BCheeSE - Gestão integrada da organização de produção para garantia da rastreabilidade, autenticidade e valorização da fileira do queijo Serra da Estrela - L.A. 10.5. Capacitação
- Entidade líder do projeto: Instituto Politécnico de Viseu
- Responsável pelo projeto: Jorge Oliveira
- Site do projeto: Visitar sítio Web
- Parceiros:
- INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária
- Biocant - Associação de Transferência de Tecnologia
- Estrelacoop – Cooperativa dos Produtores de Queijo Serra da Estrela
- Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela (ANCOSE)
- Agrupamento de Produtores da Raça Ovina Churra Mondegueira - Apromeda, CRL
- Sensefinity Lda
- Casa Agrícola dos Arais, Lda
- António F. L. Vaz Patto, Lda
- Quinta São Cosme-Sociedade Agro Industrial Unipessoal, Lda.
- Sociedade Agro-Industrial Terras de Azurara, Unip., Lda.
- Artovistrela Unip., Lda
- Serraovinos - produção, comércio e abate, Lda
- Breve descrição:
O projeto BCheeSE, especificamente através da sua Linha de Ação 10.5, foca-se na capacitação e valorização da fileira do Queijo Serra da Estrela (QSE) DOP. Coordenada pelo Instituto Politécnico de Viseu, esta iniciativa envolve um consórcio de treze parceiros que unem a investigação científica ao setor produtivo numa lógica “do prado ao prato”.
O projeto visa dotar as organizações de produção de competências em gestão profissional, inovação organizacional, economia circular e marketing. Através desta abordagem integrada, pretende-se promover a sustentabilidade das unidades produtivas e reforçar a competitividade territorial de um produto com elevado valor simbólico e cultural.
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
A fileira enfrenta fragilidades estruturais graves, como a fragmentação produtiva, o acentuado envelhecimento dos produtores e a limitada digitalização do setor. Identificou-se uma vulnerabilidade crítica a usos indevidos da denominação de origem protegida, o que exige ferramentas de controlo de autenticidade mais robustas.
Do ponto de vista técnico, a variabilidade da qualidade do leite e a ausência de mecanismos para a sua valorização diferenciada comprometem a eficiência da cadeia de valor. Existe também uma escassez de mão de obra e elevados custos de produção que ameaçam a sustentabilidade financeira das explorações e queijarias.
Contudo, surge a oportunidade de modernizar a fileira através da implementação de tecnologias digitais, como a blockchain e metodologias genómicas. O projeto reconhece ainda a necessidade de alinhar a produção com as novas exigências ambientais e de mercado, garantindo a transparência e a confiança do consumidor final.
- Objetivos visados:
O objetivo central é desenvolver uma abordagem integrada de capacitação para reforçar a rastreabilidade, autenticidade e sustentabilidade económica da fileira do QSE DOP. Pretende-se criar ferramentas aplicáveis pelos diversos intervenientes, suportadas na transição digital e na economia circular.
Os alvos específicos incluem a definição de referenciais técnicos para a gestão da cadeia produtiva, a avaliação da pegada de carbono e a mitigação de emissões de gases com efeito de estufa.
Outro foco é a implementação de sistemas tecnológicos que garantam a genuinidade do produto e promovam a proximidade entre a investigação e o setor produtivo, facilitando a transferência de conhecimento.
- Sumário do plano de ação:
O plano estruturou-se em diversas Áreas de Trabalho complementares. Inicialmente, realizaram-se grupos focais com criadores e produtores para diagnosticar constrangimentos e sistematizar pontos críticos através de fluxogramas e protocolos operacionais.
Na vertente técnica, o plano incluiu a proposta de um modelo de pagamento do leite pela qualidade e a instalação de novos campos de cardo para assegurar a autonomia regional deste ingrediente essencial. A componente ambiental focou-se no desenvolvimento de uma metodologia de medição de metano em ovinos.
O pilar digital consistiu na criação de uma infraestrutura de blockchain e de uma aplicação móvel para consumidores verificarem a autenticidade do queijo via leitura do selo de caseína do QSE.
- Pontos de situação / Resultados:
Embora indicadores de comercialização e certificação de borrego tenham ficado abaixo das metas devido ao surto de língua azul e condições climáticas adversas, o projeto consolidou avanços técnicos cruciais. Concretizou-se uma proposta estratégica para a valorização do leite pela qualidade, considerada uma recomendação estruturante para o futuro.
No âmbito da biodiversidade, foram estabelecidos campos de cardo com mais de uma dezena de milhar de plantas em 15 localizações, por forma a garantir a proveniência controlada deste ingrediente.
O painel de referência genómica demonstrou viabilidade na verificar da autenticidade dos produtos provenientes da fileira do QSE. A plataforma de blockchain está tecnicamente operacional, permitindo o registo digital de todas as fases de produção do QSE em queijaria. A aplicação "Selo-Caseína Scan" permitirá a validação do QSE adquirido pelo consumidor, sendo igualmente um veículo promotor da fileira e do território.
Além da disseminação do projeto e resultados deste em vários veículos e formas: televisão, feiras, seminários, publicações técnicas e científicas, incluiu a dinamização de uma exposição e um Meeting internacional nos Word Cheese Awards’25, publicação de um suplemento na revista Gazeta Rural e a realização de um Simpósio Final e dia Aberto que reuniu os principais intervenientes do setor.
O projeto deixa como legado ferramentas digitais e científicas que reforçam a transparência da cadeia de valor e a confiança do consumidor, apontando o caminho para uma fileira mais profissionalizada e sustentável.














