Inovação para a Agricultura

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GO - Fortificação de arroz em selénio


Prioridade do FEADER: P2A) melhoria do desempenho económico de todas as explorações agrícolas e facilitação da restruturação e modernização das explorações agrícolas, tendo em vista nomeadamente aumentar a participação no mercado e a orientação para esse mesmo mercado, assim como a diversificação agrícola;
Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:

A deficiência em selénio, que afecta cerca de 15% da população, tem sido associada à ocorrência de doenças cardíacas, vários tipos de cancros e às doenças Keshan e Kaschin-Beck.

Contudo, com a biofortificação de alimentos base em selénio, as populações com acesso limitado aos mercados e sistemas de saúde podem ser beneficiadas, pois as elevadas taxas de consumo destes produtos permitem um maior sucesso / impacte dos Programas de Biofortificação (aspecto que vem justificando a implementação de projetos de cariz mundial, com destaque para o Harvest Plus http://www.harvestplus.org/).

Neste contexto o arroz, embora com um teor de selénio extremamente baixo, porque é um alimento base cuja produção a nível mundial ocupa o 2º lugar, possui um enorme potencial para reduzir o défice de selénio. Justifica-se assim a crescente procura de estratégias que propiciem o aumento do teor em selénio nos alimentos base (em geral) e no arroz (em particular).

Porém, a biofortificação do arroz em selénio coloca questões de índole técnica, cientifica, económica e social que importa definir, nomeadamente:

Que variedades selecionar para futura exploração num contexto nacional e internacional?

Que tipo e forma de adubação deve ser aplicada para evitar a evolução de toxicidades?

Que implicações terão para as tecnologias de transformação nas indústrias alimentares?

Que alterações são introduzidas na carga nutricional da semente biofortificada?

Propõe-se assim um projeto que visa concretizar e disseminar informação preliminar, obtida no Projeto Proder PA43374, e que a par das necessidades das populações, contempla implicações técnicas e nutricionais inerentes à produção de arroz biofortificado em selénio, para produção de farinha para produtos “Baby Food”, e que corresponde às necessidades de competitividade da cadeia agroindustrial orizícola nacional, e às potencialidades para a exportação para mercados transnacionais.


Objetivos visados:

A evolução do sector orizícola, em Portugal deve centrar os seus indicadores de competitividade no âmbito das preferências dos consumidores, de forma progressivamente mais profiláctica e com crescentes índices de exportação (considerando neste caso a produção de arroz com características únicas de biofortificação).

Neste contexto, a presente iniciativa compreende três objetivos principais:

1. Otimização da produção de dois genótipos de arroz biofortificado em selénio, considerando a interação entre os diferentes sistemas, nomeadamente as interações entre os genótipos de arroz e os tipos de adubação e momentos de aplicação.

2. Delineamento de um itinerário técnico para a produção de 2 variedades de arroz biofortificado em selénio para transformação industrial em farinha destinada a produtos “baby food”.

3. Localização tecidular do selénio no grão de arroz para seriação da tecnologia industrial a utilizar na produção de farinha (integral ou refinada).

4. Aferição do efeito dos processos de transformação em arroz biofortificado na composição nutricional, considerando os requisitos industriais dos mercados-alvo (produtos “Baby Food”), de acordo com os requisitos da Alta Segurança Alimentar e as diretivas da União Europeia para o sector.

Na definição destes objectivos considera-se que a qualidade do arroz é o resultado da interação das condições de cultivo (tipo de solo, clima, pragas, práticas culturais e genótipo), assim como das operações de colheita, conservação e processamento, factores estes que influenciam diretamente o uso industrial a ser dado ao produto final (incorporação em produtos "Baby Food").


Sumário do plano de ação:

A deficiência em selénio, que afeta 15% da população, tem sido associada a doenças cardíacas, vários tipos de cancros e às doenças Keshan e Kaschin-Beck. Contudo, com a biofortificação de alimentos base em selénio, nomeadamente arroz, as populações com acesso limitado aos mercados e sistemas de saúde podem ser beneficiadas, pois as elevadas taxas de consumo destes produtos permitem um maior sucesso dos Programas de Biofortificação. Neste projeto desenvolve-se um novo itinerário técnico para biofortificação do arroz em selénio, considerando diferentes variedades para exploração num contexto nacional e internacional.

Propõe-se um projeto que, a par das necessidades das populações, contempla implicações técnicas e nutricionais para produção de arroz e farinha biofortificado/a em selénio, destinada a produtos “Baby Food”, e que corresponde às necessidades de competitividade da cadeia agroindustrial orizícola nacional e às potencialidades para a exportação para mercados transnacionais.


Pontos de situação / Resultados:

Em início de atividade.

GojiBerries


Prioridade do FEADER: P3A) aumento da competitividade dos produtores primários mediante a sua melhor integração na cadeia agroalimentar através de regimes de qualidade, do acrescento de valor aos produtos agrícolas, da promoção em mercados locais e circuitos de abastecimento curtos, dos agrupamentos e organizações de produtores e das organizações interprofissionais;
Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:

Lycium barbarum L é uma espécie peri anual que cresce em muitas regiões do mundo, mas só na China há um cultivo significativo para fins comerciais. Os seus frutos, vulgarmente conhecidos por bagas Goji, têm cada vez mais procura na sociedade ocidental. No entanto, a diversidade de cultivares e a multiplicidade de origens, condições de cultura e processamentos que coexistem na China, potenciam a variabilidade da qualidade alimentar e segurança das bagas que chegam aos mercados ocidentais. Também a importação está limitada aos frutos desidratados,não existindo no mercado europeu bagas frescas ou folhas para tisanas. Desde 2013, iniciou-se a instalação desta cultura em solo nacional, e o interesse tem vindo a crescer, com o aumento gradual de produtores efetivos e com intenções reais de instalação de novas explorações.

No entanto, os processos produtivos sobre a cultura são quase desconhecidos, destacando com especial atenção, as condições edafoclimáticas ideais para a sua instalação e produção. Será igualmente importante identificar as diferenças entre as duas principais cultivares de Lycium barbarum, “Short Leaf” e “Long Leaf”, e a análise qualitativa dos componentes do fruto. Este conhecimento geral, a médio prazo, e face ao aumento do número de explorações agrícolas com esta cultura, contribuirá para:

- Abastecer o mercado de bagas Goji frescas e desidratadas comcaracterísticas fiáveis capazes de satisfazer as exigências do mercado europeu;

- Diminuir a importação de bagas Goji desidratadas;

- Promover o uso das folhas para tisanas, como um dos subprodutos a valorizar.


Objetivos visados:

São vários os desafios para identificar todo o processo de instalação da cultura de Goji, tendo sido identificados 4 objetivos principais para este projeto:

1. Identificar os processos de produção ótimos da cultura, em função das condições edafoclimáticas:

• Implementar uma nova cultura agrícola resistente à secura e ao calor, incorporando novos processos de cultura agrícola sustentável

• Identificar os principais locais, em território nacional, para instalação dacultura

2. Analisar as características das 2 cultivares de L. barbarum “Short Leaf” (SL)e “Long Leaf” (LL), e identificar a cultivar mais produtiva em função do modo deprodução convencional e biológico:

• Selecionar a cultivar consoante o objetivo seja a produtividade, rusticidade,qualidade das bagas ou características organoléticas

3. Analisar e comparar os principais constituintes dos frutos e folhas, em frescoe desidratados:

• Quantificar os principais componentes de bagas e folhas, divulgando-osnuma tabela acessível

4. Possibilitar o consumo, no mercado nacional, de bagas Goji frescas e folhas, de qualidade comprovada:

• Fornecer o mercado nacional com bagas frescas, desidratadas e folhas

A análise comparativa das duas cultivares, em dois modos de produção distintos, permitirá aos agricultores selecionar a cultivar mediante as características da sua exploração e os seus objetivos.

Os produtores existentes, e os jovens agricultores que se estão a instalar, já demonstraram grande interesse nos futuros resultados deste projeto, pois permitirá tomar decisões mais concretas e menos intuitivas.Também permitirá reforçar a característica principal desta produção, que são as suas qualidades nutricionais dietéticas, com a determinação dos seus principais constituintes, obtendo um padrão de qualidade da baga fresca, desidratada e das folhas, que poderão ser utilizadas para tisanas.


Sumário do plano de ação:

Identificação dos processos de produção ótimos, comparação das duas principais cultivares de Lycium barbarum em diferentes modos de produção, e análise da composição, qualidade e subprodutos da cultura de plantas Goji


Pontos de situação / Resultados:

Em início de atividade.

ECOMONTADO XXI - A Agroecologia aplicada ao design do Montado Novo


Prioridade do FEADER: P4) Restaurar, preservar e melhorar os ecossistemas ligados à agricultura e à silvicultura;
Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:

Os ecossistemas de montado (de sobreiro e de azinheira) representam cerca de um terço (33,9%) da área total de floresta em Portugal Continental em 2010 (IFN6,2013). A este ecossistema encontra-se associada uma das principais fileiras do setor agroalimentar nacional - a fileira da cortiça, na qual se tem vindo a manifestar uma gradual diminuição da qualidade e da quantidade de matéria-prima, com perda significativa de valor económico, social e ambiental. As perdas de vitalidade e de produtividade verificadas nos ecossistemas de montado, justificadas pela ocorrência de vários fatores, de entre os quais problemas fitossanitários e de desequilíbrios nutricionais do solo, são o resultado da fragilização generalizada do território, como consequência da implementação consecutiva de práticas agrícolas convencionais e de más opções de gestão, associadas ao irreversível efeito das alterações climáticas.

O grupo operacional que se propõe constituir identificou um problema concreto, observado em cerca de 120 ha geridos pela Sociedade Agrícola do Freixo do Meio,que é representativo da realidade da generalidade das áreas de montado em Portugal, onde o resultado dessas práticas se evidencia na perda de solo, na perda de biodiversidade e consequentemente na perda do ecossistema montado que aí perdurou durante anos. O trabalho a desenvolver pelo grupo operacional consiste na implementação de um novo processo ou prática de gestão florestal, com vista à recuperação do ecossistema montado. Os problemas concretos e globais ao território continental que o grupo operacional visa responder são:

- A gestão e utilização ineficiente da água do solo;

- A gestão e utilização ineficiente da água do solo;

- A perda de solo e a inexistência de solo nas áreas de montado – desertificação(ambiental);

- A dinâmica evidenciada e agravada com os efeitos das alterações climáticas.

As técnicas de restauro dos ecossistemas resultantes dos conceitos da Permacultura e da Agroecologia, como é o caso do desenho da Keyline (“linha-chave”), surgem como uma solução para o problema generalizado de perca de solo e ineficiente aproveitamento da água verificado nas áreas de montado, enquanto medida de gestão integrada dos recursos existentes nos territórios agro-silvo-pastoris, nomeadamente, do solo e da água.O problema identificado gera então a oportunidade para implementar um novo método de restauro do solo, e consequentemente de todo o ecossistema, através do desenvolvimento de uma tecnologia inovadora diretamente relacionada com a gestão florestal sustentável e com a produção de produtos florestais (cortiça) com relevante importância nos territórios rurais onde os montados são dominantes.

O presente grupo operacional engloba-se num projeto conceptual de maior amplitude que visa a obtenção de respostas para o atual desconhecimento de soluções que garantam ocupações adequadas para várias áreas do país onde o montado foi no passado a solução mais equilibrada, visando a definição do modelo do montado do século XXI - ECOMONTADO XXI.


Objetivos visados:

Face o problema identificado de perda de vitalidade do ecossistema montado econsequente perda de solo, generalizado nas áreas de montado do Alentejo, tornasenecessário integrar nas paisagens degradadas novas técnicas que visem o seurestauro natural, estudando o desenho das linhas naturais de escorrimento e deacumulação da água, assim como as curvas de nível do terreno, com vista àdeterminação do ponto-chave (Keypoint), ou seja, o ponto de inflexão entre a formaconvexa e a forma côncava do terreno, a partir do qual se desenvolverão as linhaschave (Keyline), permitindo assim o desenho e a construção de linhas artificiais deencaminhamento da água (como represas, canais de desvio e de irrigação).

Com o desenho de Keyline o resultado é um maior aproveitamento da água - a mesma águaque antes era desperdiçada por escorrimento e evaporação.

Conjugando a esta técnica a instalação de plantas arbustivas e de árvores, fomentando-se o desenvolvimento das suas raízes, promove-se o desenvolvimento e a melhoria da estrutura e da fertilidade do solo, criando mais solo, estimulando o sequestro de CO2, enriquecendo a paisagem e incrementado a rentabilidade da atividade agro-silvopastoril dos territórios.Os principais objetivos a atingir com a presente iniciativa visam assim o estabelecimento no terreno de conceitos teórico-práticos já existentes sobre a agroecologia e a permacultura aplicada ao montado, com vista ao restauro de áreas degradadas, integrando não apenas técnicas de gestão do solo mas também compreendendo critérios biológicos e racionais da paisagem, pelo estudo e desenho das Keyline específicas de cada território, assegurando que toda a água das chuvas que cai penetra no solo, retardando a sua evaporação, e fomentando a produção de terra fértil.

Os objetivos específicos a atingir são assim os seguintes:

1) experimentação no terreno de novas técnicas e de abordagens inovadoras de restauro do solo e de aproveitamento da água com base no desenho em Keyline;

2) aferição do impacto social, económico e ambiental das soluções implementadas;

3) replicação dos resultados adquiridos, da experimentação realizada, para outros casos onde se identifique o mesmo problema;

4) divulgação dos resultados e sua integração no modelo conceptual do ECOMONTADO XXI;

5) divulgação da metodologia e bases conceptuais associadas às técnicas aplicadas no projeto.


Sumário do plano de ação:

O grupo operacional que se propõe constituir identificou um problema concreto, observado em cerca de 120 ha geridos pela Sociedade Agrícola do Freixo do Meio, que é representativo da realidade da generalidade das áreas de montado em Portugal, onde o resultado dessas práticas se evidenciam na perca de solo, na perda de biodiversidade e consequentemente na perda do ecossistema montado que aí perdurou durante anos. O trabalho a desenvolver pelo grupo operacional consiste na implementação de um novo processo ou prática de gestão florestal, com vista à recuperação do ecossistema montado.

Os problemas concretos e globais ao território continental que o grupo operacional visa responder são:

• A gestão e utilização ineficiente da água do solo;

• A perda de solo e a inexistência de solo nas áreas de montado – desertificação (ambiental);

• A dinâmica evidenciada e agravada com os efeitos das alterações climáticas.

As técnicas de restauro dos ecossistemas resultantes dos conceitos da Permacultura e da Agroecologia, como é o caso do desenho da K-Line (“linha-chave”), surgem como uma solução para o problema generalizado de perca de solo e ineficiente aproveitamento da água verificado nas áreas de montado, enquanto medida de gestão integrada dos recursos existentes nos territórios agro-silvo-pastoris, nomeadamente, do solo e da água.

O problema identificado gera então a oportunidade para implementar um novo método de restauro do solo, e consequentemente de todo o ecossistema, através do desenvolvimento de uma tecnologia inovadora diretamente relacionada com a gestão florestal sustentável e com a produção de produtos florestais (cortiça) com relevante importância nos territórios rurais onde os montados são dominantes.


Pontos de situação / Resultados:

No decorrer do ano de 2018 foi realizada uma reunião de acompanhamento do projeto (em 17 de Maio de 2018) na Herdade do Freixo do Meio, na qual foi dado o arranque formal da execução da operação. Nesta reunião estiveram presentes todos os parceiros do Grupo Operacional, tendo sido apresentado o plano de ação aprovado pela AG PDR2020, assim como os montantes de investimento associados.

Devido ao facto dos parceiros HM e ICAAM não terem iniciado os trabalhos de implementação do plano de ação até à efetivação da assinatura do Termo de Aceitação, impossibilitou a execução plena do plano de acompanhamento e de avaliação de indicadores e o cronograma do plano de acompanhamento e avaliação de indicadores na Herdade da Machoqueira do Grou teve de ser ajustado, prevendo-se a sua plena implementação durante o ano de 2019.

Divulgação:

https://ec.europa.eu/eip/agriculture/en/find-connect/projects/ecomontado-xxi-agroecologia-aplicada-ao-design-do

https://www.icaam.uevora.pt/investigacao/sites-dos-nossos-projetos/ECOMONTADO-XXI-A-Agroecologia-aplicada-ao-design-do-Montado-Novo

 

ValorCast


Prioridade do FEADER: P2A) melhoria do desempenho económico de todas as explorações agrícolas e facilitação da restruturação e modernização das explorações agrícolas, tendo em vista nomeadamente aumentar a participação no mercado e a orientação para esse mesmo mercado, assim como a diversificação agrícola;
Identificação do problema ou oportunidade que se propõe abordar:

Portugal é um dos principais produtores europeus e mundiais de castanha com cerca de 45.000 t/ano (segundo estimativas da RefCast). Tipicamente, a maioria da castanha portuguesa é vendida a empresas de comercialização de média e grande dimensão, onde é submetida a um processo de limpeza, desinfeção e calibração, preparando-a para ser comercializada para o consumo em fresco.Portugal é um dos principais produtores europeus e mundiais de castanha com cerca de 45.000 t/ano (segundo estimativas da RefCast). Tipicamente, a maioria da castanha portuguesa é vendida a empresas de comercialização de média e grande dimensão, onde é submetida a um processo de limpeza, desinfeção e calibração, preparando-a para ser comercializada para o consumo em fresco. Em Portugal, a colheita desta castanha é feita maioritariamente de forma manual em todas as regiões produtoras. Tem-se observado, ao longo do tempo, que com o envelhecimento da população rural e o crescendo êxodo dos mais jovens para outras regiões e com outras ocupações laborais, a mão-de-obra escasseia ano após ano e a colheita mecanizada será cada vez mais a solução deste problema. No contexto atual, os equipamentos existentes demonstram insuficiência de rendimento ao operar em dias com elevada humidade e/ou com pouca pluviosidade (ficam inoperacionais por concentração das folhas e ouriços que provocam o entupimento do sistema), impossibilitando mesmo o seu uso. Temos assistido à entrega de castanha, colhida mecanicamente, com muita pedra, pequenos pedaços de ramos e outros inertes que só depreciam o valor da castanha e, consequentemente, o seu valor por kg, levando ao abandono destes equipamentos por parte dos proprietários. Assim, é importante desenvolver estes equipamentos de colheita e otimizar linhas de limpeza para que a castanha não perca valor nesta fase do comércio da castanha e se consiga resolver a ameaça da falta de mão-de-obra.Infelizmente, ano após ano, a percentagem de castanhas com bichado à entrada destas unidades é elevada, criando aqui um grande problema aos operadores do mercado na preparação da castanha quer para o mercado nacional, quer internacional. No período pós-colheita até à chegada ao consumidor final, surgem problemas adicionais, como o aparecimento de podridões e a perda de água das castanhas, causando grandes prejuízos económicos. Estes problemas afetam a qualidade e a conservação dos frutos, limitando temporalmente a disponibilização de castanha para o mercado em fresco. Existe atualmente procura de castanha por parte do comércio retalhista, durante um período mais alargado de tempo que o setor não consegue satisfazer devido à perecibilidade da castanha.durante um período mais alargado de tempo que o setor não consegue satisfazer devido à perecibilidade da castanha.A maioria da castanha portuguesa, graças à sua qualidade, tem uma grande procura para o mercado em fresco, destinando-se apenas cerca de 10.000 t/ano para transformação. Em Portugal, a transformação da castanha resume-se ao seu descasque e congelação, preparando-a para ser comercializada em pequena escala (1.000 t/ano) no mercado nacional e que se destina sobretudo para utilização direta na alimentação. No entanto, a maior parte da castanha congelada é exportada como matéria-prima para as indústrias transformadoras existentes em França, Itália e Espanha. Em Portugal, apenas uma ínfima quota é usada neste tipo de transformação por microempresas de cariz familiar. Nota-se, contudo, o interesse crescente de novos investidores em valorizar a castanha, quase sempre com uma perspetiva de inovar de modo a ir ao encontro de nichos de mercado diversificados, criando-se assim novas oportunidades de negócio, embora condicionadas pela limitação no fornecimento de alguma matéria-prima, em termos de quantidade representativa, tanto em fresco como transformada, como é o caso da farinha de castanha.O consumo de castanha em Portugal é bastante sazonal, estando normalmente associado ao frio e ao mês de novembro, particularmente à quadra de S. Martinho. Contudo, hoje é possível conservar castanha em fresco durante cerca de 6-8 meses, o que poderá permitir o alargamento da janela de consumo deste fruto com assinalável valor nutricional. Para além disso, é bastante importante continuar a apostar na conservação deste fruto, após a colheita, utilizando novas metodologias de conservação e processos alternativos aos já existentes, à semelhança do que se faz noutros frutos, como é o caso da irradiação, das atmosferas modificadas e das embalagens inteligentes. De realçar que, por vezes, o facto de existirem determinados anos em que não se consegue escoar a totalidade da produção, havendo excedentes, e de alguns frutos terem um calibre pequeno, com acentuada desvalorização para o consumo em fresco, leva à necessidade de se encontrarem alternativas para a utilização da castanha, nomeadamente a sua transformação numa primeira linha, cujos produtos resultantes poderão entrar noutros circuitos de valor.


Objetivos visados:

Com as ações previstas no ValorCast pretende-se alcançar três grandes objetivos:

1- Melhorar o processo de colheita mecânica da castanha;

2- Melhorar a preservação da qualidade da castanha entre a colheita e o consumidor, nomeadamente:(a) desenvolver um método novo de desinfestação em alternativa ao atual (choque térmico) que é inadequado às exigências comerciais atuais e avaliar o seu efeito na qualidade da castanha;(b) desenvolver protocolo que permita um controlo fúngico eficiente durante a fase de armazenamento na receção de frutos e sua conservação e na câmara frigorífica, que permitam prolongar o seu prazo de comercialização e consumo;(c) encontrar forma de minimizar as perdas de água da castanha.

3- Promover outras formas de apresentação da castanha para o consumo em espécie, nomeadamente na forma de farinha, permitindo o aparecimento em maior escala no mercado de outros produtos transformados derivados destes, como é o caso do pão, das bolachas, da cerveja, etc., e também a criação de novos produtos inovadores, como a castanha liofilizada e/ou a castanha macia com e sem Salicórnia (sal verde).


Sumário do plano de ação:

A maioria da castanha portuguesa tem como destino o mercado nacional e internacional do fresco. Em termos médios, a castanha chega aos operadores com cerca de 15 a 30% de castanha bichada, dependendo das condições climáticas do ano e do maneio do souto. Esta perda pode representar cerca de 10 000 t de castanha (cerca de 15 M €), no total de cerca de 30 000 t processadas, que terão de ser desviadas de imediato para refugo. Esta elevada percentagem, além de causar prejuízos significativos, levanta sérios problemas no processamento da castanha visando a sua colocação no mercado. A recente proibição da utilização na Europa do brometo de metilo para a desinfestação da castanha, veio criar novas dificuldades aos operadores, que ainda não estão completamente solucionadas. O método atualmente mais usado é a imersão de castanha em água quente (choque térmico). Este processo tem criado dificuldades de conservação da castanha nos processos de exportação de longo curso. Outras soluções foram já tentadas com algum sucesso quanto ao efetivo controlo da praga, como a irradiação e a pressurização. Contudo apresentam limitações à sua execução quanto aos custos envolvidos e à capacidade de processamento de grandes quantidades de castanha. Assim, outras possibilidades deverão ser consideradas. Ainda no armazém, existem ainda podridões da castanha, provocadas por fungos, normalmente não tratadas e que encurtam o tempo de vida da castanha. Este problema é um óbice ao prolongamento no tempo da oferta de castanha de qualidade, conforme as necessidades do mercado o exigem atualmente. Outro problema que se coloca ao setor, é a redução de peso que as castanhas sofrem devido à perda de água e, consequentemente, causando a sua depreciação. Este problema é transversal a toda a cadeia de processamento da castanha para o mercado em fresco. Durante uma campanha, os operadores estimam em cerca de 10% a perda de peso das castanhas, só referente ao tempo entre a recepção na unidade e a venda para o mercado retalhista, representando cerca de 3 000 t, isto é, cerca de 4,5 M €. As unidades de processamento debatem-se ainda com o aparecimento muito frequente de podridões nas castanhas, provocadas por fungos, que podem levar à destruição completa do lote de castanha. Por outro lado, este é um dos maiores entraves ao prolongamento do tempo de vida da castanha. Estes problemas acabados de descrever, acrescidos das flutuações anuais na produção de castanha e da procura externa, têm provocado subidas bastante acentuadas no seu preço, levando a um abrandamento do consumo nacional. Para além disto, acresce ainda o facto da castanha não ser cuidadosamente tratada pelos operadores comerciais, pois é normalmente tratada como fruto seco, quando efetivamente não o é. Trata-se de um fruto semi-perecível, que necessita de ser bem conservado e manipulado para não se colocar em risco a sua qualidade e segurança alimentar. Por outro lado, no que respeita ao consumo de castanha, verifica-se que este está muito concentrado num curto período de tempo, entre meados de outubro e finais de novembro, e estreitamente ligado ao consumo tradicional de castanha, assada e/ou cozida, abrindo-se aqui novas oportunidades, como por exemplo a castanha fumada, um produto tradicional italiano. Recentemente, existe uma grande procura do sector agro-industrial por produtos isentos de glutén, para suprir necessidades alimentares especificas, para além de se desenvolverem produtos nutricionalmente enriquecidos. A castanha é um fruto rico em importantes elementos minerais (como é o caso do selénio), vitaminas (nomeadamente vitamina C), hidratos de carbono (sendo na sua maioria amido, e este bastante resistente à digestão, comportando-se como uma fibra), sem glutén, com baixo teor de gordura e isenta de colesterol (Food. Chem. 140, 666; Food Chem Tox. 50, 2311; Food Chem.106, 976; J. of Food Comp. Anal. 20, 80). Relativamente à sua aptidão tecnológica, é de realçar a capacidade de se comportar como um alimento farináceo, podendo complementar as farinhas de cereais, o que poderá permitir uma redução na importação destes produtos dos quais o nosso país é muito dependente, contribuindo deste modo para um equilíbrio na balança comercial. Assim, é de salientar que, apesar de começar a existir já alguma 1ª transformação da castanha, nomeadamente em termos de produção de farinha de castanha, a qual poderá ser utilizada para incorporar outros produtos, esta encontra-se ainda muito pouco desenvolvida e com reduzida dimensão, sendo a quantidade produzida insuficiente para a sua utilização a nível industrial, apesar de existir alguma produção e comercialização, como é exemplo o projeto “sweet castanea”. Este facto foi constatado aquando da realização de vários trabalhos de investigação para a criação de novos produtos a partir deste resultante da 1ª transformação (Silva, 2005, Trab. Final Curso. ESAV; Carreira, 2007, 162-167, ISBN 978-960-88557-3; Fontinha, Millenium, 38, 67) nas empresas Dancake e Fábrica do Pão, os quais foram positivamente apreciados pelos painéis de consumidores, verificando-se porém uma grande limitação na aquisição da farinha em quantidade suficiente para a produção desses produtos desenvolvidos. Com efeito, para além de não se encontrar disponível, mesmo nas grandes superfícies, também quando se pesquisa o que já foi investigado em termos de produção e caracterização da farinha de castanha, que se torna a base para o desenvolvimento de novos produtos alimentares (capazes de criar mais valor), esta é bastante limitada em termos tecnológicos, tendo sido encontradas poucas referências nacionais (J. Food Eng., 90, 325; Food & Biop. Proc., 90, 284), ao contrário de outros países como a Itália, Turquia, Espanha (Galiza) que já apresentam trabalhos bastante interessantes a este respeito (LWT- Food Sc. Tech.70, 88; Food Hydroc. 51, 76; Sc. Hort. 192, 132; Sc. Hort. 176, 331; J. Food Eng. 101, 329). Assim, torna-se importante o desenvolvimento de tecnologia para a obtenção industrial de farinha de castanha, com base em trabalhos experimentais sobre as melhores vias para a obter, tanto em termos tecnológicos como funcionais, tendo sempre como meta a utilização desta farinha para usos industriais. Para além do aspeto da produção de farinha de castanha, é importante estudar e testar também algumas técnicas de conservação da castanha, de modo a alargar o tempo de vida útil e, consequentemente, o período para a sua comercialização, levando a benefícios económicos bastante evidentes. Apesar de existirem algumas técnicas de conservação da castanha que já se encontram bastante desenvolvidas, nomeadamente a nível industrial, como é o caso da congelação da castanha, importa estudar e avaliar o impacto de outras técnicas que já existem para conservar outros frutos e produtos alimentares, como é o caso da secagem, dos revestimentos, películas, filmes, atmosferas modificadas e embalagens alternativas. A nível nacional encontram-se poucos trabalhos publicados a este respeito (Nogueira, 2008, Acta Hort 784, 65). No entanto, a nível internacional existem algumas metodologias de conservação já testadas com bastante êxito (Food Microb. 42, 47; Food Chem. Toxic. 50, 3334; Food Chem. Toxic. 49, 1918; Postharv. Biol. Techn. 98, 65; Postharv. Biol. Techn. 56, 95; Postharv. Biol. Techn. 61, 131; J. Food. Comp. Anal. 23, 23; Ital. J. Food Sci. 26, 74; Int. J. Agric. Biol. Eng. 8, 106; J. Food Proc. Presev. 34, 609). De realçar também a possibilidade de se utilizar a castanha na produção de produtos novos e inovadores, requerendo alguma pesquisa e investigação, como é o caso de iogurtes, entre outros.


Pontos de situação / Resultados:

Em início de atividade.

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Grupo de 
Trabalho Inovação

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