SustainOlive. Azeite Biológico: implementação de estratégias inovadoras para a produção, valorização e consumo sustentáveis
- Entidade líder do projeto: Instituto Politécnico de Bragança
- Responsável pelo projeto: Nuno Rodrigues
- Parceiros:
- Direção Regional de Agricultura do Norte (Mirandela)
- Associação para a Produção e Proteção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro (APPITAD)
- Centro de Competências para a Agricultura Biológica e para o Modo de Produção Biológico (CCBIO)
- Associação Portuguesa de Agricultura Biológica (AGROBIO)
- Edgar Lopes Morais
- Herdeiros de Manuel Pavão
- Sociedade Agrícola Alberto Manso, Lda.
- Gerações de Xisto Lda; PVIT, Lda
- SUPPLEMENT GROUP – Europe
- “A Roda Das Delícias” - Produção E Comercialização De Azeite, Unipessoal, Lda
- Casa Agrícola Roboredo Madeira, S.A
- Olimontes - Indústria e Comércio de Óleos Vegetais Lda
- Trás-os-Montes Prime
- MASAEDO – Produção e Comercialização de Produtos Alimentares, Lda
- Breve descrição:
O projeto SustainOlive é uma iniciativa de investigação, desenvolvimento e inovação centrada na produção de azeite biológico, com o objetivo de implementar estratégias inovadoras que promovam a sustentabilidade, valorização e consumo deste produto ao longo de toda a cadeia de valor, desde a produção da azeitona até ao consumidor final. O projeto é coordenado pelo Instituto Politécnico de Bragança e envolve um consórcio de 15 parceiros, incluindo entidades de investigação, associações e empresas do setor, que colaboram de forma integrada para desenvolver soluções aplicáveis à fileira do azeite biológico.
A iniciativa procura responder à necessidade de tornar a produção de azeite biológico mais eficiente e sustentável, num contexto em que, apesar da elevada qualidade do produto e do seu valor no mercado, ainda existem desafios económicos e ambientais associados ao modo de produção. Assim, o projeto aposta na introdução de práticas inovadoras na produção agrícola, na melhoria dos processos de extração e conservação do azeite através de tecnologias de sensorização e digitalização, e na implementação de soluções mais sustentáveis ao nível do armazenamento, embalagem e rotulagem.
Paralelamente, promove a análise do ciclo de vida e a quantificação da pegada de carbono, permitindo incorporar esta informação no produto final e reforçar a sua diferenciação no mercado.
O projeto também integra ações de promoção e disseminação do conhecimento dirigidas a diferentes públicos, incluindo produtores, indústria, comunidade científica e consumidores, com o objetivo de aumentar o reconhecimento e o consumo de azeite biológico, bem como reforçar o seu posicionamento em mercados nacionais e internacionais. Desta forma, pretende-se valorizar o azeite biológico português, aumentar a sua competitividade e contribuir para o desenvolvimento sustentável do setor agroalimentar e das regiões produtoras.
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
O projeto SustainOlive surge no contexto da elevada relevância da olivicultura em Portugal, uma atividade com forte impacto económico, social, ambiental e territorial, especialmente nas regiões do interior, onde contribui para a fixação de populações e para a dinamização das economias locais. Apesar do crescimento significativo do setor e do reconhecimento do azeite como um produto central da dieta mediterrânica, com elevado valor nutricional e procura crescente a nível internacional, persistem desafios associados à produção em modo biológico, nomeadamente ao nível da sua viabilidade económica e da valorização no mercado.
Embora o azeite biológico apresente, em geral, elevada qualidade e possa atingir preços superiores, a sua produção nem sempre é suficientemente compensadora para os agricultores, sobretudo quando comparada com outros modos de produção. Acresce que, apesar do aumento da área de olival em modo de produção biológico, ainda existe margem significativa para crescimento, sendo necessário reforçar a sustentabilidade e a eficiência dos sistemas produtivos.
Paralelamente, verifica-se uma mudança no comportamento dos consumidores, que valorizam cada vez mais produtos que, para além da qualidade, integrem benefícios para a saúde e garantias de sustentabilidade ambiental, como a redução da pegada de carbono. No entanto, no caso do azeite biológico, a aplicação sistemática de ferramentas que permitam evidenciar essas características, nomeadamente através de alegações de saúde e informação ambiental no rótulo, ainda é limitada.
Neste contexto, o projeto identifica como oportunidade a necessidade de desenvolver e implementar soluções inovadoras ao longo de toda a fileira, que permitam aumentar o valor do azeite biológico, melhorar a sua sustentabilidade ambiental e reforçar a sua competitividade em mercados mais exigentes, respondendo simultaneamente às novas exigências dos consumidores e às orientações estratégicas europeias em matéria de sustentabilidade e alimentação.
- Objetivos visados:
O projeto SustainOlive tem como principal objetivo promover a valorização do azeite biológico português através da implementação de estratégias inovadoras que aumentem simultaneamente a sua qualidade, sustentabilidade ambiental e competitividade no mercado. Para isso, pretende-se atuar de forma integrada ao longo de toda a fileira, desde a produção da azeitona até à comercialização do produto final, introduzindo melhorias técnicas, tecnológicas e organizacionais.
Entre os objetivos específicos, destaca-se a implementação de práticas agrícolas inovadoras em modo de produção biológico que permitam reduzir o impacto ambiental, nomeadamente através da diminuição das emissões de gases com efeito de estufa, aumento do sequestro de carbono e melhoria da fertilidade do solo. Paralelamente, pretende-se otimizar os processos de extração de azeite, recorrendo a tecnologias de sensorização e digitalização que aumentem a eficiência produtiva, reduzam o consumo de água e energia e melhorem a qualidade do produto, especialmente ao nível do teor de compostos bioativos, como os polifenóis.
Outro objetivo fundamental passa pela introdução de soluções inovadoras no armazenamento, embalagem e rotulagem, privilegiando materiais mais sustentáveis e a disponibilização de informação relevante ao consumidor, como as alegações de saúde e a pegada de carbono do produto.
Neste sentido, o projeto pretende também desenvolver metodologias de análise do ciclo de vida que permitam quantificar o impacto ambiental do azeite biológico e apoiar a sua comunicação no mercado. Adicionalmente, o SustainOlive visa reforçar a promoção e disseminação do azeite biológico junto de diferentes públicos, contribuindo para o aumento do seu consumo e para o seu posicionamento em mercados premium, nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo, procura gerar conhecimento científico e técnico, fomentar a inovação no setor agroalimentar e criar soluções replicáveis que possam ser aplicadas a outras fileiras, potenciando o desenvolvimento sustentável das regiões produtoras.
- Sumário do plano de ação:
O plano de ação do projeto SustainOlive estrutura-se numa abordagem integrada que cobre toda a cadeia de valor do azeite biológico, organizando-se em várias atividades interligadas que visam melhorar a sustentabilidade, eficiência e valorização do produto. Estas atividades vão desde a produção da azeitona até à promoção do azeite no mercado, assegurando uma intervenção coerente e abrangente em toda a fileira.
Numa primeira fase, o plano incide na implementação de práticas inovadoras na produção de azeitona em modo biológico, incluindo soluções sustentáveis para controlo de pragas e doenças, melhoria da fertilidade do solo e gestão do olival, com o objetivo de reduzir impactos ambientais e aumentar a resiliência e produtividade dos sistemas agrícolas. Seguidamente, o projeto foca-se na otimização do processo de extração de azeite, através da aplicação de estratégias que permitam obter azeites com maior teor de compostos bioativos e da introdução de sistemas de sensorização que aumentem a eficiência e reduzam o consumo de recursos como água e energia.
O plano contempla ainda a implementação de soluções inovadoras no armazenamento, embalagem e expedição, com destaque para a utilização de materiais mais sustentáveis e para a monitorização das condições de conservação do azeite, garantindo a manutenção da sua qualidade ao longo do tempo.
Paralelamente, é realizada a análise do ciclo de vida do produto, permitindo avaliar e quantificar a pegada de carbono associada às diferentes etapas da produção, informação que poderá ser integrada na rotulagem.
Por fim, o plano inclui ações de divulgação e promoção dirigidas a diferentes públicos-alvo, desde produtores e indústria até consumidores e comunidade científica, com o objetivo de disseminar resultados, incentivar a adoção das práticas desenvolvidas e reforçar o posicionamento do azeite biológico português em mercados especializados, tanto a nível nacional como internacional.
- Pontos de situação / Resultados:
O ponto de situação do projeto SustainOlive evidencia a implementação efetiva das atividades previstas, com resultados concretos ao nível da adoção de práticas inovadoras na produção de azeitona em modo de produção biológico, bem como avanços significativos na compreensão dos seus impactos agronómicos e ambientais.
No âmbito da proteção contra pragas e doenças, foram realizados diversos ensaios experimentais, nomeadamente com recurso a nanopartículas à base de cobre e soluções alternativas de biocontrolo, tendo-se verificado que algumas destas soluções permitem manter níveis reduzidos de incidência e severidade de doenças, embora com variações associadas às condições climáticas anuais.
No controlo da mosca-da-azeitona, a baixa incidência da praga em campo limitou a avaliação direta dos tratamentos, mas os ensaios laboratoriais demonstraram que soluções biológicas e químicas não reduziram a taxa de emergência, embora tenham aumentado o tempo de desenvolvimento dos insetos, sugerindo efeitos indiretos no seu ciclo biológico.
Paralelamente, os estudos sobre fauna auxiliar mostraram que predadores naturais mantêm elevada capacidade de predação e níveis de sobrevivência elevados, reforçando o papel da biodiversidade funcional no controlo biológico.
Ao nível da gestão do solo, os resultados evidenciaram que sistemas com coberto vegetal natural ou semeado apresentam maior riqueza e diversidade florística e maior abundância de artrópodes, enquanto os sistemas mobilizados apresentam menor biodiversidade e estabilidade ecológica, confirmando o impacto positivo de práticas sustentáveis na resiliência dos agroecossistemas.
Relativamente aos resultados obtidos ao nível do lagar, verificou-se que a otimização dos parâmetros de extração permitiu melhorar a qualidade do azeite, nomeadamente aumentando o teor em compostos fenólicos, o que contribui para a valorização nutricional e sensorial do produto. Estes resultados demonstram o potencial da inovação tecnológica aplicada ao processo industrial para diferenciar o azeite biológico e aumentar o seu valor no mercado.
No que respeita à sensorização, tanto no processo de extração como no armazenamento, foi possível demonstrar a eficácia da implementação de sistemas de monitorização contínua, permitindo acompanhar em tempo real diferentes parâmetros do processo produtivo e das condições de conservação. Estes sistemas contribuíram para a identificação de oportunidades de redução de consumos de água e energia, melhoria da eficiência produtiva e otimização da gestão de stocks, evidenciando o potencial da digitalização e do conceito de “gémeo digital” na modernização da fileira do azeite.
Ao nível do armazenamento e embalagem, os resultados demonstraram que o tipo de embalagem influencia significativamente a preservação da qualidade do azeite, sendo o sistema Bag-in-Box o que melhor protege o produto contra fenómenos oxidativos, seguido da lata, enquanto o vidro apresentou pior desempenho em armazenamentos prolongados. Estes resultados reforçam a importância da escolha de materiais e soluções de embalagem na valorização do produto e na sua durabilidade.
Relativamente à análise do ciclo de vida e à pegada de carbono, foi possível quantificar os impactes ambientais associados à produção de azeite biológico, identificando os principais pontos críticos ao longo da cadeia de valor. Os resultados mostraram diferenças significativas entre sistemas produtivos: num sistema mais intensivo (SOle1), a fase agrícola é responsável por mais de 90% das emissões, atingindo cerca de 6,503 kg CO₂ eq por garrafa de 500 ml, enquanto num sistema mais extensivo e eficiente (SOle2), a pegada de carbono é substancialmente inferior, sendo o principal contributo deslocado para o lagar e, sobretudo, para o embalamento, que pode representar cerca de 70% das emissões totais.
Os resultados da ACV evidenciaram ainda que fatores como a produtividade do olival, o uso de fertilizantes e energia, e o tipo de embalagem são determinantes na pegada ambiental do produto, sendo o embalamento um dos principais pontos críticos em sistemas mais eficientes. Esta análise permitiu estabelecer bases sólidas para a definição de estratégias de mitigação e para a futura incorporação de informação ambiental na rotulagem do azeite biológico, contribuindo para a sua valorização no mercado e para decisões mais sustentáveis ao longo da fileira.














