Inovação para a Agricultura

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Do Conceito à Abordagem Uma Só Saúde. Perspetivas e experiências iNTEgradas no Alentejo em rede para o Mundo num processo top-down – CANTE: Linha de Ação 2.1

  • Entidade líder do projeto: Universidade de Évora
  • Responsável pelo projeto: Manuela Morais
  • Site do projeto: Visitar sítio Web
  • Parceiros:

    Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge - INSA; Associação Nacional de Criadores de Porco Alentejano - ANCPA; Agrupamento de Produtores de Arroz do Vale do Sado Lda - APArroz; Porcos Natura; Ibero Massa Florestal - Imflorestal; Centro Operativo e Tecnológico do Arroz - COTArroz; Centro de Competências das Plantas Aromáticas, Medicinais e Condimentares - CCPAM; Câmara Municipal de Évora - CMÉvora; NaturaM3.

  • Breve descrição:

    O Projeto CANTE pretende responder aos desafios colocados pela degradação dos ecossistemas e pelas alterações na alimentação humana e animal, que têm impactos significativos na saúde pública, na biodiversidade e na sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

    Assente na abordagem Uma Saúde (One Health), o projeto visa integrar as dimensões da saúde humana, animal e ambiental, promovendo soluções que reforcem a resiliência dos ecossistemas e a inovação agrícola. Para colmatar a atual falta de amostras emparelhadas e de bases de dados integradas, o CANTE criou um repositório físico (Biobanco) e digital (Base de Dados) que reforcem a interoperabilidad, gestão de sistemas epidemiológicos de vigilância, controlo e que perdurem para além do fim do projeto

    A implementação do projeto foi demonstrada através de dois casos de estudo: a produção de arroz e a produção de porco preto.

     

  • Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:

    As políticas europeias e internacionais reforçam a necessidade de uma abordagem integrada e interdisciplinar para responder aos desafios da agricultura, biodiversidade, ambiente e saúde, alinhada com o conceito Uma Só Saúde (One Health). Esta perspetiva reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental, promovendo soluções inovadoras que reforcem a resiliência dos sistemas, a conservação da biodiversidade, os serviços dos ecossistemas e a transição para uma economia circular de baixo carbono.

    Apesar do reconhecimento deste paradigma, persistem limitações relacionadas com abordagens disciplinares isoladas, diferentes perceções dos problemas entre setores, falta de formação interdisciplinar e ausência de sistemas integrados de recolha de dados e amostras.

    Para ultrapassar estas limitações, a proposta prevê a criação de uma base de dados e de um biobanco, destinados a melhorar a interoperabilidade e os sistemas de vigilância epidemiológica, garantindo a sua continuidade para além do projeto. A operacionalização destas estruturas será demonstrada através de dois casos de estudo relevantes para Portugal e para o Alentejo: a produção de arroz e a produção de porco alentejano, permitindo desenvolver metodologias harmonizadas de recolha de dados e amostras humanas, animais e ambientais.

    A proposta organiza-se em quatro objetivos principais: implementar modelos de governança participativa, promover práticas inovadoras para a transição agroecológica e a redução da resistência aos antimicrobianos, criar sistemas de biomonitorização com base de dados e biobanco para apoiar a vigilância e previsão de doenças emergentes, e impulsionar a transição digital e a educação em Uma Só Saúde, promovendo uma abordagem inclusiva e integrada.

    A proposta promove uma abordagem integrada baseada no conceito Uma Só Saúde, articulando saúde humana, animal e ambiental para responder aos desafios da agricultura, biodiversidade e saúde pública. Para isso, prevê a criação de uma base de dados e de um biobanco, apoiados por dois casos de estudo (produção de arroz e porco alentejano), com o objetivo de melhorar a vigilância epidemiológica, harmonizar a recolha de dados e promover práticas inovadoras, governança participativa e transição digital.

     

  • Objetivos visados:
    • • Promover a utilização de variedades de arroz adaptadas às condições edafoclimáticas, com menor suscetibilidade a doenças e maior capacidade de resposta às ameaças decorrentes das alterações climáticas.
    • • Avaliar práticas inovadoras que promovam a adaptação da produção de arroz às ameaças emergentes, contribuindo para a redução da incidência de pragas e doenças.
    • • Avaliar o potencial da utilização de plantas aromáticas no controlo de vetores, na mitigação da resistência aos antimicrobianos (RAM) e na melhoria da qualidade da carne de porco preto.
    • • Promover a implementação de práticas inovadoras para o tratamento de efluentes, contribuindo para a sustentabilidade ambiental dos sistemas de produção.
    • • Promover a divulgação e a transferência de conhecimento e de práticas sustentáveis para os diferentes agentes do setor.

     

  • Sumário do plano de ação:

    Inicialmente foram selecionadas as variedades nacionais Caravela e Ceres, bem como a variedade italiana Ariete. A variedade Caravela foi selecionada para o desenvolvimento do pão de arroz CANTE, por apresentar disponibilidade comercial suficiente para a produção de farinha. Para avaliação de práticas de produção alternativas foram realizados, ensaios de campo com recurso à aplicação de biochar e experimentadas práticas alternativas de rega (aspersão e por pivot).

    No que se relaciona com o caso de estudo porco alentejano, foi experimentada a utilização de duas espécies aromáticas Origanum vulgare (orégãos) e Ruta graveolens (arruda), como alternativa sustentável para o controlo de vetores em sistemas de produção de porco alentejano produzido de forma extensiva. No âmbito da implementação de soluções inovadoras para o tratamento de efluentes pecuários, foram realizados ensaios experimentais que permitiram avaliar o desempenho do biochar no tratamento da fase líquida do chorume.

    No início do projeto foi desenvolvida a identidade visual do projeto e criada a marca NEOCANTE. Foi igualmente criado o sítio web do projeto. Complementarmente, foi concebida e apresentada (em fase final de execução) uma instalação artística dedicada ao conceito Uma Só Saúde, inaugurada na Universidade de Évora em setembro de 2025, com o objetivo de sensibilizar a comunidade, em particular os jovens, para a adoção de práticas mais sustentáveis e inovadoras, reforçando a disseminação dos resultados e o impacto do projeto.

     

  • Pontos de situação / Resultados:

    Caso de Estudo Produção de Arroz: Na promoção da utilização de variedade de arroz adaptadas às condições edafoclimáticas, foi proposto pelo parceiro COTArroz, a utilização das variedades nacionais Caravela e Ceres e da variedade italiana Ariete. Refira-se que as duas primeiras foram desenvolvidas pelo Programa Nacional de Melhoramento do Arroz e estão inscritas no Catálogo Nacional de variedades.

    A variedade nacional Caravela foi escolhida para a realização do pão de arroz com marca CANTE, uma vez que esta variedade já se encontra no mercado, estando disponível maior quantidade arroz para a transformação em farinha, essencial para a fabricação do pão. Refira-se que o pão de arroz com a marca CANTE foi desenvolvido especificamente para o projeto pela padaria Faustino & Laranjeiro (F&L). Este produto (indicador de projeto) foi desenvolvido em duas fases: I) em fevereiro de 2025, foram realizados vários testes de fabricação; II) no mês seguinte, em março de 2025, foi apresentada a versão final, com 40% de farinha de arroz Caravela e fermentação natural.

    Foram realizados dois ensaios de campo nos anos agrícolas de 2024 e 2025, com utilização de biochar e práticas alternativas de rega (respetivamente rega por aspersão e por pivot).
    Os resultados obtidos em 2024 apontam para uma produção de cerca de 7 t/ha, ligeiramente acima da média de produção nacional em canteiros tradicionais com alagamento de água, que segundo os dados do GPP (Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral) e INE (Instituto Nacional de Estatística) é de 6 t/ha. A percentagem de grãos atingiu valores sempre acima de 55%. As diferenças entre canteiros com biochar e sem biochar não foram estatisticamente significativas, sendo este resultado expectável, uma vez que o efeito do biochar na melhoria da estrutura do solo se verifica a longo prazo.

    Os resultados obtidos em 2025 corroboram as produções obtidas no ensaio realizado no ano anterior. A produção média para as 5 variedades testadas foi de 7,42 t/ha. A variedade que demonstrou maior produtividade foi a Caravela com uma média de 9,61 t/ha, superior em 3 toneladas à média nacional. A percentagem de grãos inteiros foi equivalente à obtida no ano anterior, ou seja, superior a 55%. Tal como no ensaio do ano anterior, as diferenças entre canteiros com e sem biochar não forma estatisticamente significativas. Este resultado era expectável, uma vez que o efeito do biochar na estrutura do solo se verifica a longo prazo.

    Caso de Estudo Porco Alentejano: nos ensaios realizados em 2024 e 2025 verifou-se que relativamente às larvas, a arruda apresentou maior poder repelente. Por ordem decrescente de larvas de insetos identificadas, refiram-se: Culiseta longiareolata; Culex pipiens; e Culex sp., para ambos os anos. Para os adultos, as espécies mais abundantes por ordem decrescente foram Culex pipiens e Culex theileri. Neste caso, o efeito repelente das espécies de plantas testadas, não pareceu ser evidente, destacando-se, contudo, com maior relevância os canteiros com orégãos.
    No âmbito da implementação de soluções inovadoras para o tratamento de efluentes pecuários, os resultados obtidos nos ensaios com chorume, evidenciaram flutuações nas concentrações da maioria dos parâmetros analisados. No entanto, apesar desta variabilidade, observou-se uma tendência global para a redução das concentrações dos constituintes do chorume ao longo dos diferentes momentos de testagem.

    Este comportamento sugere que os mecanismos de remoção são fortemente dependentes do tempo de contacto efetivo entre o chorume e o Biochar, bem como do grau de saturação progressiva do material adsorvente.

    Divulgação e transferência de práticas sustentáveis: Foi desenvolvida a identidade visual do projeto, criada a marca NEOCANTE e o sítio web do projeto. Em fase final de execução foi criada uma instalação artística dedicada ao conceito Uma Só Saúde, inaugurada na Universidade de Évora em setembro de 2025, com o objetivo de sensibilizar a comunidade, em particular os jovens, para a adoção de práticas mais sustentáveis e inovadoras, reforçando a disseminação dos resultados e o impacto do projeto.

    NEOCANTE - Caderno Boas Práticas