Inovação para a Agricultura

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ValorCast

Entidade líder do projeto: REFCAST - ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DA CASTANHA
Responsável pelo projeto: RerCast
Área do plano de ação: Cultura de frutos de casca rija/frutos secos
Parceiros:

AGROMONTENEGRO, LDA; AGUIAR FLORESTA -ASSOCIAÇÃO FLORESTAL E AMBIENTAL DE VILA POUCA D AGUIAR; ARATM - ASSOCIAÇÃO REGIONAL DOS AGRICULTORES DAS TERRAS DE MONTENEGRO; COOPERATIVA AGRICOLA DE PENELA DA BEIRA CRL; ESPAÇO VISUAL - CONSULTORES DE ENGENHARIA AGRONÓMICA LDA; GEOSIL-EMPREENDIMENTOS AGROSILVICOLAS S.A.; INSTITUTO POLITECNICO DE BRAGANÇA; INSTITUTO POLITECNICO DE VISEU; SORTEGEL-PRODUTOS CONGELADOS S.A; UNIVERSIDADE DE TRÁS OS MONTES E ALTO DOURO; UNIVERSIDADE DO PORTO


Prioridade do FEADER: P2A) melhoria do desempenho económico de todas as explorações agrícolas e facilitação da restruturação e modernização das explorações agrícolas, tendo em vista nomeadamente aumentar a participação no mercado e a orientação para esse mesmo mercado, assim como a diversificação agrícola;
Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:

Portugal é um dos principais produtores europeus e mundiais de castanha com cerca de 45.000 t/ano (segundo estimativas da RefCast). Tipicamente, a maioria da castanha portuguesa é vendida a empresas de comercialização de média e grande dimensão, onde é submetida a um processo de limpeza, desinfeção e calibração, preparando-a para ser comercializada para o consumo em fresco.Portugal é um dos principais produtores europeus e mundiais de castanha com cerca de 45.000 t/ano (segundo estimativas da RefCast). Tipicamente, a maioria da castanha portuguesa é vendida a empresas de comercialização de média e grande dimensão, onde é submetida a um processo de limpeza, desinfeção e calibração, preparando-a para ser comercializada para o consumo em fresco. Em Portugal, a colheita desta castanha é feita maioritariamente de forma manual em todas as regiões produtoras. Tem-se observado, ao longo do tempo, que com o envelhecimento da população rural e o crescendo êxodo dos mais jovens para outras regiões e com outras ocupações laborais, a mão-de-obra escasseia ano após ano e a colheita mecanizada será cada vez mais a solução deste problema. No contexto atual, os equipamentos existentes demonstram insuficiência de rendimento ao operar em dias com elevada humidade e/ou com pouca pluviosidade (ficam inoperacionais por concentração das folhas e ouriços que provocam o entupimento do sistema), impossibilitando mesmo o seu uso. Temos assistido à entrega de castanha, colhida mecanicamente, com muita pedra, pequenos pedaços de ramos e outros inertes que só depreciam o valor da castanha e, consequentemente, o seu valor por kg, levando ao abandono destes equipamentos por parte dos proprietários. Assim, é importante desenvolver estes equipamentos de colheita e otimizar linhas de limpeza para que a castanha não perca valor nesta fase do comércio da castanha e se consiga resolver a ameaça da falta de mão-de-obra.Infelizmente, ano após ano, a percentagem de castanhas com bichado à entrada destas unidades é elevada, criando aqui um grande problema aos operadores do mercado na preparação da castanha quer para o mercado nacional, quer internacional. No período pós-colheita até à chegada ao consumidor final, surgem problemas adicionais, como o aparecimento de podridões e a perda de água das castanhas, causando grandes prejuízos económicos. Estes problemas afetam a qualidade e a conservação dos frutos, limitando temporalmente a disponibilização de castanha para o mercado em fresco. Existe atualmente procura de castanha por parte do comércio retalhista, durante um período mais alargado de tempo que o setor não consegue satisfazer devido à perecibilidade da castanha.durante um período mais alargado de tempo que o setor não consegue satisfazer devido à perecibilidade da castanha.A maioria da castanha portuguesa, graças à sua qualidade, tem uma grande procura para o mercado em fresco, destinando-se apenas cerca de 10.000 t/ano para transformação. Em Portugal, a transformação da castanha resume-se ao seu descasque e congelação, preparando-a para ser comercializada em pequena escala (1.000 t/ano) no mercado nacional e que se destina sobretudo para utilização direta na alimentação. No entanto, a maior parte da castanha congelada é exportada como matéria-prima para as indústrias transformadoras existentes em França, Itália e Espanha. Em Portugal, apenas uma ínfima quota é usada neste tipo de transformação por microempresas de cariz familiar. Nota-se, contudo, o interesse crescente de novos investidores em valorizar a castanha, quase sempre com uma perspetiva de inovar de modo a ir ao encontro de nichos de mercado diversificados, criando-se assim novas oportunidades de negócio, embora condicionadas pela limitação no fornecimento de alguma matéria-prima, em termos de quantidade representativa, tanto em fresco como transformada, como é o caso da farinha de castanha.O consumo de castanha em Portugal é bastante sazonal, estando normalmente associado ao frio e ao mês de novembro, particularmente à quadra de S. Martinho. Contudo, hoje é possível conservar castanha em fresco durante cerca de 6-8 meses, o que poderá permitir o alargamento da janela de consumo deste fruto com assinalável valor nutricional. Para além disso, é bastante importante continuar a apostar na conservação deste fruto, após a colheita, utilizando novas metodologias de conservação e processos alternativos aos já existentes, à semelhança do que se faz noutros frutos, como é o caso da irradiação, das atmosferas modificadas e das embalagens inteligentes. De realçar que, por vezes, o facto de existirem determinados anos em que não se consegue escoar a totalidade da produção, havendo excedentes, e de alguns frutos terem um calibre pequeno, com acentuada desvalorização para o consumo em fresco, leva à necessidade de se encontrarem alternativas para a utilização da castanha, nomeadamente a sua transformação numa primeira linha, cujos produtos resultantes poderão entrar noutros circuitos de valor.


Objetivos visados:

Com as ações previstas no ValorCast pretende-se alcançar três grandes objetivos:

1- Melhorar o processo de colheita mecânica da castanha;

2- Melhorar a preservação da qualidade da castanha entre a colheita e o consumidor, nomeadamente:(a) desenvolver um método novo de desinfestação em alternativa ao atual (choque térmico) que é inadequado às exigências comerciais atuais e avaliar o seu efeito na qualidade da castanha;(b) desenvolver protocolo que permita um controlo fúngico eficiente durante a fase de armazenamento na receção de frutos e sua conservação e na câmara frigorífica, que permitam prolongar o seu prazo de comercialização e consumo;(c) encontrar forma de minimizar as perdas de água da castanha.

3- Promover outras formas de apresentação da castanha para o consumo em espécie, nomeadamente na forma de farinha, permitindo o aparecimento em maior escala no mercado de outros produtos transformados derivados destes, como é o caso do pão, das bolachas, da cerveja, etc., e também a criação de novos produtos inovadores, como a castanha liofilizada e/ou a castanha macia com e sem Salicórnia (sal verde).


Sumário do plano de ação:

A maioria da castanha portuguesa tem como destino o mercado nacional e internacional do fresco. Em termos médios, a castanha chega aos operadores com cerca de 15 a 30% de castanha bichada, dependendo das condições climáticas do ano e do maneio do souto. Esta perda pode representar cerca de 10 000 t de castanha (cerca de 15 M €), no total de cerca de 30 000 t processadas, que terão de ser desviadas de imediato para refugo. Esta elevada percentagem, além de causar prejuízos significativos, levanta sérios problemas no processamento da castanha visando a sua colocação no mercado. A recente proibição da utilização na Europa do brometo de metilo para a desinfestação da castanha, veio criar novas dificuldades aos operadores, que ainda não estão completamente solucionadas. O método atualmente mais usado é a imersão de castanha em água quente (choque térmico). Este processo tem criado dificuldades de conservação da castanha nos processos de exportação de longo curso. Outras soluções foram já tentadas com algum sucesso quanto ao efetivo controlo da praga, como a irradiação e a pressurização. Contudo apresentam limitações à sua execução quanto aos custos envolvidos e à capacidade de processamento de grandes quantidades de castanha. Assim, outras possibilidades deverão ser consideradas. Ainda no armazém, existem ainda podridões da castanha, provocadas por fungos, normalmente não tratadas e que encurtam o tempo de vida da castanha. Este problema é um óbice ao prolongamento no tempo da oferta de castanha de qualidade, conforme as necessidades do mercado o exigem atualmente. Outro problema que se coloca ao setor, é a redução de peso que as castanhas sofrem devido à perda de água e, consequentemente, causando a sua depreciação. Este problema é transversal a toda a cadeia de processamento da castanha para o mercado em fresco. Durante uma campanha, os operadores estimam em cerca de 10% a perda de peso das castanhas, só referente ao tempo entre a recepção na unidade e a venda para o mercado retalhista, representando cerca de 3 000 t, isto é, cerca de 4,5 M €. As unidades de processamento debatem-se ainda com o aparecimento muito frequente de podridões nas castanhas, provocadas por fungos, que podem levar à destruição completa do lote de castanha. Por outro lado, este é um dos maiores entraves ao prolongamento do tempo de vida da castanha. Estes problemas acabados de descrever, acrescidos das flutuações anuais na produção de castanha e da procura externa, têm provocado subidas bastante acentuadas no seu preço, levando a um abrandamento do consumo nacional. Para além disto, acresce ainda o facto da castanha não ser cuidadosamente tratada pelos operadores comerciais, pois é normalmente tratada como fruto seco, quando efetivamente não o é. Trata-se de um fruto semi-perecível, que necessita de ser bem conservado e manipulado para não se colocar em risco a sua qualidade e segurança alimentar. Por outro lado, no que respeita ao consumo de castanha, verifica-se que este está muito concentrado num curto período de tempo, entre meados de outubro e finais de novembro, e estreitamente ligado ao consumo tradicional de castanha, assada e/ou cozida, abrindo-se aqui novas oportunidades, como por exemplo a castanha fumada, um produto tradicional italiano. Recentemente, existe uma grande procura do sector agro-industrial por produtos isentos de glutén, para suprir necessidades alimentares especificas, para além de se desenvolverem produtos nutricionalmente enriquecidos. A castanha é um fruto rico em importantes elementos minerais (como é o caso do selénio), vitaminas (nomeadamente vitamina C), hidratos de carbono (sendo na sua maioria amido, e este bastante resistente à digestão, comportando-se como uma fibra), sem glutén, com baixo teor de gordura e isenta de colesterol (Food. Chem. 140, 666; Food Chem Tox. 50, 2311; Food Chem.106, 976; J. of Food Comp. Anal. 20, 80). Relativamente à sua aptidão tecnológica, é de realçar a capacidade de se comportar como um alimento farináceo, podendo complementar as farinhas de cereais, o que poderá permitir uma redução na importação destes produtos dos quais o nosso país é muito dependente, contribuindo deste modo para um equilíbrio na balança comercial. Assim, é de salientar que, apesar de começar a existir já alguma 1ª transformação da castanha, nomeadamente em termos de produção de farinha de castanha, a qual poderá ser utilizada para incorporar outros produtos, esta encontra-se ainda muito pouco desenvolvida e com reduzida dimensão, sendo a quantidade produzida insuficiente para a sua utilização a nível industrial, apesar de existir alguma produção e comercialização, como é exemplo o projeto “sweet castanea”. Este facto foi constatado aquando da realização de vários trabalhos de investigação para a criação de novos produtos a partir deste resultante da 1ª transformação (Silva, 2005, Trab. Final Curso. ESAV; Carreira, 2007, 162-167, ISBN 978-960-88557-3; Fontinha, Millenium, 38, 67) nas empresas Dancake e Fábrica do Pão, os quais foram positivamente apreciados pelos painéis de consumidores, verificando-se porém uma grande limitação na aquisição da farinha em quantidade suficiente para a produção desses produtos desenvolvidos. Com efeito, para além de não se encontrar disponível, mesmo nas grandes superfícies, também quando se pesquisa o que já foi investigado em termos de produção e caracterização da farinha de castanha, que se torna a base para o desenvolvimento de novos produtos alimentares (capazes de criar mais valor), esta é bastante limitada em termos tecnológicos, tendo sido encontradas poucas referências nacionais (J. Food Eng., 90, 325; Food & Biop. Proc., 90, 284), ao contrário de outros países como a Itália, Turquia, Espanha (Galiza) que já apresentam trabalhos bastante interessantes a este respeito (LWT- Food Sc. Tech.70, 88; Food Hydroc. 51, 76; Sc. Hort. 192, 132; Sc. Hort. 176, 331; J. Food Eng. 101, 329). Assim, torna-se importante o desenvolvimento de tecnologia para a obtenção industrial de farinha de castanha, com base em trabalhos experimentais sobre as melhores vias para a obter, tanto em termos tecnológicos como funcionais, tendo sempre como meta a utilização desta farinha para usos industriais. Para além do aspeto da produção de farinha de castanha, é importante estudar e testar também algumas técnicas de conservação da castanha, de modo a alargar o tempo de vida útil e, consequentemente, o período para a sua comercialização, levando a benefícios económicos bastante evidentes. Apesar de existirem algumas técnicas de conservação da castanha que já se encontram bastante desenvolvidas, nomeadamente a nível industrial, como é o caso da congelação da castanha, importa estudar e avaliar o impacto de outras técnicas que já existem para conservar outros frutos e produtos alimentares, como é o caso da secagem, dos revestimentos, películas, filmes, atmosferas modificadas e embalagens alternativas. A nível nacional encontram-se poucos trabalhos publicados a este respeito (Nogueira, 2008, Acta Hort 784, 65). No entanto, a nível internacional existem algumas metodologias de conservação já testadas com bastante êxito (Food Microb. 42, 47; Food Chem. Toxic. 50, 3334; Food Chem. Toxic. 49, 1918; Postharv. Biol. Techn. 98, 65; Postharv. Biol. Techn. 56, 95; Postharv. Biol. Techn. 61, 131; J. Food. Comp. Anal. 23, 23; Ital. J. Food Sci. 26, 74; Int. J. Agric. Biol. Eng. 8, 106; J. Food Proc. Presev. 34, 609). De realçar também a possibilidade de se utilizar a castanha na produção de produtos novos e inovadores, requerendo alguma pesquisa e investigação, como é o caso de iogurtes, entre outros.


Pontos de situação / Resultados:

Em início de atividade.