BioComp_3.0
- Entidade líder do projeto: Instituto Politécnico de Bragança
- Responsável pelo projeto: Manuel Ângelo Rodrigues
- Site do projeto: Visitar sítio Web
- Parceiros:
- Colina Generosa (CG)
- Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN – CC)
- Instituto Politécnico de Coimbra (ESAC-IPC)
- Leal & Soares S.A.
- Confederação Nacional da Agricultura (CNA)
- Universidade da Madeira (UMa)
- Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro (CCDRC)
- Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM RC)
- FG - Formação Gestão e Desenvolvimento Rural, Lda (FG)
- Paisagem Silvestre; Carla Maçoas; João Dias
- Breve descrição:
Com a realização deste projeto pretendemos:
- Solucionar a problemática relacionada com a biomassa do jacinto-de-água resultante do processo de controlo desta invasora;
- Dar um destino útil e acrescentar valor aos subprodutos agropecuários, florestais e agroindustriais;
- Criar um fertilizante/corretivo orgânico .
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
BioComp_3.0 identifica três problemas fundamentais relacionados com:
i) a baixa fertilidade dos solos - o crescimento exponencial da população mundial que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) obrigará a um aumento de produção de alimentos de 70% até 2050, tem conduzido a práticas agrícolas muito intensivas, muito exigentes em fatores de produção, que têm conduzido a uma muito rápida degradação dos solos (com a consequente diminuição da produtividade e do rendimento agrícola) na Europa, especialmente nos países do sul cujo clima favorece a perda de matéria orgânica, nos quais está incluído Portugal. Para combater este problema, tem vindo a incentivar-se a adoção de sistemas de produção que promovam o uso sustentável dos recursos naturais, tais como o Modo de Produção Biológica (MPB), Agricultura Biodinâmica, Agricultura Sintrópica, Sistemas de Sequeiro, Sistemas Agroflorestais ou Agrosilvopastoris e tantos outros sustentados nos princípios agroecológicos. A Comissão Europeia, através do Plano de Ação para a Produção em Modo Biológico, que está em sintonia com o Pacto Ecológico Europeu e com a estratégia do Prado ao Prato, pretende que até 2030, 25% da SAL (Superfície Agrícola Utilizada) estejam dedicados a este modo de produção sustentável. Sendo a base da Agricultura Biológica (AB) o solo e a sua fertilidade, o ecossistema envolvente e a respetiva biodiversidade, não é permitida a utilização de adubos de síntese que, a longo prazo, provocam desequilíbrios físico-químicos e microbiológicos no solo. Deve recorrer-se a outras técnicas alternativas para aumentar a fertilidade dos solos, a sua resiliência e a ciclagem dos nutrientes, tais como a utilização de corretivos orgânicos equivalentes ao composto;
ii) gestão deficiente de resíduos orgânicos – na maior parte do território nacional a gestão e tratamento de resíduos orgânicos representa um sério problema ambiental, com elevados custos, reduzindo a vida útil dos aterros sanitários, onde são maioritariamente depositados. Além disso, o encaminhamento incorreto destes resíduos constitui um risco para a saúde pública. Os resíduos orgânicos podem constituir fonte de nutrientes essenciais para a agricultura, pelo que a sua valorização ao nível local irá contribuir, por um lado, para incrementar a fertilidade dos solos e, por outro, para evitar a contaminação de meios aquáticos e outros ecossistemas, se existirem alternativas economicamente viáveis para a sua valorização;
iii) falta de soluções economicamente viáveis e seguras para o controlo eficaz de plantas exóticas invasoras aquáticas e posterior encaminhamento da biomassa resultante das intervenções – as entidades municipais, e outras com autoridade para intervenção nas massas de água, têm atravessado sérias dificuldades não só com o controlo (i.e., remoção da massa de água) mas também com o posterior destino das enormes e inestimáveis quantidades de biomassa que resultam das intervenções de remoção do meio aquático de uma das espécies exóticas invasoras que mais danos causa em Portugal – o jacinto-de-água. Esta espécie está entre as 100 piores espécies exóticas invasoras a nível mundial (identificadas na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza) e é reconhecida pela União Europeia como uma das 41 plantas exóticas invasoras preocupantes, integrando a Lista da União (Reg. EU 1143/214).
Acresce, a nível nacional, a sua inclusão na Lista Nacional de Espécies Invasoras (DL 92/2019), sendo interdita a detenção, cultivo, criação, comércio, introdução na natureza e o repovoamento com seus espécimes/propágulos viáveis. A presença do jacinto-de-água nos ecossistemas provoca enormes prejuízos económicos, ecológicos e sociais a nível mundial e no nosso território. As entidades responsáveis pela sua gestão suportam encargos financeiros avultados e precisam de soluções para valorizar o resíduo de jacinto-de-água após a sua remoção dos ecossistemas aquáticos, como forma de atenuar os custos com o seu controlo e os seus impactes negativos, e também para encontrar um destino seguro para a biomassa que ao acumular-se nas margens pode retornar ao leito, em caso de cheias, re-invadindo ou acumulando-se mais afastada da margem, acarretando não só problemas com a sua decomposição mas aumentando os custos com o seu transporte. Importa sublinhar que as soluções procuradas com este projeto contribuirão de forma inequívoca para o controlo eficaz e responsável desta espécie invasora contribuindo, a longo prazo, para a sua eliminação completa dos ecossistemas invadidos.
- Objetivos visados:
1) avaliação e monitorização da dinâmica temporal e espacial do jacinto-de água nos ecossistemas aquáticos;
2) avaliação dos subprodutos produzidos localmente nas atividades agrícolas, urbanas, agroindustriais e florestais com maior potencialidade para valorização orgânica;
3) envolvimento dos atores chave, técnicos municipais e ICNF, com responsabilidade na gestão e controlo do jacinto-de-água, e dos agricultores, o que potenciará a adoção das soluções testadas;
4) produção em ambiente industrial dos compostos orgânicos à base de resíduo de jacinto-de- água e subprodutos;
5) criação de um sistema fiável (utilizando a tecnologia de blockchain) para a monitorização dos compostos orgânicos produzidos;
6) avaliação do valor agronómico dos compostos orgânicos produzidos em culturas hortícolas, em espécies perenes habitualmente cultivadas em solos pobres e com teores baixos de matéria orgânica, bem como a capacidade de sequestro de carbono sobretudo em pastagens;
7) avaliação do nível de sustentabilidade ambiental e económica do método de produção dos compostos orgânicos;
8) avaliação técnica das barreiras legislativas existentes e desenvolvimento de estratégias para certificação e colocação dos compostos orgânicos à base de resíduo de jacinto-de-água no mercado de fertilizantes.
- Sumário do plano de ação:
Atividade 1 – Gestão do Projeto
Atividade 2 – Criação de um "plugin" com recurso a imagens aéreas e ferramentas SIG para apoio à monitorização e tomada de decisão no processo de controlo e erradicação do jacinto-de-água.
Atividade 3 –Estudo e caracterização de subprodutos com potencial para valorização conjunta com o resíduo de jacinto-de-água.
Atividade 4 –Envolvimento dos stakeholders na promoção de valorização responsável associada ao controlo do jacinto-de-água.
Atividade 5 – Produção de compostos orgânicos à base de resíduo de jacinto-de-água.
Atividade 6 – Desmaterialização do Processo de Controlo de Produção.
Atividade 7 – Ensaios de campo para aplicação agrícola dos compostos.
Atividade 8 – Avaliação do impacte ambiental e económico das soluções testadas, pela realização de processos de análise do ciclo de vida (ACV) e da avaliação de custo de ciclo de vida (ACCV) no contexto do projeto
Atividade 9 – Desenvolvimento de procedimentos legais para a colocação dos compostos orgânicos no mercado
Atividade 10 – Divulgação do projeto e disseminação dos resultados.
- Pontos de situação / Resultados:
O projeto BioComp_3.0 — focado na produção de compostos orgânicos para o controlo do jacinto-de-água e valorização de subprodutos — representou uma abordagem integrada de economia circular e gestão de espécies invasoras. Estruturado em 10 atividades interdependentes, o projeto uniu o conhecimento científico à aplicação prática no terreno.
I. Gestão e Monitorização Tecnológica (Atividades 1 e 2)
A Atividade 1 assegurou a coordenação administrativa e financeira, permitindo a coesão entre os parceiros (IPB, IPC, CG, CNA, COTHN). Seguiu-se a Atividade 2, de cariz tecnológico, liderada pelo IPB. Aqui, desenvolveu-se um "plugin" SIG gratuito que utiliza deteção remota (imagens de satélite Sentinel-2 e drones) e o índice NDVI para monitorizar a biomassa do jacinto-de-água. Apesar de constrangimentos meteorológicos em 2025 que limitaram alguns voos, a ferramenta provou ser eficaz para a tomada de decisão na gestão de infestações, como demonstrado na Estação do Foja.
II. Caracterização e Ciência de Materiais (Atividade 3)
A Atividade 3, liderada pelo IPC, focou-se na identificação de "parceiros de mistura" para o jacinto. Foram analisados 13 subprodutos (estrumes diversos, biomassa florestal, resíduos de batata, biochar, entre outros). A análise físico-química rigorosa (C/N, nutrientes e metais pesados) permitiu selecionar o jacinto-de-água, o estrume equino e a biomassa florestal como a combinação de maior potencial para um composto de alta qualidade e segurança agronómica.
III. Otimização do Processo de Compostagem (Atividades 5 e 6)
Dando continuidade à seleção de materiais, as atividades centrais de transformação focaram-se na escala técnica. Na Atividade 5, foram realizados ensaios experimentais para determinar as proporções ideais e as condições de arejamento e humidade. A Atividade 6 consolidou estes processos em escala real ou piloto, monitorizando as fases termofílicas que garantem a eliminação de sementes e propágulos do jacinto, assegurando que o produto final não contribua para a dispersão da espécie.
IV. Validação Agronómica e Valorização (Atividades 7 e 8)
Com o composto produzido, a Atividade 7 testou a eficácia do produto em culturas reais (ensaios de fitotoxicidade e crescimento vegetal), validando o seu valor como fertilizante orgânico. A Atividade 8 explorou o potencial económico e modelos de negócio para a cadeia de valor, avaliando a viabilidade da recolha, transporte e transformação do jacinto-de-água em larga escala, transformando um custo de remoção num benefício agrícola.
V. Envolvimento Social, Redes e Disseminação (Atividades 4, 9 e 10)
A componente humana foi tratada na Atividade 4, onde se realizou uma vasta sensibilização (9 ações nacionais e 2 focus groups). O inquérito nacional revelou que, embora haja interesse dos agricultores, existe o risco do uso direto da planta sem tratamento; o projeto atuou aqui como agente informador sobre os riscos de metais pesados e dispersão biológica. A Atividade 9 focou-se na criação de uma rede de parceiros responsáveis para garantir a sustentabilidade pós-projeto. Por fim, a Atividade 10 assegurou a disseminação dos resultados através de artigos científicos, conferências e manuais de boas práticas.
Conclusão
O BioComp_3.0 cumpriu todos os objetivos, demonstrando que é possível controlar uma ameaça ambiental através da sua valorização industrial. O projeto deixa como legado uma ferramenta digital de monitorização, fórmulas de compostagem testadas e uma rede de atores sensibilizados para a economia circular.
Documentos:














