Inovação para a Agricultura

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PrunusFito

Entidade líder do projeto: APPIZÊZERE - ASSOCIAÇÃO DE PROTECÇÃO INTEGRADA E AGRICULTURA SUSTENTÁVEL
Responsável pelo projeto: Appizêzere (appizezerefundao@gmail.com)
Site do projeto: https://prunusfito.webnode.pt/
Área do plano de ação: Cultura de pomóideas e prunóideas
Parceiros:

AAPIM - ASSOC. DE AGRICULTORES P/PRODUÇÃO INTEGRADA FRUTOS DE MONTANHA; CENTRO OPERATIVO E TECNOLÓGICO HORTOFRUTÍCOLA NACIONAL; FACULDADE DE CIENCIAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA; GONÇALO FILIPE RODRIGUES BATISTA; INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO; JOAQUIM MARTINS DUARTE & FILHOS LDA; SOCIEDADE AGRICOLA DA QUINTA DE LAMACAIS, LDA;


Prioridade do FEADER: P4) Restaurar, preservar e melhorar os ecossistemas ligados à agricultura e à silvicultura;
Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:

A Beira Interior é uma zona de produção por excelência de prunoideas, principalmente cereja e pêssego, sendo a região com maior área ocupada por estas culturas e maior produção a nível nacional. Sendo culturas já bem enraizadas no contexto regional e havendo uma enorme tradição no seu cultivo, têm vindo a ser alvo de problemas fitossanitários emergentes na região e de agravamento de outros e que têm sido responsáveis por elevadas perdas nos pomares da região: Drosophila suzukii surgiu em pomares de cerejeiras da região no ano de 2013, contudo foi em 2015 que a sua presença foi mais notada, tendo ocasionado estragos importantes nalgumas cultivares e em diferentes parcelas. Com uma expressiva incidência nos pessegueiros, principalmente em novas plantações, têm surgido importantes cancros parasitários, provocados por uma bactéria (Pseudomonas syringae) e/ou fungo (Valsa sp.), com maior ou menor extensão e que têm levado à morte de parte das plantas ou à totalidade das mesmas, registando-se avultados prejuízos nas parcelas onde as doenças estão sinalizadas. A mosca do mediterrâneo (Ceratitis capitata) é um inimigo identificado na região há já bastantes anos, mas tem sido um problema crescente, afetando grande parte das cultivares com colheita a partir de meados de Julho, atingindo maiores proporções na região a sul da serra da Gardunha. Os ratos são atualmente, à semelhança da mosca do mediterrâneo, um problema que tem vindo a atingir proporções consideráveis e são responsáveis por elevados prejuízos nos pomares de prunoideas desta região, com especial relevância em pessegueiros, fazendo destes, um dos inimigos potenciais para a cultura e que rapidamente atingirá posição de inimigo-chave.  


Objetivos visados:

Tendo em conta que serão abordados cinco diferentes e importantes problemas fitossanitários, a descrição é feita separadamente, de modo identificar os objetivos para cada um deles:

Cancros:

- monitorizar a(s) doença(s);

- avaliar as condições edafoclimáticas locais, verificando se existe algum padrão de dispersão da(s) doença(s) e monitorizar essa dispersão na região;

- observar as relações entre as condições dos locais, as cultivares e a incidência dos cancros, identificando práticas culturais que diminuam a probabilidade da sua instalação; estabelecer um plano de atuação regional que vise a manutenção da sanidade dos pomares e o aumento da produtividade pela diminuição de perdas de plantas;

Drosophila suzukii e Ceratitis capitata:

- desenvolver e/ou aplicar em campo métodos de monitorização das populações destas moscas aferindo a sua exequibilidade face às condições da região;

- identificar fatores de risco;

- identificar iscos e armadilhas mais eficazes para monitorização ou para captura em massa; definir estratégias preventivas de proteção, avaliar a eficácia de meios de proteção inovadores e a conjugação de medidas (preventivas e químicas) na limitação da proliferação das pragas;

- identificar, das soluções químicas homologadas, as mais eficazes no controlo das moscas e a melhor oportunidade de tratamento, face às limitações de uso

Cigarrinha-verde:

- confirmar a(s) espécie(s) presentes, associando-as aos estragos observados;

- monitorizar o ciclo de vida da praga;

- avaliar, em três datas, o efeito da data da poda em verde em pessegueiros, na sua suscetibilidade à praga;

- sensibilizar os produtores para a importância da instalação precoce de armadilhas para monitorização seguindo uma abordagem preventiva no controlo da praga.

Ratos:

- identificar/monitorizar a praga;

- avaliar as condições dos pomares e a sua envolvência, verificando se existe um padrão de dispersão e monitorização dessa dispersão;

- observar as relações entre essas condições e a incidência da morte de plantas por ataque de ratos, definindo as práticas culturais que limitam a sua instalação e progressão;

- estabelecer um plano de atuação que vise a sanidade dos pomares e o aumento da sua produtividade.


Sumário do plano de ação:

Avaliação do impacto de alguns inimigos (pragas e doenças) nas culturas das prunóideas na região da Beira Interior e avaliação da eficácia de diferentes meios de luta no controlo das mesmas.


Pontos de situação / Resultados:

Conclusões sobre o projeto desenvolvido e perspetivas futuras:
As atividades levadas a cabo nesta operação foram fundamentais para um melhor conhecimento dos inimigos acompanhados, na região da Beira Interior, que por sua vez permitirá a definição de melhores estratégias de proteção.
Conseguiu-se identificar um dos agentes causais das sintomatologias associadas ao cancro bacteriano, embora não tenha sido possível estabelecer com rigor se existem outros agentes responsáveis por alguns dos sintomas; não se podendo descartar a presença de fungos causadores de cancro, pensa-se que será fundamental dar continuidade aos trabalhos desenvolvidos, tentar estabelecer mais relações entre as condições dos locais onde estão os pomares de pessegueiro e a presença e severidade do cancro, tendo em conta que esta continua a ser a principal doença a afetar os pessegueiros, sendo responsável pela morte de inúmeras plantas.
Relativamente a Drosophila suzukii, conhece-se, agora, melhor o seu comportamento nesta região, apontando-se algumas soluções para uso em captura-em-massa (atrativos e armadilhas), percebeu-se que a praga está permanentemente nos pomares e, por isso, a sua monitorização é mais importante para averiguar níveis populacionais (associados ao estado de maturação da cereja), que para determinar o início do voo da praga. Existem atualmente disponíveis no mercado outros dispositivos para captura-em-massa e seria importante testá-los nas condições locais, ou seja, há ainda muito trabalho a desenvolver relativamente a este inimigo cujo controlo, até ao aparecimento de novas soluções, terá de continuar também pelo recurso a inseticidas.
Na mosca do mediterrâneo provou-se, ainda que num dos locais com algumas reservas, que a captura-em-massa é um modo de controlo importante nesta praga, podendo, ainda assim, não ser suficiente por si só, em determinados anos e locais. Porém dada a escassez de substâncias ativas para controlo desta mosca, é fundamental levar a cabo mais trabalhos com métodos alternativos de controlo, sob pena da praga continuar a progredir e aumentar as suas populações em locais com condições que lhe sejam favoráveis. Até serem conhecidos e testados outros métodos de controlo a luta química terá de continuar a ser um complemento à captura-em-massa nos locais mais complicados.
Esta operação permitiu esclarecer qual a espécie de cigarrinha-verde responsável pelos estragos observados nos pomares de pessegueiro, permitiu conhecer melhor todo um grupo de insetos que estão presentes nos pomares observados, sendo que alguns se constituem como praga e outros, vetores de doenças potencialmente graves. É importante neste tem, que no futuro se avaliem substâncias ativas com efeito sobre a espécie predominante (Asymmetrasca decedens), se avaliem potenciais hospedeiros secundário de forma a diminuir os locais de refúgio e determinar o período ideal para efetuar a poda em verde, tendo em conta que a mesma é fundamental em pomares jovens em formação. Seria importante, também, testar armadilhas cromotrópicas como forma de captura-em-massa e não somente como meio de monitorização. Pelo elevado número de capturas registadas este método pode revelar-se eficaz.
Já na temática “ratos” foi possível estabelecer uma relação direta entre a sua presença e solos profundos, de textura média a pesada e boa capacidade de retenção de água. Percebeu-se que nem sempre os locais com maior nível de infestação são os que apresentam mais estragos nos pessegueiros, provavelmente porque existe alimento mais atrativo para estes roedores naqueles locais. Em termos futuros é fundamental que os produtores mantenham o coberto vegetal do pomar controlado, possibilitando uma melhor monitorização desta praga.

Publicações:

Acão de Capacitação PrunusFito: Cancro Bacteriano em Prunóideas, 23 de setembro de 2021. Programa