- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
BioComp_3.0 identifica três problemas fundamentais relacionados com:
i) a baixa fertilidade dos solos - o crescimento exponencial da população mundial que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) obrigará a um aumento de produção de alimentos de 70% até 2050, tem conduzido a práticas agrícolas muito intensivas, muito exigentes em fatores de produção, que têm conduzido a uma muito rápida degradação dos solos (com a consequente diminuição da produtividade e do rendimento agrícola) na Europa, especialmente nos países do sul cujo clima favorece a perda de matéria orgânica, nos quais está incluído Portugal. Para combater este problema, tem vindo a incentivar-se a adoção de sistemas de produção que promovam o uso sustentável dos recursos naturais, tais como o Modo de Produção Biológica (MPB), Agricultura Biodinâmica, Agricultura Sintrópica, Sistemas de Sequeiro, Sistemas Agroflorestais ou Agrosilvopastoris e tantos outros sustentados nos princípios agroecológicos. A Comissão Europeia, através do Plano de Ação para a Produção em Modo Biológico, que está em sintonia com o Pacto Ecológico Europeu e com a estratégia do Prado ao Prato, pretende que até 2030, 25% da SAL (Superfície Agrícola Utilizada) estejam dedicados a este modo de produção sustentável. Sendo a base da Agricultura Biológica (AB) o solo e a sua fertilidade, o ecossistema envolvente e a respetiva biodiversidade, não é permitida a utilização de adubos de síntese que, a longo prazo, provocam desequilíbrios físico-químicos e microbiológicos no solo. Deve recorrer-se a outras técnicas alternativas para aumentar a fertilidade dos solos, a sua resiliência e a ciclagem dos nutrientes, tais como a utilização de corretivos orgânicos equivalentes ao composto;
ii) gestão deficiente de resíduos orgânicos – na maior parte do território nacional a gestão e tratamento de resíduos orgânicos representa um sério problema ambiental, com elevados custos, reduzindo a vida útil dos aterros sanitários, onde são maioritariamente depositados. Além disso, o encaminhamento incorreto destes resíduos constitui um risco para a saúde pública. Os resíduos orgânicos podem constituir fonte de nutrientes essenciais para a agricultura, pelo que a sua valorização ao nível local irá contribuir, por um lado, para incrementar a fertilidade dos solos e, por outro, para evitar a contaminação de meios aquáticos e outros ecossistemas, se existirem alternativas economicamente viáveis para a sua valorização;
iii) falta de soluções economicamente viáveis e seguras para o controlo eficaz de plantas exóticas invasoras aquáticas e posterior encaminhamento da biomassa resultante das intervenções – as entidades municipais, e outras com autoridade para intervenção nas massas de água, têm atravessado sérias dificuldades não só com o controlo (i.e., remoção da massa de água) mas também com o posterior destino das enormes e inestimáveis quantidades de biomassa que resultam das intervenções de remoção do meio aquático de uma das espécies exóticas invasoras que mais danos causa em Portugal – o jacinto-de-água. Esta espécie está entre as 100 piores espécies exóticas invasoras a nível mundial (identificadas na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza) e é reconhecida pela União Europeia como uma das 41 plantas exóticas invasoras preocupantes, integrando a Lista da União (Reg. EU 1143/214).
Acresce, a nível nacional, a sua inclusão na Lista Nacional de Espécies Invasoras (DL 92/2019), sendo interdita a detenção, cultivo, criação, comércio, introdução na natureza e o repovoamento com seus espécimes/propágulos viáveis. A presença do jacinto-de-água nos ecossistemas provoca enormes prejuízos económicos, ecológicos e sociais a nível mundial e no nosso território. As entidades responsáveis pela sua gestão suportam encargos financeiros avultados e precisam de soluções para valorizar o resíduo de jacinto-de-água após a sua remoção dos ecossistemas aquáticos, como forma de atenuar os custos com o seu controlo e os seus impactes negativos, e também para encontrar um destino seguro para a biomassa que ao acumular-se nas margens pode retornar ao leito, em caso de cheias, re-invadindo ou acumulando-se mais afastada da margem, acarretando não só problemas com a sua decomposição mas aumentando os custos com o seu transporte. Importa sublinhar que as soluções procuradas com este projeto contribuirão de forma inequívoca para o controlo eficaz e responsável desta espécie invasora contribuindo, a longo prazo, para a sua eliminação completa dos ecossistemas invadidos.
- Objetivos visados:
1) avaliação e monitorização da dinâmica temporal e espacial do jacinto-de água nos ecossistemas aquáticos;
2) avaliação dos subprodutos produzidos localmente nas atividades agrícolas, urbanas, agroindustriais e florestais com maior potencialidade para valorização orgânica;
3) envolvimento dos atores chave, técnicos municipais e ICNF, com responsabilidade na gestão e controlo do jacinto-de-água, e dos agricultores, o que potenciará a adoção das soluções testadas;
4) produção em ambiente industrial dos compostos orgânicos à base de resíduo de jacinto-de- água e subprodutos;
5) criação de um sistema fiável (utilizando a tecnologia de blockchain) para a monitorização dos compostos orgânicos produzidos;
6) avaliação do valor agronómico dos compostos orgânicos produzidos em culturas hortícolas, em espécies perenes habitualmente cultivadas em solos pobres e com teores baixos de matéria orgânica, bem como a capacidade de sequestro de carbono sobretudo em pastagens;
7) avaliação do nível de sustentabilidade ambiental e económica do método de produção dos compostos orgânicos;
8) avaliação técnica das barreiras legislativas existentes e desenvolvimento de estratégias para certificação e colocação dos compostos orgânicos à base de resíduo de jacinto-de-água no mercado de fertilizantes.
- Sumário do plano de ação:
Atividade 1 – Gestão do Projeto
Atividade 2 – Criação de um "plugin" com recurso a imagens aéreas e ferramentas SIG para apoio à monitorização e tomada de decisão no processo de controlo e erradicação do jacinto-de-água.
Atividade 3 –Estudo e caracterização de subprodutos com potencial para valorização conjunta com o resíduo de jacinto-de-água.
Atividade 4 –Envolvimento dos stakeholders na promoção de valorização responsável associada ao controlo do jacinto-de-água.
Atividade 5 – Produção de compostos orgânicos à base de resíduo de jacinto-de-água.
Atividade 6 – Desmaterialização do Processo de Controlo de Produção.
Atividade 7 – Ensaios de campo para aplicação agrícola dos compostos.
Atividade 8 – Avaliação do impacte ambiental e económico das soluções testadas, pela realização de processos de análise do ciclo de vida (ACV) e da avaliação de custo de ciclo de vida (ACCV) no contexto do projeto
Atividade 9 – Desenvolvimento de procedimentos legais para a colocação dos compostos orgânicos no mercado
Atividade 10 – Divulgação do projeto e disseminação dos resultados.
- Pontos de situação / Resultados:
O projeto BioComp_3.0 — focado na produção de compostos orgânicos para o controlo do jacinto-de-água e valorização de subprodutos — representou uma abordagem integrada de economia circular e gestão de espécies invasoras. Estruturado em 10 atividades interdependentes, o projeto uniu o conhecimento científico à aplicação prática no terreno.
I. Gestão e Monitorização Tecnológica (Atividades 1 e 2)
A Atividade 1 assegurou a coordenação administrativa e financeira, permitindo a coesão entre os parceiros (IPB, IPC, CG, CNA, COTHN). Seguiu-se a Atividade 2, de cariz tecnológico, liderada pelo IPB. Aqui, desenvolveu-se um "plugin" SIG gratuito que utiliza deteção remota (imagens de satélite Sentinel-2 e drones) e o índice NDVI para monitorizar a biomassa do jacinto-de-água. Apesar de constrangimentos meteorológicos em 2025 que limitaram alguns voos, a ferramenta provou ser eficaz para a tomada de decisão na gestão de infestações, como demonstrado na Estação do Foja.
II. Caracterização e Ciência de Materiais (Atividade 3)
A Atividade 3, liderada pelo IPC, focou-se na identificação de "parceiros de mistura" para o jacinto. Foram analisados 13 subprodutos (estrumes diversos, biomassa florestal, resíduos de batata, biochar, entre outros). A análise físico-química rigorosa (C/N, nutrientes e metais pesados) permitiu selecionar o jacinto-de-água, o estrume equino e a biomassa florestal como a combinação de maior potencial para um composto de alta qualidade e segurança agronómica.
III. Otimização do Processo de Compostagem (Atividades 5 e 6)
Dando continuidade à seleção de materiais, as atividades centrais de transformação focaram-se na escala técnica. Na Atividade 5, foram realizados ensaios experimentais para determinar as proporções ideais e as condições de arejamento e humidade. A Atividade 6 consolidou estes processos em escala real ou piloto, monitorizando as fases termofílicas que garantem a eliminação de sementes e propágulos do jacinto, assegurando que o produto final não contribua para a dispersão da espécie.
IV. Validação Agronómica e Valorização (Atividades 7 e 8)
Com o composto produzido, a Atividade 7 testou a eficácia do produto em culturas reais (ensaios de fitotoxicidade e crescimento vegetal), validando o seu valor como fertilizante orgânico. A Atividade 8 explorou o potencial económico e modelos de negócio para a cadeia de valor, avaliando a viabilidade da recolha, transporte e transformação do jacinto-de-água em larga escala, transformando um custo de remoção num benefício agrícola.
V. Envolvimento Social, Redes e Disseminação (Atividades 4, 9 e 10)
A componente humana foi tratada na Atividade 4, onde se realizou uma vasta sensibilização (9 ações nacionais e 2 focus groups). O inquérito nacional revelou que, embora haja interesse dos agricultores, existe o risco do uso direto da planta sem tratamento; o projeto atuou aqui como agente informador sobre os riscos de metais pesados e dispersão biológica. A Atividade 9 focou-se na criação de uma rede de parceiros responsáveis para garantir a sustentabilidade pós-projeto. Por fim, a Atividade 10 assegurou a disseminação dos resultados através de artigos científicos, conferências e manuais de boas práticas.
Conclusão
O BioComp_3.0 cumpriu todos os objetivos, demonstrando que é possível controlar uma ameaça ambiental através da sua valorização industrial. O projeto deixa como legado uma ferramenta digital de monitorização, fórmulas de compostagem testadas e uma rede de atores sensibilizados para a economia circular.
Documentos:
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
Apesar da elevada relevância estratégica dos cereais para a soberania alimentar e para a balança comercial nacional, a fileira cerealífera enfrenta constrangimentos estruturais relacionados com a fragmentação da produção, a necessidade de modernização dos processos de gestão, a digitalização, a valorização comercial e a rastreabilidade.
Neste contexto, o projeto +VALORCER surgiu como uma oportunidade para apoiar as Organizações de Produtores na identificação das suas necessidades reais, promover a capacitação técnica e organizacional e introduzir metodologias e ferramentas inovadoras que reforçassem a eficiência, a transparência e a valorização do produto ao longo da cadeia de valor, promovendo simultaneamente a cooperação entre os diferentes agentes do setor.
- Objetivos visados:
O projeto +VALORCER pretendeu:
- • Inovar na produção de cereais – preparar todo o setor para um futuro da agricultura inteligente, contribuindo para a criação de valor em toda a fileira
- • Valorizar a produção de cereais – introduzir critérios de qualidade e fazer com que o consumidor perceba e valorize a mais-valia de consumir cereais nacionais
- • Criar um esquema de rastreabilidade baseado na blockchain – implementar um sistema de registo distribuído que promove a descentralização e criptografia para reforçar a segurança
Estes objetivos visam reforçar a competitividade do setor, melhorar a organização da produção e criar bases sólidas para a adoção de práticas inovadoras com impacto a médio e longo prazo.
- Sumário do plano de ação:
O plano de ação do projeto +VALORCER desenvolve-se de forma sequencial, seguindo uma lógica de Investigação, Demonstração e Inovação (IDI), estruturada em várias fases interligadas:
- 1. Fase analítica – recolha e análise de dados, recorrendo a dados primários e secundários, bem como a processos de auscultação das OP, incluindo metodologias participativas e eventos de cocriação para alinhamento de expetativas e ambição do projeto;
- 2. Análise crítica e participativa, através da aplicação de metodologias de avaliação de maturidade organizacional, permitindo identificar necessidades, lacunas e temáticas com impacto comprovado nas organizações;
- 3. Definição de modelos de aplicabilidade, orientados para a melhoria dos processos de gestão, valorização da produção e transição digital;
- 4. Demonstração e incorporação, promovendo a aplicação prática das soluções desenvolvidas pelas OP, com enfoque na rastreabilidade, na eficiência organizacional e na valorização comercial;
- 5. Disseminação e partilha de conhecimento, através de ações de demonstração, comunicação e divulgação, assegurando a integração dos resultados nas redes de conhecimento do AKIS. Este processo procurou equilibrar a transferência de conhecimento proveniente da investigação com a aprendizagem entre pares, fomentando a troca de experiências, a capacitação contínua e a adoção de soluções ajustadas à realidade do setor.
- Pontos de situação / Resultados:
O projeto PRR +VALORCER foi concluído em dezembro de 2025, após mais de dois anos de execução, tendo permitido desenvolver, testar e consolidar um conjunto de abordagens orientadas para a modernização da organização da produção de cereais em Portugal e para o reforço das capacidades das Organizações de Produtores (OP) envolvidas. Ao longo do seu período de implementação, o projeto contribuiu para uma caracterização aprofundada dos desafios organizacionais, operacionais e estratégicos enfrentados pela fileira cerealífera, criando uma base sólida para a definição de soluções ajustadas à realidade nacional.
A fase analítica inicial e os processos de auscultação realizados junto das OP permitiram identificar lacunas e oportunidades em áreas chave como a gestão organizacional, a digitalização de processos, a rastreabilidade, a valorização comercial e a articulação entre os diferentes elos da cadeia de valor. Esta abordagem possibilitou a construção de uma visão partilhada sobre as prioridades de intervenção e a definição de referenciais comuns, essenciais para uma atuação mais coordenada e eficiente entre os diferentes agentes da fileira.
No âmbito do projeto, foram desenvolvidas e aplicadas metodologias de análise crítica e de avaliação de maturidade organizacional, que permitiram apoiar as OP na reflexão estratégica sobre os seus modelos de funcionamento e na identificação de caminhos de melhoria. Estes exercícios, aliados às ações de capacitação promovidas ao longo do projeto, evidenciaram a importância de abordagens estruturadas e participativas na promoção da mudança organizacional e na adoção de práticas inovadoras.Entre os principais resultados alcançados, destaca se a sistematização de conhecimento e de instrumentos de apoio à organização da produção de cereais, incluindo referenciais orientadores para a melhoria da eficiência da gestão, o reforço da transparência e a valorização do produto. O desenvolvimento e a aplicação de soluções associadas à rastreabilidade e à organização da informação ao longo da cadeia contribuíram para uma maior consciencialização das OP relativamente ao papel da informação e da coordenação como fatores críticos de competitividade.
As atividades de disseminação e partilha de resultados assumiram igualmente um papel central na consolidação do projeto, promovendo a troca de experiências entre técnicos, gestores e produtores e fortalecendo uma lógica de aprendizagem colaborativa. A interação entre parceiros e OP permitiu validar metodologias, adaptar soluções às especificidades de cada organização e reforçar a confiança mútua entre os diferentes intervenientes, criando condições favoráveis à continuidade das dinâmicas iniciadas.
O balanço final do projeto +VALORCER é claramente positivo. A iniciativa demonstrou que é possível integrar, de forma eficaz, diferentes setores e parceiros da fileira cerealífera, promovendo uma evolução sustentada das organizações envolvidas, sempre alinhada com os objetivos inicialmente definidos. O projeto contribuiu para o reforço da capacitação técnica e organizacional das Organizações de Produtores, dotando as de ferramentas e metodologias que permitem uma gestão mais eficiente, uma melhor compreensão dos mercados e uma maior capacidade de negociação.
Paralelamente, o +VALORCER lançou bases sólidas para a valorização dos cereais nacionais, através da incorporação de mecanismos de registo digital e de rastreabilidade, do reforço da articulação entre produtores, indústria e distribuição e do aprofundamento do conhecimento sobre a organização e funcionamento da fileira. Estes resultados constituem um contributo relevante para a modernização, resiliência e competitividade do setor dos cereais em Portugal, posicionando o +VALORCER como uma iniciativa estruturante e de elevado impacto no contexto nacional.
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
Com a industrialização da produção e a concentração da distribuição alimentar, os preços pagos aos produtores sofreram reduções significativas, tornando cada vez mais difícil a sobrevivência das explorações familiares. Um dos fatores determinantes para a sustentabilidade destes sistemas de produção é o acesso ao mercado.
Nas últimas décadas, o retalho alimentar passou por profundas transformações, impulsionadas, em grande medida, pela abertura dos mercados decorrente da adesão de Portugal à então Comunidade Europeia, bem como pela crescente predominância das grandes empresas de distribuição. Mais recentemente, estas empresas têm vindo a adotar estratégias de comercialização de produtos locais, quer através da organização de grupos de produtores, quer pela integração de pequenas produções de proximidade. Embora estas iniciativas sejam relevantes e reflitam uma mudança nas preferências dos consumidores , que valorizam cada vez mais a produção nacional e local, é pouco expectável que a lógica industrial da grande distribuição venha a privilegiar de forma consistente a produção local ou a gerar um impacto significativo na valorização da pequena agricultura.Neste contexto, o desenvolvimento de estratégias assentes em circuitos curtos de comercialização surge como uma alternativa promissora para o escoamento competitivo da produção familiar, assegurando preços mais justos tanto para agricultores como para consumidores. Tal implica uma racionalização dos processos de distribuição, com a consequente redução de intermediários.
Adicionalmente, estes circuitos permitem aos consumidores aceder a produtos locais e sazonais, contribuindo para a diminuição da pegada ecológica e para a mitigação das alterações climáticas. Esta abordagem está alinhada com a estratégia “Do Prado ao Prato”, integrada no European Green Deal, que reconhece que “novas tecnologias e descobertas científicas, combinadas com o aumento da consciência pública e da procura por alimentos sustentáveis, beneficiarão todas as partes interessadas”.
Neste enquadramento, o presente projeto propõe o desenvolvimento de uma solução digital inclusiva e acessível a todos os produtores locais, com o objetivo de promover e reforçar os circuitos curtos de comercialização. Através da valorização dos produtos locais, esta plataforma permitirá potenciar a sua promoção e venda, de forma individual ou coletiva (em comunidades), contribuindo simultaneamente para a redução dos custos de distribuição, a diminuição do desperdício alimentar e uma melhor adequação entre oferta e procura.
- Objetivos visados:
Desenvolvimento de um sistema digital open source para agregar a produção local, encurtar os circuitos de comercialização, organizando a produção familiar, a distribuição, o transporte e a entrega.
- Sumário do plano de ação:
PT1 - Gestão de Projeto: Coordenação Científica, Gestão administrativa e financeira, e Gestão da comunicação
PT2 – Sensibilização e envolvimento dos agricultores e consumidores para identificação dos requisitos do software
PT3 – Desenvolvimento e monitorização da solução Agrovila
PT4 – Modelo de Negócio
PT5 – Desenvolvimento de manuais e materiais de apoio à formação
PT6 – Formação e capacitação
PT7 - Comunicação e disseminação
- Pontos de situação / Resultados:
O projeto foi concluído, tendo sido alcançadas todas as metas propostas no plano de ação.
Foram encontradas e aplicadas soluções adequadas à criação de vilas, respondendo às necessidades identificadas em cada um dos projetos piloto. Os requisitos do software foram identificados e implementados no desenho da plataforma Agrovila e estão patentes nos manuais de instalação e guias de dinamização dos projetos piloto. Foram realizadas15 ações de formação de agricultores e técnicos no uso e divulgação da plataforma.
A plataforma Agrovila está funcional e operativa em contextos reais, tendo sido já utilizada e testada em 5 projetos piloto no terreno que constituem a base das futuras vilas. A plataforma está preparada para integrar outras vilas que possam surgir na sequência da implementação deste projeto.
É de sublinhar que, como toda a ferramenta tecnológica, está sujeita a atualizações (de segurança e de software), mas este ponto não impede o seu funcionamento. Prevê-se, também, crescimento em dimensão e otimização de funcionalidades para responder às necessidades futuras, quer em número de participantes, quer em número de produtos disponíveis.
Em termos da proposta de modelo de negócio, encontram-se identificadas as possibilidades/caminhos que permitem a viabilidade e continuidade do projeto Agrovila, quer a nível de entidade gestora (Enquadramento Jurídico da Descrição do Modelo de Negócio), quer a nível de viabilidade e sustentabilidade económica (Descrição do Modelo de Negócio).
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
Nos últimos anos, tem-se verificado uma progressiva erosão da diversidade agrícola, em particular no que respeita às variedades tradicionais de cereais, como o trigo, o centeio e o milho. A intensificação da agricultura e a adoção de variedades melhoradas, orientadas para elevados rendimentos e uniformidade produtiva, conduziram ao abandono de muitas populações locais, resultando na perda de recursos genéticos e do conhecimento associado às práticas agrícolas tradicionais.
Paralelamente, observa-se um afastamento crescente entre os sistemas de produção agrícola e os padrões de consumo, com predominância de produtos alimentares padronizados, frequentemente pouco diferenciados do ponto de vista nutricional e sensorial. Esta realidade limita a valorização de produtos locais e tradicionais, contribuindo para a fragilização das economias rurais e para a redução da diversidade alimentar.
Neste contexto, os cereais tradicionais representam uma oportunidade estratégica, não só pela sua adaptação a condições edafoclimáticas específicas e pelo seu potencial contributo para sistemas agrícolas mais resilientes, mas também pelo seu valor cultural, gastronómico e nutricional. A sua reintrodução na cadeia de valor pode contribuir para a promoção de uma alimentação mais sustentável, alinhada com os princípios da Dieta Mediterrânica, e para a dinamização de mercados locais e de nicho.Contudo, persistem limitações ao nível do conhecimento científico sobre estas variedades, da sua caracterização agronómica e tecnológica, da organização da cadeia de valor e da sua valorização junto dos consumidores. Adicionalmente, verifica-se a necessidade de reforçar a ligação entre produtores, transformadores e consumidores, bem como de desenvolver estratégias de comunicação e sensibilização que promovam a procura destes produtos.
Assim, o projeto CERTRA surge como resposta a este conjunto de desafios, propondo uma abordagem integrada que combina investigação científica, experimentação agronómica, desenvolvimento de produtos, valorização cultural e ações de sensibilização, com vista à recuperação e valorização dos cereais tradicionais portugueses e à promoção de sistemas alimentares mais sustentáveis e resilientes.
- Objetivos visados:
- Valorizar os cereais tradicionais portugueses, promovendo a sua integração em cadeias de valor sustentáveis e alinhadas com a Dieta Mediterrânica;
- Caracterizar e avaliar variedades tradicionais do ponto de vista agronómico, genético e tecnológico, evidenciando o seu potencial produtivo e alimentar;
- Desenvolver e testar produtos alimentares diferenciados, reforçando a sua valorização económica e a ligação ao mercado;
- Promover a articulação entre os agentes da cadeia de valor e sensibilizar os consumidores, contribuindo para o aumento da produção e consumo de cereais tradicionais.
- Sumário do plano de ação:
O plano de ação do projeto CERTRA estruturou-se numa abordagem integrada ao longo de toda a cadeia de valor dos cereais tradicionais, desde a produção até ao consumo. Incluiu a identificação e caracterização de populações tradicionais de trigo, centeio e milho, a realização de ensaios agronómicos em diferentes regiões e a análise da qualidade tecnológica e nutricional das farinhas, incluindo a comparação com farinhas comerciais.
Paralelamente, foram desenvolvidos e testados produtos alimentares inovadores, baseados em cereais tradicionais, e promovida a sua valorização junto de transformadores e consumidores. O plano integrou ainda a compilação de técnicas culturais e a valorização do património gastronómico, através da preparação de receitas tradicionais.
Foram igualmente implementadas ações de formação, comunicação e sensibilização dirigidas a produtores, técnicos, estudantes e consumidores, bem como iniciativas de dinamização da cadeia de valor, promovendo a articulação entre os diferentes intervenientes.
De forma global, o plano de ação visou criar condições para a valorização sustentável dos cereais tradicionais, reforçando a sua produção, transformação e consumo.
- Pontos de situação / Resultados:
O projeto CERTRA apresentou um elevado grau de execução, tendo sido cumpridos ou superados a maioria dos objetivos e indicadores inicialmente definidos.
Ao nível científico e técnico, foram identificadas e caracterizadas mais de 64 populações de cereais tradicionais (trigo, centeio e milho), tendo sido realizados ensaios agronómicos em diferentes regiões do país e efetuadas análises genéticas, tecnológicas e nutricionais. Destaca-se ainda o estudo de farinhas, incluindo ≥ 64 cereais ensaiados e ≥ 60 farinhas comerciais, permitindo uma comparação abrangente e o desenvolvimento de metodologias de autenticidade.
No domínio da valorização e inovação, foram desenvolvidos e testados mais de 12 produtos alimentares à base de cereais tradicionais, os quais foram avaliados do ponto de vista tecnológico e sensorial, demonstrando o seu potencial para o mercado.
Relativamente à cadeia de valor, o projeto envolveu mais de 25 entidades, promovendo a articulação entre produtores, transformadores e consumidores, bem como a criação da marca CERTRA, contribuindo para a valorização e visibilidade dos produtos.
Foram ainda realizadas diversas ações de formação, comunicação e sensibilização, incluindo eventos, workshops, visitas técnicas e campanhas dirigidas a diferentes públicos-alvo, reforçando a literacia alimentar e a valorização dos cereais tradicionais.
De forma global, o projeto contribuiu para a preservação da biodiversidade agrícola, a valorização do património alimentar e o desenvolvimento de sistemas alimentares mais sustentáveis, criando bases para a continuidade e expansão da produção de cereais tradicionais em Portugal.
- Área Geográfica de Intervenção: Portugal
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
A indústria agroalimentar gera uma vasta gama de coprodutos que, se não aproveitados, tornam-se resíduos. Reduzir o desperdício alimentar nas etapas iniciais da cadeia pode diminuir significativamente os recursos consumidos na produção de alimentos, especialmente de proteínas de elevado valor biológico de origem animal. No entanto, falta informação consolidada sobre a quantidade, tipo, distribuição geográfica e sazonalidade desses coprodutos com valor nutricional para alimentação animal. Além disso, a dependência de matérias-primas de países terceiros, com a consequente pegada ambiental da importação, e a instabilidade dos preços internacionais, causam incerteza nos setores de alimentação humana e animal. A procura por cadeias de abastecimento mais curtas, com menor impacto ambiental, é crucial para aumentar a autossuficiência nacional. Combater o desperdício de alimentos traz benefícios triplos: economiza alimentos para consumo humano, beneficia os produtores e consumidores economicamente, e reduz o impacto ambiental da produção e consumo de alimentos.
- Objetivos visados:
Contribuir para a economia circular e para a diminuição da pegada ambiental, através da valorização de coprodutos da indústria agroalimentar, como matérias-primas para a produção de alimentos compostos.
- Sumário do plano de ação:
O plano de ação pretende valorizar subprodutos da agroindústria na alimentação animal, reduzindo custos e o impacto ambiental, sobretudo as emissões de metano. Inclui o mapeamento e caracterização desses subprodutos, analisando a sua composição, disponibilidade, armazenamento e valor nutricional, bem como métodos de conservação. Em seguida, avalia-se o impacto ambiental dos alimentos com e sem subprodutos, através da análise do ciclo de vida e da quantificação de gases com efeito de estufa. Visa ainda identificar e testar substâncias com potencial de mitigação do metano, analisando a sua eficácia em laboratório e na microbiota do rúmen. Posteriormente, desenvolvem-se formulações alimentares testadas em bovinos e ovinos, avaliando o desempenho produtivo e as emissões. Por fim, os resultados permitem otimizar as formulações, apoiar bases de dados de emissões e avaliar a viabilidade económica da substituição de matérias-primas convencionais.
- Pontos de situação / Resultados:
Foi efetuado o mapeamento de coprodutos e realizada a sua análise nutricional, concluindo-se que existe uma quantidade considerável de coprodutos para valorizar em alimentação animal. A secagem mostrou-se viável para conservação, mas exige otimização, especialmente para materiais com muita humidade.
A incorporação dos coprodutos nas dietas não prejudicou o desempenho ambiental das dietas, reforçando a importância de avaliações como a pegada de carbono. Os ensaios com animais indicaram boa aceitação e ausência de impactos negativos na produção, além de uma redução significativa das emissões de metano, sobretudo em níveis mais elevados de inclusão — com efeitos dependentes da dose.
Destaca-se ainda o potencial de valorização adicional, como a produção de carvões ativados a partir de bagaço de maçã para captura de gases.
No geral, o projeto confirma que o uso destes subprodutos é uma estratégia-chave para sistemas agropecuários mais sustentáveis, circulares e resilientes.
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