- Área Geográfica de Intervenção: Portugal
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
A indústria agroalimentar gera uma vasta gama de coprodutos que, se não aproveitados, tornam-se resíduos. Reduzir o desperdício alimentar nas etapas iniciais da cadeia pode diminuir significativamente os recursos consumidos na produção de alimentos, especialmente de proteínas de elevado valor biológico de origem animal. No entanto, falta informação consolidada sobre a quantidade, tipo, distribuição geográfica e sazonalidade desses coprodutos com valor nutricional para alimentação animal. Além disso, a dependência de matérias-primas de países terceiros, com a consequente pegada ambiental da importação, e a instabilidade dos preços internacionais, causam incerteza nos setores de alimentação humana e animal. A procura por cadeias de abastecimento mais curtas, com menor impacto ambiental, é crucial para aumentar a autossuficiência nacional. Combater o desperdício de alimentos traz benefícios triplos: economiza alimentos para consumo humano, beneficia os produtores e consumidores economicamente, e reduz o impacto ambiental da produção e consumo de alimentos.
- Objetivos visados:
Contribuir para a economia circular e para a diminuição da pegada ambiental, através da valorização de coprodutos da indústria agroalimentar, como matérias-primas para a produção de alimentos compostos.
- Sumário do plano de ação:
O plano de ação pretende valorizar subprodutos da agroindústria na alimentação animal, reduzindo custos e o impacto ambiental, sobretudo as emissões de metano. Inclui o mapeamento e caracterização desses subprodutos, analisando a sua composição, disponibilidade, armazenamento e valor nutricional, bem como métodos de conservação. Em seguida, avalia-se o impacto ambiental dos alimentos com e sem subprodutos, através da análise do ciclo de vida e da quantificação de gases com efeito de estufa. Visa ainda identificar e testar substâncias com potencial de mitigação do metano, analisando a sua eficácia em laboratório e na microbiota do rúmen. Posteriormente, desenvolvem-se formulações alimentares testadas em bovinos e ovinos, avaliando o desempenho produtivo e as emissões. Por fim, os resultados permitem otimizar as formulações, apoiar bases de dados de emissões e avaliar a viabilidade económica da substituição de matérias-primas convencionais.
- Pontos de situação / Resultados:
Foi efetuado o mapeamento de coprodutos e realizada a sua análise nutricional, concluindo-se que existe uma quantidade considerável de coprodutos para valorizar em alimentação animal. A secagem mostrou-se viável para conservação, mas exige otimização, especialmente para materiais com muita humidade.
A incorporação dos coprodutos nas dietas não prejudicou o desempenho ambiental das dietas, reforçando a importância de avaliações como a pegada de carbono. Os ensaios com animais indicaram boa aceitação e ausência de impactos negativos na produção, além de uma redução significativa das emissões de metano, sobretudo em níveis mais elevados de inclusão — com efeitos dependentes da dose.
Destaca-se ainda o potencial de valorização adicional, como a produção de carvões ativados a partir de bagaço de maçã para captura de gases.
No geral, o projeto confirma que o uso destes subprodutos é uma estratégia-chave para sistemas agropecuários mais sustentáveis, circulares e resilientes.
- Área Geográfica de Intervenção: Portugal
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
As indústrias agroalimentares produzem um grande volume de coprodutos. A sua valorização como adubos orgânicos é uma área de investigação relevante no contexto da sustentabilidade. Estes materiais, frequentemente descartados, podem ser reaproveitados, reduzindo o desperdício e os custos associados à sua eliminação. A sua utilização na agricultura promove a economia circular, ao devolver nutrientes ao solo e diminuir a dependência de fertilizantes químicos, mas também reduzir a pegada de carbono e criar novas oportunidades económicas, alinhando-se com políticas ambientais e reforçando a necessidade de investigação nesta área.
- Objetivos visados:
Identificar coprodutos agroalimentares adequados a compostagem acelerada, produzir composto orgânico adequado para aplicação agrícola, avaliar a eficácia agronómica do composto, através de ensaios de campo em diferentes culturas e analisar o impacto do composto na qualidade do solo, incluindo parâmetros físicos, químicos e biológicos.
- Sumário do plano de ação:
Avaliar coprodutos com características adequadas à produção de adubo via compostagem acelerada e a sua testagem em explorações de produtores, permitindo avaliar a sua aplicabilidade e performance. São efetuadas análises físico-químicas (azoto e fósforo, minerais, pH, condutividade elétrica, entre outras) e de saúde de solo (tecnologia "Becrop" para avaliação do microbioma e do índice de saúde do solo, riscos de doenças e deteção de deficiências nutricionais), antes e após a aplicação, monitorizando assim a sua evolução após aplicação do composto e a sua comparação com parcelas controlo.
- Pontos de situação / Resultados:
O adubo orgânico produzido a partir de resíduos de tomate demonstrou potencial relevante do ponto de vista produtivo, apresentando-se como uma alternativa viável para o desenvolvimento de fertilizantes em larga escala e com custos reduzidos. Adicionalmente, o adubo obtido apresenta um custo de produção relativamente baixo, aliado a um valor agronómico significativo, reforçando o seu potencial de aplicação no contexto agrícola sustentável.
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
O projeto SustainOlive surge no contexto da elevada relevância da olivicultura em Portugal, uma atividade com forte impacto económico, social, ambiental e territorial, especialmente nas regiões do interior, onde contribui para a fixação de populações e para a dinamização das economias locais. Apesar do crescimento significativo do setor e do reconhecimento do azeite como um produto central da dieta mediterrânica, com elevado valor nutricional e procura crescente a nível internacional, persistem desafios associados à produção em modo biológico, nomeadamente ao nível da sua viabilidade económica e da valorização no mercado.
Embora o azeite biológico apresente, em geral, elevada qualidade e possa atingir preços superiores, a sua produção nem sempre é suficientemente compensadora para os agricultores, sobretudo quando comparada com outros modos de produção. Acresce que, apesar do aumento da área de olival em modo de produção biológico, ainda existe margem significativa para crescimento, sendo necessário reforçar a sustentabilidade e a eficiência dos sistemas produtivos.
Paralelamente, verifica-se uma mudança no comportamento dos consumidores, que valorizam cada vez mais produtos que, para além da qualidade, integrem benefícios para a saúde e garantias de sustentabilidade ambiental, como a redução da pegada de carbono. No entanto, no caso do azeite biológico, a aplicação sistemática de ferramentas que permitam evidenciar essas características, nomeadamente através de alegações de saúde e informação ambiental no rótulo, ainda é limitada.
Neste contexto, o projeto identifica como oportunidade a necessidade de desenvolver e implementar soluções inovadoras ao longo de toda a fileira, que permitam aumentar o valor do azeite biológico, melhorar a sua sustentabilidade ambiental e reforçar a sua competitividade em mercados mais exigentes, respondendo simultaneamente às novas exigências dos consumidores e às orientações estratégicas europeias em matéria de sustentabilidade e alimentação.
- Objetivos visados:
O projeto SustainOlive tem como principal objetivo promover a valorização do azeite biológico português através da implementação de estratégias inovadoras que aumentem simultaneamente a sua qualidade, sustentabilidade ambiental e competitividade no mercado. Para isso, pretende-se atuar de forma integrada ao longo de toda a fileira, desde a produção da azeitona até à comercialização do produto final, introduzindo melhorias técnicas, tecnológicas e organizacionais.
Entre os objetivos específicos, destaca-se a implementação de práticas agrícolas inovadoras em modo de produção biológico que permitam reduzir o impacto ambiental, nomeadamente através da diminuição das emissões de gases com efeito de estufa, aumento do sequestro de carbono e melhoria da fertilidade do solo. Paralelamente, pretende-se otimizar os processos de extração de azeite, recorrendo a tecnologias de sensorização e digitalização que aumentem a eficiência produtiva, reduzam o consumo de água e energia e melhorem a qualidade do produto, especialmente ao nível do teor de compostos bioativos, como os polifenóis.
Outro objetivo fundamental passa pela introdução de soluções inovadoras no armazenamento, embalagem e rotulagem, privilegiando materiais mais sustentáveis e a disponibilização de informação relevante ao consumidor, como as alegações de saúde e a pegada de carbono do produto.
Neste sentido, o projeto pretende também desenvolver metodologias de análise do ciclo de vida que permitam quantificar o impacto ambiental do azeite biológico e apoiar a sua comunicação no mercado. Adicionalmente, o SustainOlive visa reforçar a promoção e disseminação do azeite biológico junto de diferentes públicos, contribuindo para o aumento do seu consumo e para o seu posicionamento em mercados premium, nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo, procura gerar conhecimento científico e técnico, fomentar a inovação no setor agroalimentar e criar soluções replicáveis que possam ser aplicadas a outras fileiras, potenciando o desenvolvimento sustentável das regiões produtoras.
- Sumário do plano de ação:
O plano de ação do projeto SustainOlive estrutura-se numa abordagem integrada que cobre toda a cadeia de valor do azeite biológico, organizando-se em várias atividades interligadas que visam melhorar a sustentabilidade, eficiência e valorização do produto. Estas atividades vão desde a produção da azeitona até à promoção do azeite no mercado, assegurando uma intervenção coerente e abrangente em toda a fileira.
Numa primeira fase, o plano incide na implementação de práticas inovadoras na produção de azeitona em modo biológico, incluindo soluções sustentáveis para controlo de pragas e doenças, melhoria da fertilidade do solo e gestão do olival, com o objetivo de reduzir impactos ambientais e aumentar a resiliência e produtividade dos sistemas agrícolas. Seguidamente, o projeto foca-se na otimização do processo de extração de azeite, através da aplicação de estratégias que permitam obter azeites com maior teor de compostos bioativos e da introdução de sistemas de sensorização que aumentem a eficiência e reduzam o consumo de recursos como água e energia.
O plano contempla ainda a implementação de soluções inovadoras no armazenamento, embalagem e expedição, com destaque para a utilização de materiais mais sustentáveis e para a monitorização das condições de conservação do azeite, garantindo a manutenção da sua qualidade ao longo do tempo.
Paralelamente, é realizada a análise do ciclo de vida do produto, permitindo avaliar e quantificar a pegada de carbono associada às diferentes etapas da produção, informação que poderá ser integrada na rotulagem.
Por fim, o plano inclui ações de divulgação e promoção dirigidas a diferentes públicos-alvo, desde produtores e indústria até consumidores e comunidade científica, com o objetivo de disseminar resultados, incentivar a adoção das práticas desenvolvidas e reforçar o posicionamento do azeite biológico português em mercados especializados, tanto a nível nacional como internacional.
- Pontos de situação / Resultados:
O ponto de situação do projeto SustainOlive evidencia a implementação efetiva das atividades previstas, com resultados concretos ao nível da adoção de práticas inovadoras na produção de azeitona em modo de produção biológico, bem como avanços significativos na compreensão dos seus impactos agronómicos e ambientais.
No âmbito da proteção contra pragas e doenças, foram realizados diversos ensaios experimentais, nomeadamente com recurso a nanopartículas à base de cobre e soluções alternativas de biocontrolo, tendo-se verificado que algumas destas soluções permitem manter níveis reduzidos de incidência e severidade de doenças, embora com variações associadas às condições climáticas anuais.
No controlo da mosca-da-azeitona, a baixa incidência da praga em campo limitou a avaliação direta dos tratamentos, mas os ensaios laboratoriais demonstraram que soluções biológicas e químicas não reduziram a taxa de emergência, embora tenham aumentado o tempo de desenvolvimento dos insetos, sugerindo efeitos indiretos no seu ciclo biológico.
Paralelamente, os estudos sobre fauna auxiliar mostraram que predadores naturais mantêm elevada capacidade de predação e níveis de sobrevivência elevados, reforçando o papel da biodiversidade funcional no controlo biológico.
Ao nível da gestão do solo, os resultados evidenciaram que sistemas com coberto vegetal natural ou semeado apresentam maior riqueza e diversidade florística e maior abundância de artrópodes, enquanto os sistemas mobilizados apresentam menor biodiversidade e estabilidade ecológica, confirmando o impacto positivo de práticas sustentáveis na resiliência dos agroecossistemas.
Relativamente aos resultados obtidos ao nível do lagar, verificou-se que a otimização dos parâmetros de extração permitiu melhorar a qualidade do azeite, nomeadamente aumentando o teor em compostos fenólicos, o que contribui para a valorização nutricional e sensorial do produto. Estes resultados demonstram o potencial da inovação tecnológica aplicada ao processo industrial para diferenciar o azeite biológico e aumentar o seu valor no mercado.
No que respeita à sensorização, tanto no processo de extração como no armazenamento, foi possível demonstrar a eficácia da implementação de sistemas de monitorização contínua, permitindo acompanhar em tempo real diferentes parâmetros do processo produtivo e das condições de conservação. Estes sistemas contribuíram para a identificação de oportunidades de redução de consumos de água e energia, melhoria da eficiência produtiva e otimização da gestão de stocks, evidenciando o potencial da digitalização e do conceito de “gémeo digital” na modernização da fileira do azeite.
Ao nível do armazenamento e embalagem, os resultados demonstraram que o tipo de embalagem influencia significativamente a preservação da qualidade do azeite, sendo o sistema Bag-in-Box o que melhor protege o produto contra fenómenos oxidativos, seguido da lata, enquanto o vidro apresentou pior desempenho em armazenamentos prolongados. Estes resultados reforçam a importância da escolha de materiais e soluções de embalagem na valorização do produto e na sua durabilidade.
Relativamente à análise do ciclo de vida e à pegada de carbono, foi possível quantificar os impactes ambientais associados à produção de azeite biológico, identificando os principais pontos críticos ao longo da cadeia de valor. Os resultados mostraram diferenças significativas entre sistemas produtivos: num sistema mais intensivo (SOle1), a fase agrícola é responsável por mais de 90% das emissões, atingindo cerca de 6,503 kg CO₂ eq por garrafa de 500 ml, enquanto num sistema mais extensivo e eficiente (SOle2), a pegada de carbono é substancialmente inferior, sendo o principal contributo deslocado para o lagar e, sobretudo, para o embalamento, que pode representar cerca de 70% das emissões totais.
Os resultados da ACV evidenciaram ainda que fatores como a produtividade do olival, o uso de fertilizantes e energia, e o tipo de embalagem são determinantes na pegada ambiental do produto, sendo o embalamento um dos principais pontos críticos em sistemas mais eficientes. Esta análise permitiu estabelecer bases sólidas para a definição de estratégias de mitigação e para a futura incorporação de informação ambiental na rotulagem do azeite biológico, contribuindo para a sua valorização no mercado e para decisões mais sustentáveis ao longo da fileira.
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
Problema: Portugal dispõe de um património agrícola e alimentar valioso. Porém, vários fatores contribuem para a sua perda acelerada, nomeadamente a transformação agrícola, urbanização, incêndios florestais, em particular em resultado da desertificação humana do interior do país associada à perda de práticas tradicionais e de agricultores e outros agentes essenciais à manutenção dos territórios. Contudo, a produção agro-pecuária e a alimentação são ainda determinantes da paisagem e podem ser muito relevantes para o desenvolvimento territorial pelo seu contributo para um conjunto vasto de atividades associadas e conexas.
Como sublinha Figueiredo et al. (2022), as atividades relacionadas com o turismo – incluindo a gastronomia, prova e aquisição de produtos agroalimentares locais e tradicionais – representam ativos importantes no contexto rural, crescentemente valorizados pela sociedade e contribuem para revalorizar a produção agrícola local e promover o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais. Desde 2000, procura-se reafirmar a necessidade de proteger e salvaguardar a gastronomia portuguesa enquanto “bem imaterial do património cultural de Portugal”. No mesmo sentido, alguns sistemas agrícolas, nomeadamente na região do Barroso, foram classificados como "património da humanidade” pela FAO.
Mas, se estes sistemas agrícolas tradicionais, seus produtos e serviços são cada vez mais importantes nas escolhas dos consumidores, tal peso não corresponde aos benefícios económicos para os territórios do interior do país onde se localiza maioritariamente este património. São territórios com maiores taxas de emigração, maior envelhecimento populacional e menor desenvolvimento socioeconómico geral. São também, mais marginais ao desenvolvimento de cadeias alimentares globalizadas, registam menor capacidade de criação de redes de cooperação entre atores relevantes, de plataformas inovativas para a comercialização de produtos e serviços vinculados aos novos elos rurais – urbanos.
Oportunidade: São, contudo, territórios cujos sistemas agrícolas e paisagens alimentares devem preservar-se dinamicamente possuindo, também, potencial para a geração de negócios inovadores face aos critérios de qualidade que os seus produtos e serviços encerram. Para isso torna-se necessária a identificação e sistematização do conhecimento tradicional existente nos sistemas agrícolas e alimentares destes territórios, a promoção da inovação associada aos mesmos, a sua transmissão inter-geracional e a construção de capital social para a sua promoção e comercialização através de uma rede multi-atores local composta por produtores, transformadores, empresários/as da restauração, alojamento e hotelaria, artesanato, cultura, animação turística, têxtil entre outros.
Importa sublinhar que as mulheres e os jovens surgem como principais atores com um potencial de inovação diferenciado. Se, por um lado, as mulheres são maioritariamente as principais "guardiãs" deste património, ainda que de forma muitas vezes ‘invisível’, são elas também mais propensas à liderança de negócios mais pequenos, mais familiares assentes nas suas histórias de vida. São também as mulheres as principais transmissoras do conhecimento tradicional alimentar. Os jovens, ao mobilizar no contexto da identificação de novas oportunidades assentes neste património, serão mais propensos à inovação e ao risco e, assim, a assumir e gerar mais negócios e emprego. É, assim, essencial associar esta iniciativa a processos de inovação protagonizados por mulheres e jovens.
Três abordagens são particularmente úteis para este projeto: ecossistémicas, sociais e culturais, evidenciando que sistemas agrícolas e paisagens alimentares são multidimensionais e socialmente construídas. Estudos recentes indicam como prioridades para uma estratégia de valorização destes sistemas e suas paisagens: (1) enfatizar os alimentos produzidos localmente; (2) criar narrativas para produtos e serviços que imprimam memórias; (3) gerar inovação a partir da co-criação de conhecimento. Isto potencia oportunidades de negócio baseados em produtos e serviços inovadores e singulares que traduzem o autêntico, único, local, saboroso, saudável e sustentável. Por outras palavras, traduzir o conhecimento tradicional acumulado no processo de construção social desses sistemas e paisagens, em experiências enraizadas e enraizadoras para segmentos de mercado crescentemente influenciados por uma pós-modernidade global e desterritorializada.
- Objetivos visados:
Contribuir para revitalização dos territórios rurais, através da dinamização a partir de paisagens agrícolas e alimentares singulares e do conhecimento associado, em particular mobilizando mulheres e jovens para os territórios em causa.
- Sumário do plano de ação:
O projeto estruturou-se em três grandes blocos de atividade, visando a valorização das paisagens agrícolas e alimentares singulares, a promoção da inovação liderada por mulheres e jovens e a diversificação económica dos territórios rurais.
Bloco 1 – Conhecimento (LA 7.2): Este bloco centra-se na produção de conhecimento aplicado sobre os sistemas alimentares e as paisagens agrícolas e alimentares singulares dos territórios-piloto, criando as bases para processos de inovação territorial.
A atividade A1.1 – Diagnósticos territoriais e análise de redes territoriais, permite caracterizar os sistemas alimentares locais através de diagnósticos participativos, identificação de recursos territoriais, reconstrução de narrativas históricas e mapeamento das redes de atores e relações existentes.
A atividade A1.2 – Conservação dinâmica e valorização das paisagens alimentares, contribui para a identificação de ações prioritárias para a conservação dinâmica das paisagens alimentares singulares e para o desenvolvimento de processos participativos de garantia da qualidade, assentes na melhoria contínua, supervisão entre pares e valorização coletiva dos produtos e serviços territoriais.
A atividade A1.3 – Matriz de fatores promotores de inovação e conservação de conhecimento, permite identificar e sistematizar fatores que favorecem a inovação e a transmissão de conhecimento entre mulheres, jovens e comunidades rurais, apoiando futuras iniciativas empresariais e processos de inovação territorial.
Bloco 2 – Territórios Rurais Inteligentes (LA 7.5): Este bloco foca-se na transformação do conhecimento produzido em ferramentas e dinâmicas capazes de reforçar a inteligência territorial, a cooperação e a inovação local.
A atividade A2.1 – Plataforma e caixa de ferramentas para criação de novos negócios, promove a dinamização de redes locais de produtos e serviços inspiradas no modelo FoodZcapes, apoiando estratégias coletivas, ações de marketing territorial e mecanismos participativos de garantia da qualidade. Paralelamente, foi desenvolvida uma caixa de ferramentas destinada a apoiar a criação e consolidação de iniciativas económicas inovadoras.
A atividade A2.2 – Coletivos I (Intelligence & Innovation), contribui para a mobilização de mulheres e jovens inovadores através da recolha de histórias de vida, da análise participativa de cenários futuros e da co-criação de processos colaborativos de inovação. Estes coletivos funcionam como espaços de aprendizagem, experimentação e desenvolvimento de soluções para os desafios dos territórios rurais.
Bloco 3 – Diversificação Económica (LA 7.6): O terceiro bloco procura traduzir os resultados obtidos nas fases anteriores em novas oportunidades económicas, reforçando a atratividade e a sustentabilidade dos territórios.
A atividade A3.1 – Programa para criação de novos negócios e plataformas de comercialização, concebe ferramentas, produtos, roteiros e plataformas de comercialização de bens e serviços, incluindo ofertas ligadas ao turismo e à valorização do património alimentar.
A atividade A3.2 – Comunicação, capacitação técnica, valorização e difusão do conhecimento, assegura a comunicação do projeto, a capacitação dos atores locais e a disseminação dos resultados alcançados. Foram realizadas ações formativas, oficinas de intercâmbio de conhecimentos, produzidos materiais técnicos e científicos e promovidos eventos de partilha e valorização dos resultados, contribuindo para a sua replicação noutros contextos territoriais.
- Pontos de situação / Resultados:
O projeto PAGE alcançou os objetivos definidos nas três Linhas de Ação (Conhecimento, Territórios Rurais Inteligentes e Diversificação Económica), consolidando uma abordagem integrada de valorização das paisagens agrícolas e alimentares singulares, assente na participação dos atores locais, na inovação social e na capacitação de mulheres e jovens enquanto agentes de transformação territorial.
No domínio do Conhecimento (LA 7.2), foram produzidos diagnósticos territoriais participativos que permitiram caracterizar sistemas alimentares locais, identificar recursos, atores e redes, e construir narrativas históricas partilhadas sobre os territórios. Este trabalho resultou na criação de instrumentos metodológicos replicáveis, incluindo um manual de diagnóstico territorial, planos de ação para a conservação dinâmica das paisagens alimentares e modelos de Sistemas Participativos de Garantia (SPG) adaptados aos contextos locais. Paralelamente, foi desenvolvida uma Matriz de Conhecimento e Memória Biocultural que sistematizou fatores promotores de inovação e conservação de conhecimento, integrando dimensões sociais, ecológicas e económicas e reforçando a ligação entre conhecimento, ação e decisão.
No âmbito dos Territórios Rurais Inteligentes (LA 7.5), o projeto transformou o conhecimento produzido em ferramentas e dinâmicas operacionais. Destaca-se o desenvolvimento e teste da Plataforma PAGE e respetiva Caixa de Ferramentas, que integram diagnósticos territoriais, metodologias de valorização territorial, SPG e instrumentos de apoio à criação de iniciativas económicas. Foram igualmente dinamizados os Coletivos I² (Intelligence & Innovation), envolvendo mulheres e jovens em processos de aprendizagem coletiva, análise de cenários, co-criação e experimentação. Estas ações contribuíram para reforçar o capital social, a colaboração entre atores e a governação participativa, ao mesmo tempo que deram maior visibilidade ao papel das mulheres e dos jovens na inovação rural.
Relativamente à Diversificação Económica (LA 7.6), o projeto criou condições para apoiar a criação e consolidação de novos negócios e iniciativas económicas ligadas às paisagens alimentares singulares. Foram desenvolvidos programas de capacitação e mentoria, instrumentos metodológicos de apoio ao empreendedorismo e mecanismos de qualificação participativa que reforçam a credibilidade e diferenciação dos produtos e serviços locais. Em paralelo, foi implementada uma estratégia de comunicação e disseminação que incluiu materiais técnicos e científicos, conteúdos audiovisuais, eventos públicos, ações com escolas e atividades de intercâmbio, contribuindo para a valorização dos resultados e para a sua apropriação pelos territórios.
Globalmente, o PAGE permitiu construir um conjunto coerente de ferramentas, metodologias e redes de colaboração que reforçaram a capacidade de inovação dos territórios rurais. Entre os principais resultados alcançados destacam-se: a produção de conhecimento territorial validado localmente; a criação de instrumentos de conservação dinâmica e qualificação participativa; o fortalecimento de redes multiatores; a valorização do papel de mulheres e jovens; o desenvolvimento de plataformas e ferramentas digitais de apoio à inovação; e a disponibilização de programas de capacitação, mentoria e comunicação passíveis de replicação noutros contextos.
A avaliação do projeto evidencia que os desafios identificados se relacionam sobretudo com a necessidade de assegurar continuidade, aprofundar mecanismos de governação colaborativa e reforçar o acompanhamento de iniciativas emergentes. Neste contexto, os resultados alcançados demonstram a pertinência de uma fase subsequente de consolidação, orientada para o aprofundamento dos Sistemas Participativos de Garantia, a expansão das redes territoriais, o reforço dos programas de mentoria e a valorização económica e turística das paisagens alimentares singulares. Esta continuidade permitirá transformar os instrumentos e metodologias desenvolvidos em impactos económicos, sociais e territoriais mais duradouros, contribuindo para territórios rurais mais resilientes, inclusivos e inovadores.
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
O projeto tenta dar resposta a desafios estruturais que afetam as culturas perenes mediterrânicas em Portugal, nomeadamente o olival, amendoal, castanheiro e vinha. Estas culturas, fundamentais para a economia rural e para a coesão territorial, especialmente em regiões de baixa densidade populacional, enfrentam atualmente vários constrangimentos que comprometem a sua sustentabilidade.
Um dos principais problemas identificados é a baixa rentabilidade dos sistemas de produção extensivos, frequentemente associados à agricultura familiar. Esta situação é agravada por fatores como a elevada incidência de pragas e doenças (que podem causar perdas significativas de produção), a erosão do solo e o risco de incêndios rurais.
Paralelamente, tem-se verificado uma tendência de intensificação agrícola noutras regiões, com maior dependência de fatores de produção, o que levanta preocupações ambientais e não é viável em todas as zonas, particularmente no norte interior de Portugal.
Perante este cenário, o projeto pretende desenvolver e demonstrar o uso de soluções sustentáveis que aumentem a produtividade e o rendimento das explorações, reduzindo simultaneamente o impacto ambiental. Isto passa pela valorização dos serviços ecossistémicos, pela preservação de variedades tradicionais e recursos genéticos locais, e pela criação de novos produtos e cadeias de valor.
Assim, o Bio4Med pretende transformar estes desafios em oportunidades, promovendo uma agricultura mais resiliente, sustentável e economicamente viável, contribuindo também para a fixação de populações e o desenvolvimento das regiões rurais.
- Objetivos visados:
O projeto visa:
- • Reduzir o uso de produtos químicos, através da adoção de soluções biológicas e práticas agrícolas sustentáveis;
- • Melhorar o controlo de pragas e doenças, aumentando a produtividade e a qualidade das culturas;
- • Valorizar os serviços ecossistémicos e a biodiversidade, promovendo sistemas agrícolas mais equilibrados;
- • Preservar e potenciar os recursos genéticos locais, incluindo variedades tradicionais;
- • Desenvolver novos produtos e cadeias de valor, contribuindo para o aumento do rendimento das explorações;
- • Reforçar a sustentabilidade económica e social das regiões rurais, incentivando a fixação de população e o desenvolvimento territorial.
- Sumário do plano de ação:
O plano de ação do projeto organiza-se em várias linhas de atuação que integram investigação, experimentação e transferência de conhecimento para o setor agrícola, com enfoque na sustentabilidade das culturas perenes mediterrânicas.
O trabalho desenvolvido está organizado em cinco grandes linhas de ação:
- 1. Sistemas de produção mais sustentáveis Desenvolvimento de soluções inovadoras de proteção contra pragas e doenças, com recurso a agentes biológicos e técnicas mais amigas do ambiente.
- 2. Práticas agrícolas inovadoras Testes de novas práticas agroecológicas, como o uso de bioestimulantes, cobertos vegetais biodiversos e técnicas que aumentam a resistência das culturas contra pragas e doenças.
- 3. Valorização dos serviços ecossistémicos Promoção da biodiversidade e da apicultura, incluindo o desenvolvimento de um novo produto – Mel de “Olivais de mel” - que alia produção agrícola e produção de mel.
- 4. Apoio à pequena agricultura Identificação e valorização de variedades tradicionais, especialmente de oliveira, preservadas em explorações familiares.
- 5. Valorização de recursos endógenos Desenvolvimento de novos produtos e cadeias de valor baseadas em recursos locais.
- Pontos de situação / Resultados:
Proteção biológica e biotécnica
Foram identificadas e validadas soluções inovadoras baseadas em microrganismos benéficos (endófitos e entomopatogénicos), péptidos e extratos naturais para o controlo de pragas e doenças. Destacam-se a elevada eficácia de certos endófitos no controlo da gafa e tuberculose da oliveira, e a utilização de compostos naturais com efeito antifúngico e repelente contra pragas. Estes resultados demonstram a viabilidade de alternativas aos pesticidas químicos.
Práticas agrícolas sustentáveis
Foram testados produtos alternativos (caulino, sistemina, bioestimulantes) e práticas como cobertos vegetais e não mobilização do solo. Verificou-se melhoria significativa na fertilidade do solo, redução da erosão, melhor retenção de água e aumento da biodiversidade microbiana. Estas práticas também contribuíram para a redução de pragas e para o desenvolvimento de modelos preditivos de doenças.
Serviços ecossistémicos e valorização
Demonstrou-se a importância da biodiversidade funcional na regulação de pragas e doenças. O conceito de “olivais de mel” revelou elevado potencial, com méis diferenciados e valorizáveis no mercado. Foram ainda desenvolvidos produtos alimentares inovadores com boa aceitação, reforçando oportunidades de diversificação económica.
Agricultura familiar e recursos locais
O projeto permitiu identificar, conservar e valorizar variedades tradicionais de oliveira, reforçando a importância da pequena agricultura na preservação do património agrícola e na sustentabilidade dos territórios rurais.
Recursos genéticos e valorização económica
A caracterização genética e produtiva de variedades minoritárias evidenciou o seu elevado potencial, originando azeites virgem extra de excelente qualidade. Estes resultados destacam o valor económico e diferenciador dos produtos tradicionais, contribuindo para novas oportunidades de mercado.
Mais artigos …
Pág. 3 de 8














