Inovação para a Agricultura

S1.png
previous arrow
next arrow
Rede Rural Nacional - Página do Facebook Rede Rural Nacional - Página do Twitter https://www.instagram.com/rederuralnacional/ Rede Rural Nacional - Canal Youtube

Agri-Plast: Organização da Produção e Inovação para a Redução de Plásticos Agrícolas

  • Entidade líder do projeto: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCT)
  • Responsável pelo projeto: Maria da Graça Martinho
  • Site do projeto: Visitar sítio Web
  • Parceiros:
    • Universidade Nova de Lisboa (NOVA: Faculdade de Ciências e Tecnologia (NOVA-FCT) e Instituto de Tecnologia Química e Biológica (NOVA-ITQB)
    • Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. (INIAV)
    • Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP)
    • Direção Regional da Agricultura e Pescas da Região de Lisboa e Vale do Tejo (DRAPLVT)
    • Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP)
    • Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN-CC)
    • AlenSado – Cooperativa Agrícola do Sado, CRL
    • Madrefruta, Centro de Vendas e Hortofrutícolas, Lda
    • Kiwi Greensun - Conservação e Comercialização de Fruta, S.A.
    • Henrique Silvestre Ferreira
    • Berrysmart
    • BeiraBaga
    • Agrícola Famosa (entre o Rio Grande do Norte e Ceará)
    •  
  • Breve descrição:

    O Projeto Agri-Plast: Organização da Produção e Inovação para a Redução de Plásticos Agrícolas, teve como objetivo, contribuir para a resolução do problema nacional dos resíduos de plásticos de uso agrícola (RPUA). Propondo-se a encontrar soluções (organizacionais e económicas), adaptadas e co-construídas com os produtores de diferentes setores agrícolas, que utilizam filmes plásticos nas suas explorações (estufas, túneis e cobertura do solo), que lhes permitam uma gestão dos seus RPUA de forma mais eficiente, com menos impactes ambientais e, consequentemente, uma produção mais sustentável e competitiva.

    O projeto contribuiu desta forma para a organização da produção e para a sua capacitação no que respeita às políticas de sustentabilidade. Projeto este, financiado pelo PRR e coordenado pelo NOVA FCT, sob a responsabilidade científica da Professora Graça Martinho. A problemática dos PUA é um problema que exige uma mudança de comportamentos dos produtores agrícolas que os utilizam como um recurso para as suas produções, adotando boas práticas nas fases de compra dos PUA (mais reciclados, recicláveis e bioplásticos), de uso (garantir maior duração e menor contaminação) e de destino pós-uso (limpeza e armazenamento dos mesmos, seguidos de envio para destino final, nomeadamente a reciclagem).  

    De acordo com o modelo comportamental COM-B, o comportamento tem três dimensões: a capacitação (i.e. informação e conhecimentos necessários para realizar o comportamento), a oportunidade (i.e. condições externas que facilitem a adoção do comportamento) e a motivação (i.e. medidas adaptadas aos produtores agrícolas que os motivem para a adoção de boas práticas).  

    O projeto procura desenvolver as estratégias que atuem nestas três dimensões, necessárias à mudança comportamental, designadamente: as atividades previstas no plano de ação 10.2.3 (Capacitação), para a qual contribuem as atividades 10.2.2 (Diagnóstico) e 10.2.4 (Experimentação), atuam na componente comportamental Capacitação, todas elas Atividades pertencentes à Linha de Ação 10.2 - Capacitação; as atividades previstas em 10.5.2 (Modelo) atuam sobre a componente Oportunidade; e as atividades previstas no 10.5.3 (Políticas) atuam na componente Motivação, respondendo ambas à Linha de Ação 10.5 - Inovação organizacional. O projeto contou com o envolvimento de um consórcio de 13 parceiros e conta ainda com a cooperação transnacional de uma empresa agrícola e uma Comissão de Acompanhamento. 

  • Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:

    Encontrar soluções (organizacionais e económicas), adaptadas e co-construídas com os produtores dos setores frutícola, hortícola e vitivinícola, que utilizam filmes plásticos nas suas explorações, que lhes permitam uma gestão dos seus resíduos de plástico de uso agrícola (RPUA) de forma mais eficiente, com menos impactes ambientais e, consequentemente, uma produção mais sustentável e competitiva, contribuindo para a sua capacitação no que respeita às políticas de sustentabilidade.

  • Objetivos visados:

    1) Concentrar a produção para melhorar a capacidade negocial dos produtores:

    Sensibilizar e capacitar as organizações de produção para, de forma colaborativa (em rede), melhorarem a sua capacidade negocial para a inovação sustentável, tendo em conta o efeito dos plásticos de uso agrícola (PUA) de origem fóssil e biodegradáveis na qualidade do solo, água de rega, desenvolvimento de plantas-alvo e qualidade dos frutos:

    • i) adquirirem plásticos de uso agrícola (PUA) mais reciclados, recicláveis e biodegradáveis, aos melhores preços de mercado;  
    • ii) adotarem boas práticas na fase de uso dos PUA (prolongar o tempo de vida útil e reduzir os contaminantes);  
    • iii) exigirem condições mais vantajosas e de valor acrescentado para os RPUA (recolha e reciclagem), permitindo, ainda, a concentração da oferta de produtos agrícolas mais sustentáveis.

    2) Fomentar a inovação organizacional: Criar as condições inovadoras favoráveis à organização da produção para a resolução do seu problema comum (os PUA), com a criação de um modelo organizacional e económico para os RPUA e de recomendações para políticas e instrumentos que promovam a adoção das boas práticas que lhe ficam associadas.

     

  • Sumário do plano de ação:

    Atividade 10.2.1 e 10.5.1 Coordenação

    Atividade 10.2.5 e 10.5.4 Comunicação

    Atividade 10.2.2 Diagnosticar o problema dos plásticos de uso agrícola

    • Tarefa 10.2.2.1 Diagnóstico do mercado dos PUA  
    • Tarefa 10.2.2.2 Impactes dos RPUA  
    • Tarefa 10.2.2.3 Biodegradabilidade dos PUA e reciclagem dos RPUA  

    Atividade 10.2.3 Capacitação, sensibilização e envolvimento dos stakeholders  

    • Tarefa 10.2.3.1 Capacitação e sensibilização dos produtores utilizadores de PUA  
    • Tarefa 10.2.3.2 Workshops participativos, associados às atividades 10.2.2, 10.2.4 e 10.5.2  

    Atividade 10.2.4 Experimentação para a inovação e demonstração  

    • Tarefa 10.2.4.1 Efeito do uso de PUA de origem fóssil e biodegradável na qualidade do solo, água de rega, desenvolvimento das plantas-alvo (mirtilos e framboesas) e qualidade dos frutos
    • Tarefa 10.2.4.2 Valorização dos RPUA de origem fóssil  
    • Tarefa 10.2.4.3 Desenvolvimento de novas alternativas biodegradáveis para filmes mulch derivados de resíduos do setor agroflorestal
    • Tarefa 10.2.4.4 Criação de um repositório funcional  

    Atividade 10.5.2 Modelos organizacionais para a gestão dos PUA  

    • Tarefa 10.5.2.1 Desenvolvimento de modelos alternativos para a gestão dos plásticos agrícolas  
    • Tarefa 10.5.3.1 Planos e políticas  
    • Tarefa 10.5.3.2 Modelo de governança 

     

  • Pontos de situação / Resultados:

    Tendo em conta a complexidade, a diversidade e a abrangência das atividades desenvolvidas no âmbito do Projeto Agri-Plast: Organização da Produção e Inovação para a Redução de Plásticos Agrícolas, as diferentes conclusões resultantes da sua implementação encontram-se detalhadamente apresentadas em cada um dos anexos que integram o presente documento. Contudo, de forma geral, é possível afirmar que o projeto Agri-Plast atingiu os objetivos propostos, evidenciando resultados relevantes, bem como um contributo significativo para a área em que se insere. Ainda que os resultados apresentados representem conclusões de estudos exploratórios, é possível retirar as seguintes conclusões. Os resultados abrem pistas para futuros trabalhos de investigação de continuidade, de modo a consolidar alguns dos resultados obtidos. Conclui-se, sumariamente, que:

    LA10.2
    •        No que diz respeito ao questionário aplicado pelo GPP, os dados obtidos não permitiram obter representatividade do universo de explorações agrícolas que utilizam plástico nas suas atividades produtivas, pelo que não são conclusivos. Contudo, o universo de respostas, fornece um conjunto de informação de interesse sobre as atuais práticas de utilização de PUA (desde a aquisição até à saída da exploração), permitindo também identificar muitas das dificuldades associadas ao encaminhamento dos RPUA para destino final.
    •        Os estudos de caso permitiram identificar diversos fatores que retiram valor aos resíduos, ou mesmo inviabilizam o processo de reciclagem e/ou valorização dos RPUA, tais como utilização dos PUA para além do tempo de vida, diversas classes de contaminantes, o excessivo tempo de armazenamento dos RPUA, entre outros. De uma forma geral, a análise dos solos amostrados permite entender que existe contaminação por plástico em áreas com aplicação de produtos plásticos em comparação com áreas sem aplicação, o que evidencia a necessidade de estudos futuros relativos ao impacte desta contaminação. É importante referir, face ao estudo realizado, que, em futuras análises, o número de réplicas deve ser aumentado de modo a obter valores mais representativos, dado que os resultados mostram elevada variabilidade na concentração de MP.
    •        Face aos testes de biodegradabilidade, é reforçada a necessidade de normalização dos produtos de PUA comercializados, dado nem todos os produtos vendidos como alternativas aos materiais de origem fóssil apresentaram resultados satisfatórios; no que diz respeito à valorização (reciclagem), parece haver capacidade para tratamento dos RPUA, ainda que a contaminação destes resíduos, os custos operacionais e a falta de incentivos económicos representem barreiras ao processo, por outro lado, verificou-se a existência de procure e prática de boas práticas por parte dos produtores agrícola (na aquisição de matérias e gestão de resíduos nas explorações).
    •        Face aos workshops e ações de capacitação, estes contribuíram para o desenvolvimento do diagnóstico atual, no que diz respeito às práticas de gestão dos RPUA; às soluções inovadoras praticadas ou conhecidas pelos produtores agrícolas; e também à recolha de opiniões dos diferentes atores da cadeia de valor dos PUA e RPUA, relativamente a modelos de gestão e políticas.
    •        Face à experimentação, o projeto contribuiu para aprofundar a compreensão do impacte do uso de materiais plásticos nos sistemas agrícolas, sublinhando a urgência de avaliar os efeitos de exposições prolongadas em diferentes culturas, bem como as potenciais implicações para a produção de alimentos sustentável e segura, com as análises realizadas para a avaliação do efeito do uso dos plásticos de origem fóssil e biodegradável na qualidade do solo, água de rega, desenvolvimento das plantas-alvo (mirtilos) e qualidade dos frutos; 
    •        Por outro lado, foram também realizados avanços significativos na pesquisa de formas de valorização química dos RPUA (fóssil), como também na criação de polímeros como novas alternativas biodegradáveis para filmes mulch derivados de resíduos (ainda que não tenham sido realizados ensaios em campo com este novo material); 
    •        Outra questão, no que diz respeito à experimentação, é a criação de um repositório funcional para a partilha de dados do projeto.

    LA10.5
    •        Comparativamente à situação atual, foram apresentados dois modelos de gestão de RPUA (um baseado na responsabilidade do produtor de resíduos com a integração de uma entidade “intermediária” ao nível local (modelo 1), e outro, baseado na responsabilidade alargada do produtor do produto, com a criação de um sistema integrado gerido por uma entidade gestora, nova ou já existente (modelo 2). Ambos os modelos apresentam vantagens e desvantagens, sendo necessária a elaboração de estudos mais aprofundados, nomeadamente sobre aspetos regulatórios, custos envolvidos e instrumentos de política a implementar, para a tomada de decisão sobre o modelo a adotar. Uma solução transitória poderá passar pela adoção do modelo 1 numa fase inicial e, depois, pelo modelo 2, que demora mais tempo a implementar. Ainda que no workshop com diferentes atores da cadeia de valor dos PUA tenha sido mencionada esta hipótese, a preferência passa pela implementação do modelo 2 e, se possível, pela gestão do fluxo de resíduos por uma entidade gestora já existente.
    •        O projeto define recomendações até 2030 para uma gestão sustentável dos plásticos de uso agrícola (PUA) e dos respetivos resíduos (RPUA), estruturadas em quatro eixos: M1 – Mais informação, M2 – Gestão de PUA/RPUA, M3 – Capacitação e M4 – Soluções inovadoras, visando reforçar o conhecimento, implementar soluções coletivas e a responsabilidade alargada do produtor, capacitar os utilizadores e promover alternativas ambientalmente sustentáveis. A implementação destas medidas exige coordenação institucional, financiamento e monitorização contínua, integrando-se no PERNU 2030 (ação AA3) e articulando-se com outros instrumentos de política nacionais e europeus.

    Por fim, apesar de se considerar que o projeto alcançou os objetivos propostos, há necessidade e interesse por parte dos parceiros do projeto em dar continuidade ao Agri-Plast, de modo a consolidar alguns resultados, contribuir ainda mais para o setor agrícola e encontrar soluções para a gestão dos resíduos de plásticos de uso agrícola.

    Apresentações do evento final (dia 10 de dezembro de 2025) disponíveis no LINK
    Relatórios finais e respetivos anexos disponíveis no LINK

     

    N.º do projeto:
    PRR-C05-i03-I-000167 LA 10.2 
    PRR-C05-i03-I-000167 LA 10.5
    Iniciativa Emblemática: Excelência da organização da produção