiros, em função dos quais o sistema fará uma previsão de disponibilidade alimentar para o ano em causa, alertando sobre a necessidade ou não de suplementação e, no caso de esta ser necessária, aconselhando sobre o tipo, época e a quantidade de suplemento a fornecer.

Objetivo/Ação B – Planos Reprodutivos Melhorar a eficiência reprodutiva através da correta identificação do problema em cada momento e da disponibilização de orientações técnicas inovadoras e processos eficazes para:

- Redução do intervalo entre partos, identificação e quantificação do efeito do balanço energético negativo e outros fatores que afetam a duração do anestro pós-parto aliada à elaboração de práticas simples e eficazes para a sua redução;

- Controlo do desenvolvimento corporal das novilhas e implementação de medidas que permitam antecipar a idade ao primeiro parto e maximizar a longevidade produtiva; 

- Avaliação/seleção do touro reprodutor com aplicação de metodologias objetivas de avaliação de sémen e avaliação reprodutiva da fêmea; Identificação/tratamento de animais problema.

Objetivo/Ação C – Consumo Alimentar Residual (CAR) - Determinar a eficiência biológica e alimentar de bovinos machos de raça Mertolenga e Alentejana a partir da medição da Ingestão Alimentar Residual (CAR). Avaliar o possível impacto da determinação da CAR na eficiência alimentar e biológica da produção de carne de bovino em extensivo. Disponibilizar informações aos empresários agrícolas sobre as vantagens económicas da aplicação deste novo parâmetro na seleção dos seus reprodutores e na gestão de explorações de bovinos.

Objetivo/Ação D – Pesos Económicos e Índices de Seleção

D1. Determinar os pesos económicos de diversos caracteres com destaque para o intervalo entre partos, a vida útil de fêmeas e de machos, a taxa de mortalidade dos bezerros, o peso ao desmame, a duração do acabamento, o peso médio da carcaça de vitelos, vitelões e novilhos e o rendimento de carcaça. O peso económico de um caracter representa a alteração da margem bruta ou do lucro de uma atividade, quando esse caracter varia uma unidade; o objetivo é de, através dos dados técnicos recolhidos pelas associações, de informação económica a recolher e de modelos bioeconómicos já estudados, tratar toda essa informação para disponibilização e aplicação nas explorações produtoras de bovinos;

D2. Criar índices de seleção com base nos pesos económicos referidos no objetivo anterior, em que cada valor genético será devidamente ponderado tendo em consideração a sua importância económica. Com a introdução desta tecnologia os produtores poderão escolher para reprodutores os animais que perspetivem a obtenção de melhores resultados, conciliando as características de natureza fenotípica e genética com os benefícios de natureza económica ao nível das explorações agrícolas.

D3. Paralelamente serão determinados indicadores e resultados técnico-económicos e funções de produção dos principais sistemas de produção atualmente praticados na exploração daquelas raças bovinas em Portugal, porque o processo de estimativa dos pesos económicos tem por suporte principal a avaliação técnico-económica de uma amostra de explorações agrícolas detentoras de efetivo pecuários das raças Alentejana ou Mertolenga.

D4. No final desta candidatura pretende-se disponibilizar novos conhecimentos ao nível do sector produtivo que permitirão aos Criadores obter novos produtos animais contribuindo para a melhoria da sua capacidade produtiva e para a sua valorização.

Objetivo/Ação E – Modelos de Crescimento Está estudado (e aplicado) por elementos da equipa responsável por este Objetivo um modelo de crescimento que incorpora os efeitos da variabilidade ambiental. É um modelo misto de equação diferencial estocástica com parâmetros que são variáveis aleatórias dependentes do indivíduo. Vai-se agora melhorar esse modelo incorporando a dependência dos parâmetros nas estimativas conhecidas dos valores genéticos do indivíduo, de forma a explicar parte da variação desses parâmetros e assim melhorar a margem de erro das previsões, que poderão agora ser feitas de forma individualizada. O modelo desenvolvido suportará uma ferramenta de apoio à decisão em criação e engorda de machos que será disponibilizada on-line aos produtores. Essa ferramenta permitirá, usando custos de produção e preços de venda no mercado proporcionados pelo Objetivo D, a previsão individual do peso futuro, da idade ótima de abate e do lucro associado, em função do peso atual do animal e dos valores genéticos, tornando-a mais precisa e individualizada, com a consequente melhoria dos lucros.


Sumário do plano de ação:

A parceria a desenvolver, constituída por 11 entidades, irá contribuir objetivamente para o aumento da produtividade do sector dos bovinos de carne em Portugal. O plano de ação inclui 5 ações e objetivos distintos, embora estreitamente interligados que, de forma concertada, pretendem incrementar a produção de carne de bovino, através do aumento da eficiência bioeconómica e, desta forma, colaborar para a melhoria da rentabilidade das explorações agropecuárias, para a redução das importações de carne e de matérias-primas para alimentação animal.

O Go BovMais tem a possibilidade de tirar partido do trabalho já desenvolvido pelos vários parceiros, bem como dos meios e estruturas disponíveis em Portugal, para que de uma forma eficaz resolva problemas concretos, amplamente reconhecidos no sector agroalimentar nacional. O desenvolvimento de novos processos e tecnologias e a sua divulgação, permitirão obter novos conhecimentos e melhores resultados a todos os interessados. As particularidades da fileira dos bovinos de carne em Portugal fazem esta iniciativa uma excelente oportunidade para o sectores agrícola e agroalimentar e, indiretamente, florestal.


Pontos de situação / Resultados:

Em início de atividade.