MOPLUS
- Entidade líder do projeto: COTHN-CC
- Responsável pelo projeto: Maria do Carmo Martins
- Site do projeto: Visitar sítio Web
- Parceiros:
- Associação dos Produtores de Maça de Alcobaça
- Frubaça
- Casa Agrícola Ribeiros
- Frutoeste
- Granfer
- Instituto Superior de Agronomia
- INIAV
- Campotec
- Breve descrição:
Neste projeto pretende-se estudar a melhor via de integração de efluentes pecuários locais na estratégia de fertilização dos pomares de Maçã de Alcobaça IGP com o objetivo de melhorar os níveis de matéria orgânica numa região caracterizada por solos pobres que necessitam de ser enriquecidos com minerais sem recorrer apenas a adubos de síntese. Não comprometendo nem as características da fruta nem dos agro-sistemas ecológicos já existentes, pelo contrário, pretendemos melhorar ambos e aumentar a fertilidade do solo nos pomares resultando assim numa maior fixação de carbono atmosférico via solo, plantas e frutos.
- Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:
Devido ao novo Pacto Ecológico Europeu e à estratégia Farm to Fork, com vista em minimizar a pegada carbónica das explorações agropecuárias, torna-se imperativo melhorar a economia circular e assegurar altas produtividades com o menor impacto ecológico, ao mesmo tempo que se deve fortalecer a resiliência dos sistemas agronómicos tendo em vista a mitigação às alterações climáticas.
Sendo a região Oeste de Portugal uma referência internacional na produção de maçã de alto sabor mas também com vários polos de produção animal intensiva que geram efluentes por vezes difíceis de eliminar por essas empresas pecuárias.
Segundo a Estratégia Nacional para os Efluentes Agropecuários e Agroindustriais, vários concelhos da região Oeste, como Alcobaça, são largamente autossuficientes na produção de Azoto e Fósforo derivados da produção agropecuária que superam as necessidades locais da utilização destes nutrientes em agricultura. Também segundo a mesma estratégia, o aproveitamento deste tipo de efluentes é urgente devido à contaminação que se verifica nas diversas bacias hidrográficas dos concelhos com maior atividade agropecuária.
Deste modo, pretendemos estudar a melhor via de integração desses efluentes pecuários locais na estratégia de fertilização dos pomares de Maçã de Alcobaça IGP com o objetivo
de melhorar os níveis de matéria orgânica numa região caracterizada por solos pobres que necessitam de ser enriquecidos com minerais sem recorrer apenas a adubos de síntese.Não comprometendo nem as características da fruta nem dos agro-sistemas ecológicos já existentes, pelo contrário, pretendemos melhorar ambos e aumentar a fertilidade do solo
nos pomares resultando assim numa maior fixação de carbono atmosférico via solo, plantas e frutos. - Objetivos visados:
Pretende-se com recurso a matéria orgânica oriunda de efluentes de explorações pecuárias próximas às explorações frutícolas incentivar a implementação de sistemas, culturas e práticas agrícolas que promovam o aumento do teor de matéria orgânica no solo (consequente aumento do sequestro de carbono) melhorando a conservação do solo e sua fertilidade, incluindo o aumento da eficiência dos enrelvamentos permanentes melhorados nas entrelinhas de produção. Como resultado irá melhorar-se a estrutura do solo e incrementar a capacidade de armazenamento e gestão eficiente da água diminuindo também o risco de erosão do solo. Assim como reduzir a dependência de adubos de síntese sem comprometermos a produção e qualidade da fruta. Através desta redução de utilização de adubos de síntese com recurso à substituição por adubação orgânica contribuímos para o desenvolvimento e adoção de novos sistemas de gestão de efluentes minimizando as emissões de GEE.
- Sumário do plano de ação:
Este plano de ação assenta num conjunto de campos experimentais que serão localizados em cada uma das empresas envolvidas neste projeto. Em cada local irão testar-se três formas diferentes de matéria orgânica: estrume, chorume e ambos conjugados. Estas estratégias orgânicas serão comparadas com a estratégia mais tradicional atual à base de adubos de síntese para que se possam medir diferenças ao nível da produção de frutos e da fertilidade do solo. Seguidamente apresentam-se as diferentes fases e tarefas, tendo em conta associado as linhas de ação, sendo que os meios alocados encontram-se descritos na lista de maio afetos à operação.
Linha de ação: 3.2 e 3.3
T1 – Caracterização do tipo de efluentes a utilizar (ISA)
T2 – Caracterização do solo de cada campo experimental (Empresas, ISA e INIAV)
T3 – Instalação dos ensaios em campos experimentais (Empresas, ISA e INIAV, COTHN-CC)
T4 - Definição dos protocolos de práticas culturais e observações dos parâmetros vegetativos, quantitativos e qualitativos (Empresas, ISA e INIAV)
T5 - Caracterização edafoclimática de cada campo (Empresas, ISA e INIAV)
T6 – Monitorização da evolução de matéria orgânica no solo e de outros nutrientes com recurso as analises de solos e monitorizar a composição da solução aquosa do solo através de soilsamplers para se evitar perdas de nutrientes por lixiviação (Empresas, INIAV e ISA)
T7 - Análise da microbiologia do solo através de análises de microbioma, para se entender a ação sobre o melhor perfil de organismos capazes de solubilizar e fixar nutrientes necessários à cultura minimizando assim a necessidade de adubações e aumentando a resiliência natural das plantas. Promovendo desta forma a conservação, melhoramento e valorização dos recursos genéticos de natureza animal e vegetal (INIAV e ISA)
T8 - Ao nível das plantas, em cada modalidade pretende-se monitorizar a performance fisiológica (atividade fotossintética, eficiência hídrica) e produtiva (Empresas, INIAV, ISA e COTHN-CC e APMA):
- T8.1 - medir o crescimento dos frutos
- T8.2 - contabilizar os quilos produzidos
- T8.3 - perfil de calibres
- T8.4 - perfil mineral
- T8.5 - características de qualidade como o brix, a dureza e a capacidade de conservação
T9 – Esta tarefa que também concorre para a linha de ação 3.4 , está relacionada com o nível da técnica de aplicação. Assim pretende-se estudar qual a melhor forma de incorporação das adubações orgânicas nos pomares para que além da linha como local de produção também possamos usar a entre-linha como local de regeneração de solo. Desta forma reforça-se a importância do coberto vegetal como uma cultura secundária, capaz de produzir mais biomassa e assim contribuir para o aumento da fixação de carbono e matéria orgânica no solo do pomar através da melhoria do seu desenvolvimento contribuindo-se para a melhoria da fertilidade do solo em utilizações futuras (Empresas, INIAV, ISA e COTHN-CC, APMA)
T10 - Tratamento de dados e Análise comparativa de dados entre as diferentes localizações (todos os parceiros)
- Pontos de situação / Resultados:
O delineamento experimental foi pensado tendo por base a substituição da fertilização de síntese por fertilização orgânica em 25% e 50% com diferentes aplicações na linha e entrelina. Tendo por base os resultados atingidos, se comprova que se pode substituir até 50% da fertilização de síntese por fertilização orgânica tendo por base os efluentes pecuários, sem afetar a fisiologia e a produtividade e qualidade da produção.
Relativamente à redução da aplicação de N na forma de adubo químicos por árvores em 50% foi plenamente atingido, uma vez comparando o valor do nível de N das folhas de cada uma das modalidades, especialmente a totalmente mineral com as de substituição e 25 e 50% por fertilização orgânica, o nível deste nutriente nível mantem-se sem qualquer diminuição nestas duas modalidades. Assim foi possível reduzir a aplicação e N por via mineral, sem afetar o nível de N nas árvores.
Relativamente aos custos da fertilização, optou-se, nesta fase, por apenas comprar o custo das matérias-primas, uma vez que a aplicação tem um custo bastante significativo na questão da fertilização orgânica, sendo a grande limitação encontrada no projeto.
No que diz respeito à matéria orgânica, verificou-se um aumento significativo entre 2023 e 2025 em todos os pomares, evidenciando o contributo dos efluentes pecuários para a melhoria gradual da qualidade do solo. A modalidade com 50% de fertilização orgânica com efluentes apresentou o maior incremento (≈83%), seguido das modalidades de 25% (≈48%) e (≈47%). Esta resposta diferenciada reflete a distinta capacidade de aporte e incorporação de carbono dos efluentes pecuários aplicados, sendo a modalidade referente aos 50% claramente o mais eficaz neste parâmetro.
Relativamente à pegada de carbono em 2023, a modalidade referente à aplicação de 25% da fertilização com materiais orgânicos, apresentou valores inferiores de GWP, sugerindo um potencial de mitigação associado à combinação de estrume e fertilização mineral. Em 2024, foi a modalidade dos 50% de fertilização orgânica que registou os valores mais baixos, sugerindo que a maior substituição de fertilizante mineral por efluentes pecuários poderá contribuir para uma redução das emissões, quando os nutrientes de origem orgânica são disponibilizados de forma mais gradual e equilibrada.














