NOTS – NitroOrganicToSoils | Aumento da eficiência do azoto e do sequestro de carbono nos solos agrícolas
- Entidade líder do projeto: Instituto Superior de Agronomia (ISA)
- Responsável pelo projeto: Claudia Marques-dos-Santos
- Site do projeto: Visitar sítio Web
- Parceiros:
- Universidade dos Açores
- CCTI
- INIAV
- Associação de Agricultores do Baixo Alentejo (AABA)
- Terceira Farma
- CAMTO Lda
- Ovicharol Lda
- Reguenguinho Soc Agrícola Lda
- Teresa do Rosário Pinheiro Saramago de Carvalho Marques dos Santos
- Carlos Frederico Abecassis do Amaral Netto
- Sociedade Agropecuária do Anafe SA
- Nutrialma, Lda
- Nutribean, Lda
- Raízes do Prado
- Casa Agrícola Campos do Bica
- Sociedade Agrícola Quebramilho
- Sociedade Agropecuária dos Píncaros
- Francisco C. L. S. Palma
- Sociedade Agro Pecuária Paço de Aragão, Lda.
- Monfurado, Francisco Calisto Júlio Potes
- Breve descrição:
O projeto NOTS – NitroOrganicToSoils é uma iniciativa de investigação aplicada e validação em contexto real que visa promover sistemas agrícolas mais resilientes e sustentáveis, através da melhoria da eficiência de utilização do azoto, do incremento do sequestro de carbono nos solos e da valorização de leguminosas e resíduos orgânicos.
O projeto integrou práticas de fertilização sustentável, melhoria de pastagens permanentes, compostagem, rotação e consociação de culturas, monitorização intensiva do solo e biodiversidade, cálculo da Pegada de Azoto® e valorização agroalimentar, com forte ligação entre ciência, produtores e sociedade.
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
A agricultura portuguesa enfrenta um duplo desafio estrutural:
(i) a dependência excessiva de fertilizantes azotados de síntese, com elevados custos económicos, energéticos e ambientais;
(ii) a degradação progressiva dos solos agrícolas, marcada pela diminuição da matéria orgânica, perda de biodiversidade funcional e menor resiliência climática.O projeto respondeu a esta oportunidade crítica demonstrando que a integração de leguminosas, práticas de economia circular e gestão regenerativa do solo permite reduzir emissões de GEE, aumentar o sequestro de carbono e manter a produtividade agrícola.
- Objetivos visados:
- Reduzir a dependência de fertilização azotada de síntese através da Fixação Biológica de Azoto (FBA);
- Incrementar o teor de matéria orgânica e o sequestro de carbono nos solos agrícolas;
- Melhorar a qualidade física, química e biológica dos solos;
- Aumentar a resiliência dos sistemas agrícolas face à seca e às alterações climáticas;
- Valorizar leguminosas e resíduos orgânicos em cadeias alimentares animal e humana;
- Disponibilizar métricas claras de sustentabilidade (Pegada de Azoto® e GEE);
- Promover a transferência de conhecimento para produtores e sociedade.
- Sumário do plano de ação:
O plano de ação estruturou-se em duas linhas complementares (L3.3 e L3.4), integrando:
- Ensaios com leguminosas em culturas extensivas e pastagens biodiversas;
- Integração de leguminosas como culturas intercalares em tomate de indústria e milho;
- Monitorização intensiva da qualidade do solo, biodiversidade e uso do solo;
- Implementação de sistemas de compostagem com resíduos da exploração;
- Produção e utilização de rações, fermentados vegetais e avaliação nutricional;
- Cálculo da Pegada de Azoto® e avaliação da redução de emissões de GEE;
- Comunicação, disseminação e produção de materiais técnicos, científicos e pedagógicos.
- Pontos de situação / Resultados:
O projeto foi executado integralmente entre 2022 e 2025, envolvendo mais de 21 produtores, centenas de parcelas experimentais e dois ciclos culturais por ano.
Principais resultados consolidados:
- Redução efetiva de emissões de GEE superior a 2%, cumprindo e superando a meta contratualizada;
- Aumento da eficiência do ciclo do azoto (N/GEE +1,06%) com redução comprovada da fertilização mineral;
- Incremento do sequestro de carbono nos solos com valores médios de 54,8 t CO₂e/ha.ano.
- Aumento de 30–40% da matéria orgânica do solo e 50–80% do azoto total em parcelas intervencionadas;
- Mais de 11.000 km de monitorização, 500 amostras laboratoriais e identificação de >100 espécies vegetais;
- Produção científica validada por pares, posters internacionais e ferramentas práticas (plataforma Pegada de Azoto®, livro Leguminosas à Mesa, materiais pedagógicos).
O projeto demonstrou, de forma científica e operacional, que é possível regenerar os solos, reduzir emissões e criar valor económico e social através de práticas agrícolas sustentáveis.














