Inovação para a Agricultura

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SubProMais - Utilização de subprodutos da agroindústria na alimentação animal

Entidade líder do projeto: INSTITUTO NACIONAL DE INVESTIGAÇÃO AGRÁRIA E VETERINÁRIA IP
Responsável pelo projeto: Teresa Dentinho (teresa.dentinho@iniav.pt)
Site do projeto: http://www.subpromais.pt/
Área do plano de ação: Outra produção animal
Parceiros:

CARLOS & HELDER ALVES AGRO PECUARIA LDA; CENTRO DE BIOTECNOLOGIA AGRÍCOLA E AGRO ALIMENTAR DO ALENTEJO; RACOES ZEZERE S.A.; RURALBIT LDA; TAGUSVALLEY - ASS. PROMOÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO TÉCNOPOLO VALE DO TEJO  


Prioridade do FEADER: P5C) facilitação do fornecimento e utilização de fontes de energia renováveis, de subprodutos, resíduos e desperdícios e de outras matérias-primas não alimentares para promover a bioeconomia;
Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:

A produção animal tem um peso da ordem de 40% no produto agrícola bruto de Portugal (Estatísticas Agrícolas- INE, 2015). A rentabilidade das explorações nos vários sectores da atividade pecuária depende depende, em grande medida, dos custos com a alimentação dos animais que, frequentemente são o principal fator de custo das empresas. A indústria de alimentos compostos para animais consome anualmente grandes quantidades de matérias-primas importadas, nomeadamente de cereais e de bagaços de oleaginosas (bagaço de soja). A elevada dependência dos mercados estrangeiros, a grande flutuação de preços e a variabilidade na composição das matérias-primas são condicionalismos com que a indústria se debate constantemente.

Por outro lado as políticas mundiais têm incentivado o uso de recursos alternativos na alimentação animal, nomeadamente a utilização de subprodutos da agroindústria, como forma de promover não só a sustentabilidade económica das empresas mas principalmente a sustentabilidade ambiental da produção animal a nível regional, nacional e transnacional. A agroindústria portuguesa é geradora de diversos subprodutos passíveis de serem utilizados na alimentação de espécies pecuárias ou de outras espécies animais como cavalos e animais de companhia, p.ex. A sua valorização em produto animal é já feita, em algumas situações. Contudo, por falta de informação disponível estes subprodutos estão subaproveitados ou são integrados nas dietas animais de uma forma empírica, nem sempre conduzindo aos melhores resultados. Também por serem produtos que normalmente contêm elevada humidade são altamente perecíveis e não podem ser utilizados nas indústrias de alimentos compostos sem serem previamente desidratados.

Para uma maior e melhor utilização destes subprodutos é assim necessário disponibilizar informação sobre a sua composição química e valor nutritivo, método de conservação e transformação de forma a permitir a sua utilização fora de época de produção, quer pelos produtores de animais nas suas explorações pecuárias, quer pelos industriais de alimentos compostos e é necessário dispor de informação sobre qual o impacto da sua utilização na produtividade e qualidade dos produtos animais.

Com os resultados obtidos pretendemos contribuir para:

- Diminuir o custo da alimentação animal e consequentemente melhorar a rentabilidade das explorações pecuárias;

- Substituir matérias-primas importadas, de elevados preços e que prioritariamente devem ser canalizadas para a alimentação humana (caso dos cereais);

- Manter ou melhorar a qualidade do produto final;

- Reciclar materiais altamente poluentes;

- Aumentar o rendimento das empresas geradoras destes produtos através da sua valorização e redução dos custos associados com a sua eliminação.


Objetivos visados:

Este GO tem como objetivo final utilizar os subprodutos agroindustriais produzidos nas regiões do Ribatejo e do Alentejo na alimentação animal como fontes alternativas aos alimentos convencionais (cereais e bagaços de oleaginosas).

Assim, são objetivos específicos do presente Grupo Operacional:

1) Fazer o levantamento dos subprodutos agroindustriais produzidos em Portugal nas regiões do Ribatejo e do Alentejo, quanto ao local de produção, às quantidades disponíveis e às épocas de produção;

2) Caracterizá-los química e nutritivamente;

3) Encontrar métodos e procedimentos de conservação e transformação adequados para que estes novos alimentos possam ser utilizados fora das suas épocas de produção, tanto pelos industriais de alimentos compostos como diretamente pelos produtores pecuários;

4) Obter indicadores técnicos e económicos para as várias estratégias nutricionais desenvolvidas;

5) Disponibilizar toda a informação adquirida de uma forma fácil para que possa ser utilizada pelo sector pecuário e pelo público em geral.


Sumário do plano de ação:

A agroindústria portuguesa é geradora de diversos subprodutos passíveis de serem utilizados na alimentação de espécies pecuárias ou de outras espécies animais. Para integrar estes subprodutos na dieta animal de forma equilibrada é necessário que haja informação disponível.

Pretendemos com este projeto avaliar os subprodutos agroindustriais disponíveis na região do Alentejo e Ribatejo, dar a conhecer as quantidades produzidas, as épocas e local de produção, a composição química e nutritiva e os métodos de conservação e transformação de forma a poderem ser utilizados pelos produtores de animais nas suas explorações pecuárias e pelas industriais de alimentos compostos.


Pontos de situação / Resultados:

Continuação da Tarefa I - No ano de 2020 a Base de Dados de alimentos para animais continuou a ser alimentada. Recolheram-se novas amostras de subprodutos das agro-indústrias que têm estado a ser analisadas e integradas na base de dados. Pensamos disponibilizar a base de dados ao público antes do final do ano de 2020.

FASE II - 
Tarefa 2.1 - Tagus Valley/ INIAV/ CEBAL
- Definir processo de desidratação de subprodutos- Alteração da composição química e nutritiva provocada pela desidratação.
Esta tarefa teve como objectivo identificar e testar condições de desidratação para diversos subprodutos agro-industriais, pelo processo convencional de secagem em estufa com circulação de ar, e posterior caracterização físico-química e nutricional de forma a serem utilizados em alimentação animal. 
A Tarefa foi realizada tendo sido testadas as condições de desidratação para os subprodutos da batata-doce, batata, cenoura, repiso de tomate e para os subprodutos da extracção de polpa de maçã, pera e laranja.
Os subprodutos foram caracterizados química e nutritivamente em fresco e desidratados.  

Tarefa 2.2 - INIAV/ CEBAL 
- Silagem- Conservação em silos experimentais 
A caracterização química e nutritiva das silagens realizadas em silos experimentais durante o ano de 2019 foi concluída.

FASE III - 
Tarefa 3.2- Ensaios em borregos em crescimento –Ensaio em Curso
Para a realização deste ensaio fizeram-se em Setembro de 2020 três silagens à base de repiso de tomate (35%), sêmea de trigo (20%) e feno (15%) que foram adicionados a 1) 30% batata-doce; 2) 30% de batata e 3) 30% de cenoura. Estas silagens foram formuladas de forma a conter 40% de matéria seca e 14% de proteína. 
Neste ensaio pretende-se comparar dietas em que as silagens de subprodutos entrarão em 50% da matéria seca total da dieta, com a dieta tradicional à base alimentos concentrados. 
Prevemos iniciar o ensaio de produção logo que os animais (borregos ao desmame) estejam disponíveis.

Difusão de resultados durante o ano de 2020 
O site do projecto tem sido actualizado, dando conhecimento das actividades desenvolvidas e da documentação produzida. Pode ser verificado no seguinte endereço: http://www.subpromais.pt/ 

Participação em congressos
Foram submetidos e aceites para apresentação na 71st Annual Meeting of European Federation of Animal Science os seguintes trabalhos:

- Fruit by-products in Animal Feed: Chemical composition and nutritional value. L. Cachucho, K. Paulos, C. Costa, D. Soldado, L. Fialho, O. Guerreiro,J. Santos-Silva, M. T. Dentinho, E. Jerónimo

- Evaluation of the nutritional value of silages based on agro-industrial by-products. K. Paulos ; C. Costa ; J.M.S. Costa ;  L. Cachucho ;  P.V. Portugal ; L. C. Roseiro ; E. Jerónimo ; M. T. P. Dentinho

- Chemical composition and nutritional value of almond hulls (Prunus dulcis). C. Costa, K. Paulos, J.M.S. Costa, L. Cachucho, O.C. Moreira, P.V. Portugal, L.C. Roseiro E Jerónimo; M.T.P. Dentinho

Esta reunião deveria ter ocorrido no Porto, de 31 Agosto a 4 de Setembro, mas foi cancelada devido à pandemia COVID-19 e irá ser realizada de forma virtual de 1 a 4 de Dezembro.

Publicação em revista nacional
- Dentinho M. T. P., Paulos K, Costa C., Cachucho L., Moreira O., M. Alves, Costa J., Santos-Silva J.,2, Jerónimo E. Repiso de tomate na alimentação animal. (Aceite para publicação na Voz do Campo)