Inovação para a Agricultura

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REGACORK - Rega de precisão de sobreiros em modo de produção intensiva de cortiça

Entidade líder do projeto: UNIVERSIDADE DE ÉVORA
Responsável pelo projeto: Universidade Évora
Site do projeto: https://www.goregacork.uevora.pt/
Área do plano de ação: Cortiça
Parceiros:

AMORIM FLORESTAL, SA; CASA AGRÍCOLA DA HERDADE DO CONQUEIRO S.A.; COMPANHIA AGRICOLA DA APARICA SA; COMPANHIA AGRICOLA DAS POLVOROSAS, S.A.; FRUTICOR - SOCIEDADE AGRICOLA DE FRUTAS E CORTICAS S.A.; HERDADE DO PINHEIRO, S.A.; HERDADE MACHOQUEIRA DO GROU CRL; INSTITUTO DA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E DAS FLORESTAS, I.P ; INSTITUTO NACIONAL DE INVESTIGAÇÃO AGRÁRIA E VETERINÁRIA IP; SOCIEDADE AGRICOLA DE CORTICAS FLOCOR SA; UNAC - UNIÃO DA FLORESTA MEDITERRÂNICA; UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA; Z E A - SOCIEDADE AGRICOLA UNIPESSOAL, LDA


Prioridade do FEADER: P5E) promoção da conservação e do sequestro de carbono na agricultura e na silvicultura;
Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:

A produção mundial de cortiça tem vindo a diminuir em quantidade e qualidade com inerente impacto económico. Este facto deve-se à perda de vitalidade dos sobreiros (Quercus suber) ao longo das últimas décadas atribuída a más práticas de gestão, maior ocorrência de agentes bióticos nocivos, alterações climáticas, entre outros. A preservação do sobreiro e do ecossistema Montado é imprescindível para que possamos continuar a usufruir não só da cortiça produzida mas também de um património valioso para as populações da Bacia Mediterrânica. A rentabilidade da exploração de cortiça está diretamente relacionada não só com a quantidade produzida mas, também, com a sua qualidade.

A qualidade da cortiça, definida como a sua adequação tecnológica aos produtos a que se destina, constitui um fator determinante da rentabilidade de todo o sector económico ligado a esta matéria-prima sendo um dos objetivos principais dos produtores e industriais. Como referido, a produção mundial de cortiça tem vindo a diminuir, estimando-se atualmente uma produção de 220 mil toneladas de cortiça amadia, valor inferior em cerca de 40% ao da produção de1970. A amadia é considerada a cortiça rentável, sendo obtida a partir do terceiro descortiçamento em sobreiros com mais de 40 anos, e que eventualmente poderá ter a qualidade exigida para a produção de rolhas. Tem-se verificado não só uma redução na produção de cortiça, devido a fenómenos de mortalidade, mas também uma redução na qualidade da mesma, comprometendo a demanda de rolhas naturais no mercado global. Além disso, a redução, tanto na quantidade como na qualidade de cortiça poderá ter efeitos bastantes negativos na manutenção dos povoamentos por parte dos produtores, que eventualmente poderão optar por outras espécies florestais ou votar ao abandono as suas áreas.

Pelas razões acima referidas, a possibilidade de se poder extrair cortiça precocemente, respeitando o perímetro estipulado por lei para a desbóia (primeiro descortiçamento - 70 cm a 1.30m de altura do fuste) e sem danos para a árvore, poderá melhorar a capacidade de resposta do mercado corticeiro às necessidades de procura do produto a médio prazo, favorecendo toda a fileira da cortiça, desde os produtores, transformadores e compradores, incluindo o meio rural e os trabalhadores, cuja economia está ligada a este sector.

Considerando o acima exposto, o presente Grupo Operacional pretende, através da transferência, aperfeiçoamento e monitorização de um conceito de gestão silvícola recentemente desenvolvida, nomeadamente através da fertirrigação de novas áreas florestais de sobro, demonstrar uma oportunidade a todos os envolvidos diretamente no presente consórcio bem como aos demais stakeholders da fileira da cortiça, evidenciando e envolvendo diretamente todos os potenciais interessados na transferência/intercâmbio de conhecimentos técnico-científicos recentes no sentido de possibilitar e validar um novo conceito, já numa escala de adoção a nível dos produtores florestais, centrado na fertirrigação controlada de novas plantações florestais de sobro.


Objetivos visados:

Com esta iniciativa pretende-se (1) conhecer a possibilidade de antecipar aprodução de cortiça em novas plantações de sobreiros com fertirrega, de forma rentável, (2) avaliar o efeito da fertirrega na formação, produção e qualidade da cortiça utilizando para isso plantações já existentes com sobreiros adultos ou em situação pré-desbóia e, (3) proceder à transferência de conhecimento técnico científico gerado neste Grupo Operacional para a instalação de novos povoamentos de sobreiros com recurso à introdução da fertirrega.

Para a concretização destes objetivos serão monitorizadas diferentes áreas de experimentação, das quais 5 constituirão áreas de “ensaios piloto” – Herdade do Corunheiro (FRUTICOR), Herdade do Conqueiro (Casa Agrícola da Herdade doConqueiro, S.A), Herdade da Machoqueira do Grou (Machoqueira do Grou, Lda) e Herdade da Mitra (ZEA) e outras 5 áreas que irão já numa escala de “produção comercial com fins lucrativos” avançar com 5 novas plantações. Para dar resposta ao ponto (1), i.e., de modo a reduzir o período que antecede a desbóia através da fertirrega, será utilizado o conhecimento gerado no “ensaiopiloto 1” (AP1) de fertirrega em curso na Herdade do Corunheiro (parceria comAmorim Florestal e Fruticor) que será aplicado a novas plantações de sobreiros.

Neste ensaio, com sobreiros com 3,5 anos, já existente localizado em Coruche numa herdade pertencente ao parceiro Fruticor decorrem vários testes de fertirrega para avaliação da melhor e mais eficiente relação crescimento dos sobreiros/economia de água. A metodologia e a informação obtida será transferida e implementada na condução das áreas de “produção comercial comfins lucrativos” (novas plantações intensivas de sobreiro – num total de cerca de180 ha) nomeadamente na Herdade do Pinheiro do Divor (Coruche), HerdadeCortes Valentes (Monte do Trigo), Herdade do Pinheiro (Alcácer do Sal), Herdadedos Deuses (Portel) e Herdade do Conqueiro 2 (Avis). Nestas áreas recentemente instaladas (com recurso autofinanciamento por capitais próprios das respetivas entidades promotoras) serão conduzidos povoamentos de acordo com o conhecimento transferido do ensaio piloto 1 (AP1) tendo como objetivo principal, a redução do período que antecede a desbóia, através da fertirrega. Este conhecimento será, por sua vez, complementado e aperfeiçoado ao longo do desenvolvimento do presente Grupo Operacional. As “áreas de produção com fins lucrativos” terão, como objetivo principal, a redução do período que antecede a desbóia, através da fertirrega.

Complementarmente ainda no decorrer do grupo operacional irão ser realizados testes de inoculação e produção de plantas melhoradas (Sobreiros), germinadas em viveiros do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), de acordo com a metodologia desenvolvida pela Universidade Católica Portuguesa e com um substrato específico e tratamentos ao nível da germinação a ser transferido e aplicado em áreas limitadas de alguns parceiros. O ICNF e a Universidade Católica Portuguesa (UCP) terão um papel relevante neste projeto ao nível da produção de plantas melhoradas e adequadas a cada condição específica de futuros novos locais de produção comercial a instalar por parte de outros potenciais interessados. Para dar resposta ao ponto (2), o calibre e qualidade da cortiça serão avaliados nos povoamentos jovens e adultos com fertirrega já instalada, ou a instalar. À Herdade do Conqueiro 1 (CAConqueiro) pertence o ensaio piloto com sobreiros jovem/adultos, que estão em regime de fertirrega desde a sua instalação, há 15 anos (área piloto 2 – AP2).

Neste ensaio há árvores em situação de pré e pós desbóia e algumas árvores adultas já com cortiça amadia, ou seja que já tiveram 3 descortiçamentos em apenas 15 anos. Análises preliminares à cortiça proveniente deste ensaio em fertirrega revelaram um aumento significativo do calibre, que aos 4 anos atinge valores similares ao de 9 anos de árvores em sequeiro. No entanto, para se analisar com precisão o efeito da fertirrega no calibre e qualidade da cortiça, excluindo-se outros fatores importantes como as características ambientais e dos sobreiros, será necessário instalar sistemas de fertirrega noutras condições edafo-climáticas e onde já há conhecimento prévio fertirrega noutras condições edafo-climáticas e onde já há conhecimento prévio do calibre e qualidade da cortiça de cada sobreiro. Nos sobreiros dos montados da Machoqueira do Grou (área piloto 3 - AP3) e da Herdade da Mitra (área piloto 4 –AP4) há povoamentos adultos em sequeiro que têm sido acompanhados desde1996. Num outro povoamento localizado na Herdade da Mitra (área piloto 5 -AP5), com 20 anos de idade em situação pré-desbóia irá ser também instalado um sistema de fertirrega. Esta área piloto possui sobreiros onde são anualmente medidos os seus crescimentos biométricos desde o ano da sua instalação (1996). De facto, a vasta base de dados (equivalente à monitorização de 60.5 hectares de Montado de Sobro) de que a equipa da UE dispõe - 66 parcelas permanentes instaladas na Herdade Machoqueira onde já se acompanharam 3 descortiçamentos (com ciclos de 9 anos) e 2 parcelas na Herdade da Mitra, 1 parcela no Sítio de Cabeção, 1 parcela no Sítio da Contenda, 1 parcela em Sines e mais 15 parcelas de 1 hectare cada, espalhadas pelo território nacional (parcelas permanentes de um projeto anterior “Agroreg”) representa uma mais-valia para esta iniciativa, tendo em conta os longos ciclos de produção do sobreiro. Conhece-se a qualidade e calibre da cortiça de cada um dos sobreiros, as características ambientais em que cresceram e o seu crescimento em diâmetro. Nestes ensaios (AP2; AP3; AP4 e AP5), a instalação de fertirrega permitirá acompanhar anualmente, em cada sobreiro, a produção da nova cortiça, em calibre e qualidade, antes e depois da fertirrega. As análises da qualidade da cortiça serão feitas nos laboratórios da Amorim Florestal. No entanto, convém referir que a instalação de fertirrega nestas áreas com sobreiros adultos é apenas com o propósito de antecipar conhecimento técnico-científico do efeito da fertirrega na qualidade da cortiça. Não é intuito deste projeto converter montados ou florestas de sobro adultas em sequeiro, para a fertirrega. Os objetivos previstos no ponto (3) serão alcançados com as atividades previstas no ponto (1), onde se fará transferência do conhecimento na condução das “áreas de produção com fins lucrativos” bem como pelo conjunto de atividades previstas no Plano de Demonstração e Disseminação abaixo justificado com mais detalhe e onde existirão várias ações de sensibilização de transferência de conhecimento e disseminação de resultados junto de diversos produtores florestais nacionais, comum apoio ativo suplementar e de relevância por algumas entidades cooperantes internacionais, como é o caso do CYCITEX - Centro de Investigações Científicas e Tecnológicas da Extremadura que tem como objetivo principal, servir de apoio ao sector empresarial estremenho para a incorporação de I&D nos seus processos produtivos. (verificar no formulário online submetido a inserção de protocolo de colaboração com uma entidade sediada em Espanha).


Sumário do plano de ação:

Avaliar as respostas dos sobreiros jovens (entre os 3 e os 10 anos, nunca descortiçados e entre os 13 e 17 anos em situação de pré e pós desbóia) e adultos (30 e 50 anos de idades, descortiçados) a diferentes de tratamentos de rega (de superfície e em profundidade) com base na medição suas taxas de crescimento e na produção (calibre) e qualidade da cortiça produzida.


Pontos de situação / Resultados:

Desde a criação deste Grupo Operacional que a coordenação (ao cargo da Universidade de Évora) tem sido executada através de uma interligação constante e de comunicação entre os 13 parceiros do consórcio. A primeira reunião formal e presencial entre todo o consórcio realizou-se em Outubro de 2018, onde foram discutidas diferentes questões técnico-científicas para o cumprimento de objetivos inicialmente propostos e, o reajuste do cronograma do projeto, uma vez que devido ao atraso na aprovação do mesmo, o tempo de execução de projeto foi reduzido de 5 anos para 3 anos e 7 meses.

A execução do projeto, com a instalação e recolha de informação das áreas piloto, e transferência de conhecimento para as áreas comerciais está em curso desde a data referida. As instalações das áreas de fertirrega de sobreiro em produção intensiva para fins comerciais estão já em curso, estando a equipa coordenadora (Pró-FlorMed, da Universidade de Évora) a acompanhar e a fornecer as informações necessárias, obtidas nas áreas piloto, para uma fertirrega eficiente que respeite não só as necessidades das plantas, mas também o meio ambiente e o recurso hídrico.A fertirrega de sobreiro é o novo paradigma que tem sido abordado na comunicação social, com entrevistas aos parceiros e visitas aos ensaios.

Uma vez que o projeto está na fase inicial de “Implementação do Plano de Ação”, os eventos de divulgação deste Grupo Operacional, serão realizados em data posterior. Prevê-se a realização de um dia aberto – transferência de conhecimento, ainda este ano (outubro de 2019), onde se irão visitar as áreas piloto onde o conhecimento científico é gerado.Em abril de 2020, prevê-se a realização de um seminário onde se divulgará os resultados obtidos com o projeto.

Próximas datas de Eventos:

OUT/NOV 2019 – Dia aberto – transferência de conhecimento técnico-científico

Abril 2020 - SeminárioJunho

2021- Seminário

 

Notícias divulgadas:

https://www.diariodosul.com.pt/noticias/evora/1127-ministro-da-agricultura-acredita-que-pode-ser-a-forma-de-resolver-a-escassez-da-cortica.html

-https://expresso.pt/economia/2016-10-16-Este-sobreiro-em-regadio-deu-a-primeira-cortica-aos-oito-anos

https://www.vidarural.pt/insights/conheca-o-produtor-que-trata-os-sobreiros-como-oliveiras/

https://www.publico.pt/2016/10/03/economia/noticia/corticeira-amorim-avanca-com-500-hectares-de-montado-de-regadio-este-ano-1746011#gs.fNb1gg3Z